She is leaving and I can’t do anything // POV // two years ago
I’m looking at her, getting farther away; She becomes a small dot and then disappears. Will this go away after time passes?
Taemin ajudara sem maiores problemas a empacotar as coisas de Yumi. Havia bastante coisa da mulher no apartamento que eles dividiam, então já fazia uma semana que estavam naquilo de embrulhar tudo. O real problema estava em fazer tudo com rapidez e praticidade, o que normalmente acontecia vindo de si, uma vez que estaria mentindo se dissesse que estava bem com a partida da outra. Que aceitara a decisão dela como se tudo fosse dar certo no final e um dia eles voltassem a se ver, como ela havia prometido assim que propusera o rompimento do relacionamento. Certo, Taemin também não acreditava que uma relação à distância fosse resultar em algo bom, mas nem por isso estava disposto a dar o braço a torcer e acabar com tudo. Nunca fora alguém que abria mão de suas preferências sem pagar para ver se elas dariam certo; todavia, sabia que tinha de levar em consideração o que Yumi queria também. Por isso, levando em consideração, principalmente, o que sentia pela mais nova, decidiu colaborar. E então agir como se nada estivesse errado consigo.
A parte mais dolorosa, aparentemente, já havia passado: o anúncio de que Yumi voltaria a morar com a mãe, tendo de deixá-lo. Realmente, quando a outra chegara em casa, abatida e dizendo-lhe tais palavras (em todo o seu jeito delicado e preocupado de ser), Taemin sentiu o chão desfazer-se sobre seus pés. Não era comum que pessoas o deixassem, apenas o contrário. Por isso todo aquele abalo emocional e, principalmente, psicológico. Apesar de manter-se firme diante da situação mencionada, assim que esteve sozinho quando a namorada pôs-se a dormir, teve um de seus surtos psicóticos extremamente comuns a si mesmo, mas que chegava ao conhecimento de poucas pessoas: quebrando quase toda a perfumaria que existia em sua bancada da pia, precisou levar alguns pontos e remover alguns cacos de vidro que entraram pelos furos de seu piercing no dedo também. Saiu sem que a mais nova visse e quando questionado sobre o que acontecera, no hospital, manteve-se em silêncio. Nos dias seguintes, também não tocou no assunto com Yumi, apesar dos pontos serem bem vistosos nos dorsos de suas mãos e vira e mexe ele pegar-se reclamando da dor que os mesmos causavam.
Entretanto, ao contrário do que havia pensado, não poderia ter sido tão fácil assim. Certo, estava lidando consideravelmente bem com a ideia de estar ajudando a namorada a empacotar suas coisas para ir embora, mas assim que o fatídico dia chegou, não era como se ele conseguisse mais manter a postura firme em relação ao que estava acontecendo. Não era de ferro e por mais que gostasse da ideia de seu coração ter-se tornado um cubo de gelo ou uma pedra dura, toda aquela postura caiu por terra quando seu despertador tocou em um horário diferente do que ele havia programado para despertar e ir trabalhar.
Fora o horário programado para levantar, bem cedo, preparar o último café e dar o último adeus a Yumi, uma vez que a levaria até a estação de trem e no dia seguinte despacharia todas as suas coisas.
Para começar, seu sono fora inquieto. Com a menor entre seus braços, tendo de acordar às sete e meia da manhã, Taemin só conseguiu pegar no sono às quatro. Quando despertou, estava falsamente elétrico e toda aquela falsa energia foi por água abaixo, literalmente, quando entrou no banho. Sua vontade era de continuar ali e induzir o próprio coma tomando uma superdosagem dos seus próprios calmantes que estavam dentro do armário de remédios no banheiro, mas era fácil conciliar todos aqueles pensamentos horríveis com um pouco de motivação, quando, nos últimos anos, Taemin fazia aquilo quase que diariamente. Sabia que era mais fácil do que tudo dar um fim à própria vida, mas o grande desafio estava em continuar com ela. Por isso todo aquele empenho em tentar manter-se firme, mesmo que mais uma pessoa que amasse estivesse partindo seu coração, sendo esta a segunda vez. E que parecia doer mais do que a primeira, agora.
Justamente porque, bom, fora Yumi quem pegara pedaço por pedaço de seu coração partido, quando Junah fez o que fez com o promoter. Ela era amiga da víbora em questão e do próprio Taemin também. Fora a única, basicamente, que dera-se ao trabalho de entender que a isolação pela qual o homem passava, era mais do que um simples coração partido ou uma simples crise interna. Em outras palavras, ela dera os passos que outros temiam, ainda mais quando era extremamente difícil manter uma conversa com um Taemin tão temperamental e insuportável à época.
Acompanhá-la até a estação de trem também foi uma situação que ele considerou suportável. Apesar de não tê-la soltado nem por um único segundo desde que chegaram lá, mantendo os braços ao redor da cintura pequena e fina, não estava realmente ansioso com o evento em si. Sabia que se acontecesse de ficar exasperado, seria horrível para os dois; não queria que Yumi se sentisse péssima por conta de seu humor e comportamento difícil e que costumava sofrer facilmente com qualquer despedida que não fosse meses e meses antes adiantada a ele. Então manteve apenas seu queixo apoiado no topo da cabeça da garota. Dividiam um fone conectado ao seu celular; as músicas conseguiam distraí-lo, apesar de ouvi-las daquele jeito ser uma atividade executada somente quando estava muito triste. As melodias eram variadas, mas alternavam entre pop e rock clássico, principalmente. Havia “Hurt”, da Aguilera e, em contraste, “Little Lover”, do AC/DC. As duas últimas músicas que antecederam a partida de Yumi machucaram-no verdadeiramente, entretanto.
“Lost Love” e “Angel”, do Judas Priest.
Até que ela embarcasse, ele segurou as lágrimas. Mas quando ela foi embora de verdade, demorando um pouco para que a ficha de Taemin caísse, o homem continuou parado, estagnado no tempo. Suas mãos trêmulas estavam escondidas dentro dos bolsos e então ele olhou por cima do ombro, fitando a movimentação das outras pessoas. Perguntava-se se era aquilo mesmo a tal da despedida; tanto sofrimento por antecedência e depois o verdadeiro sofrimento após a partida. Afinal, sempre estivera habituado a deixar pessoas para trás, não que fossem elas a deixá-lo. Ainda mais quando tudo parecia tão bem, como as coisas aparentavam estar entre ele e Yumi.
[...]
Tendo retornado para casa só na madrugada daquele mesmo dia, Taemin estava completamente embriagado. Nunca bebera até cair ou não conseguir andar direito; e aquela era sua situação. Precisara ser carregado por Kinam, porque depois da milésima dose da noite, estava tonto e ao tentar se levantar, deu com a cabeça na bancada do bar do HObar. Não fora trabalhar, obviamente, simplesmente porque desde que havia voltado da estação de trem, enfiara-se naquele lugar e começara a beber. Finalizara seu maço de cigarros durante aquele período também e quando foi recomendado, inicialmente, que usasse a área dos fumantes, Taemin simplesmente mudou-se para o meio fio e quando estava com mais vontade de beber, pedia para que o amigo entrasse e pegasse mais garrafas. Só parou efetivamente quando discutiu com Kinam sobre continuar com aquela bebedeira e perceber o quanto seu estômago estava revirando no exato momento em que fez menção de se levantar para ir embora.
Pelos meses seguintes, a vida do promoter voltou a ser um borrão. Continuava mantendo contato com Yumi, mas, por vezes, chegava a não atender os telefonemas dela para não continuar se martirizando como ele estava fazendo ao pensar que um dia ela voltaria. E que poderia tê-la feito ficar, se fosse um pouco menos... Horrível. Um pouco menos desprezível e difícil de lidar. Se fosse um pouco mais amável e um pouco mais atencioso. Sabia que ela era um tesouro e tanto escondido no meio da areia, em sua vida, mas sabia, também, que não cuidara suficientemente bem dela. Ou pelo menos achava isso. Entre outras palavras, ninguém jamais o fizera se sentir arrependido de seus feitos, mas a mais nova conseguira isso. Obviamente, não de um jeito bom, já que toda aquela fossa na qual Nam se encontrava poderia ser facilmente assimilada com uma daquelas depressões que os diagnosticados com borderline possuíam.
Fosse como fosse, estava aos cacos novamente. Coincidentemente, em razão da mesma pessoa que juntara todos os seus, quando Junah fez com que seu coração se espatifasse contra o mesmo chão que sumiu por debaixo dos pés de Taemin, quando eles tiveram aquele término conturbado.
Não fazia muita ideia de como livrar-se de mais aquele problema em sua vida. Tudo que sabia e, ainda sem ter certeza, era que precisava continuar vivendo. Pelo menos ainda tinha Yumi, de alguma maneira, não tendo-a perdido completamente, como seria muito mais difícil de acontecer caso fosse isso que tivesse ocorrido.













