A Musicista e o Professor
Sentou-se em uma cadeira na sacada de seu apartamento, como se esperasse companhia, ele com seu porte sério lembrava um professor velho e carrancudo, apesar de ter apenas 26 anos; com elegância retirou os óculos de leitura do bolso, abriu seu livro favorito e olhou o relógio em seu pulso.
"Pontual como sempre", pensou sorrindo, se ajeitando melhor na cadeira.
Então a primeira nota soou alta e forte, bem marcada preenchendo o ar e reverberando em seu peito, logo, sendo seguida de uma sucessão de notas em ritmo de marcha, e apesar da melodia, ele podia ouvir através dela e sentir a musicista se entregando a música como se fosse parte dela, não era apenas uma melodia, eram os sentimentos e a alma da garota sendo manifestos em forma de som.
Era incomparável aquela sensação
Todas tardes ele a sentia, por todos os dias ansiava por mais, e nas noites frias que se passavam sonhava com ela.
Simplesmente era um mistério para si, a garota que tocava era uma desconhecida, nunca a tinha visto antes, parecia que era uma nova moradora do condomínio, pois em um dia como qualquer outro a música começou de repente, doce e calma, desde aquele dia então no mesmo horário a musicista desconhecida tocava melodia após melodia até que a noite caísse sobre eles e as estrelas se tornassem sua plateia; e ele podia jurar sentir como se os céus estivesse mais perto quando esse anjo produzia tão encantadoras melodias, tão absolutamente perto, que o poderia tocar com a ponta dos dedos.
E assim como o paraíso veio, ele foi embora, deixando um estranho vazio no ar, olhou novamente seu relógio.
"Pontual como sempre" pensou contrariado dessa vez, se levantando de seu lugar privilegiado. para olhar a musicista, sua bela vizinha.
Diferente das outras vezes, ela não ficou lá para mostrar seu sorriso doce e ouvir seus elogios, quando ele se levantou ela já estava fechando as portas da sua sacada, se sentiu estranho e desgostoso por não poder falar com a artista; ignorou esse sentimento desconhecido e voltou para o interior do apartamento.
Estava cozinhando quando ouviu uma batida na porta, secou as mãos e colocou o pano de prato sobre os ombros seguindo em direção a porta.
O que encontrou atrás da porta foi apenas um envelope de papel no chão, olhou para os lados não encontrando ninguém a quem pudesse devolver a carta perdida, estranhando a situação deu de ombros e voltou para o apartamento examinando o pequeno envelope em suas mãos, atrás dele em uma caligrafia bonita e floreada, estava seu sobrenome; intrigado abriu o selo do envelope curioso com seu conteúdo, encontrou uma pequenina flor e um bilhete que dizia:
Não tenho poder da fala, mas suas belas palavras ao final de minhas canções me motivam a continuar.
Um sorriso nasceu daquele bilhete, não só um sorriso, mas também uma nova rotina, começaram a trocar bilhetes todos os dias, não só uma vez ao dia, mas várias vezes acostumaram a levantar-se e descobrir um novo bilhete debaixo da porta, e ir se deitar e mais um bilhete estar a sua espera. Em pouco tempo os bilhetes viraram cartas, os dias em semanas, e a comunicação apenas por carta viraram passeios e longas conversas e aprendizados para ambos.
De forma sutil o cupido plantou uma semente, que cresceu forte sendo regada por momentos simples mas cheios de significado.
Eles ficaram próximos, tão próximos que naquela tarde ele estava na sacada dela sendo sua plateia particular enquanto ela dedilhava o instrumento; após duas melodias inteiras ele se levantou, ajoelhando-se a frente dela, que de imediato parou a musica observando o com curiosidade, com a dificuldade de um aprendiz ele ergueu as mãos e disse na linguagem de sinais.
"Preencha minha vida com seu amor e com sua música, não consigo imaginar outra forma de viver a não ser ao seu lado: senhorita, você aceita se casar comigo?"
A garota de 24 anos sorriu com os olhos cheios de lágrimas e o respondeu com as mãos firmes de quem tem prática.
Naquela tarde de primavera eles realmente se sentiram capazes de tocar os céus com a ponta dos dedos.
N/A: Talvez eu transforme esse conto em um livro. Está oneshot também está postada no meu perfil no wattpad (Shijinkouhai), obra de minha autoria, se desejar usá-la ou mencioná-la, me chame na DM, me marque ou me dê os devidos créditos.