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“Incrível como o ser humano pode ser tão incrível e tão falho ao mesmo tempo, porque, até no amor usamos artifícios para podermos realmente acreditar...”
“Uma pessoa pode ser seu tudo ou seu nada, depende apenas do seu ponto de vista...”
Capítulo 3 - E se?
Eu finalmente pude me abrir com ela depois de tanto tempo! Independente de resposta, independente de sentimentos, eu estava afogado nessa bipolaridade de sentimentos. Porque é difícil entender alguém que se apaixona... Podem não existir milhões de motivos, ou mesmo que existam, mas meu coração quando insiste em algum sentimento, ou é até o fim ou melhor nem tentar. O maior problema, que as vezes o fim não é aquele que idealizo enquanto penso o que falar para quem quero perto de mim o tempo todo. Não que queira muito, e até parece ser tão simples achar alguém que goste de você pelo que você é, não pelo que tem; Juro que pensava que minha mãe exagerava quando dizia que o mundo está perdido porque meninas querem saber de dinheiro, não de simples amor. Por isso que ela sempre me disse para achar uma mulher para meu lado, não simplesmente uma garota. Como diz a música: "Garotas gostam de garotos!"... Então, procure uma mulher!
Ela respira fundo e olha profundamente em meus olhos
- Olha... Eu nem sei muito bem o que dizer agora - disse enquanto se aproximava de mim - Mas eu ainda tenho minhas dúvidas, meus medos, meus receios, dentro de mim um turbilhão de sentimentos me tiram do lugar, me fazem imaginar milhões de coisas, ainda estou muito confusa com tudo isso... Eu queria que aceitasse isso nem como um sim, mas também nem como um não. Faz pouco tempo que saí de um relacionamento, digamos, muito complexo, e algumas sombras do que foi tudo isso ainda me cercam, me fazendo pensar em o que vai ser de mim as vezes... Fora tantos e tantos problemas que ainda tenho comigo, que não seria justo jogar em você, porque acho que coisas assim, eu tenho de resolver sozinha. Mas, o que seria capaz de esperar um pouco mais por mim? - Terminou de falar enquanto seu olho esquerdo começava a encher de lágrimas.
Cheguei ainda mais perto, envolvendo-a em meus braços, tentando de alguma forma mostrar algum tipo de ajuda, mas ao mesmo tempo sendo forte para não chorar a vendo chorar
- Sabe? No final, não sabemos de nada. Se parar para pensar, não somos nada. Não somos nem donos de nós mesmos, nossos sentimentos não nos pertencem, e mesmo assim, buscamos a felicidade de alguma forma para tentar nos tirar de uma amargura que nos cerca todos os dias. Eu acho que, melhor, eu tenho certeza de que nunca pude achar alguém que fosse realmente sincera comigo como você foi agora pequena. Primeiramente, eu queria pedir desculpas, por fazes esses seus lindos olhos se encherem de lágrimas por lembrar de tanta coisa, - disse enquanto levantava seu rosto, para que olhasse em seus olhos, e enxugasse as lágrimas de seu rosto - E como perguntou, por você eu poderia esperar uma eternidade se passar, poderia pegar cada estrela no espaço para poder lhe dar, poderia até fazer parar o tempo para que eu e você fossemos eternos... Se esperar é o que precisa, esperarei com você, por você. Só quero que me prometa que independente de qualquer coisa a partir de agora, quero que seja sincera comigo em cada momento em que conversamos. E queria também que tem o espaço que quiser, seja para não falar por um tempo, seja para passar noites e noites em claro conversando para tentar lhe ajudar... Entre eu e você, momentos, sentimentos devem ser verdadeiros. E sendo um pouco mais sincero, tudo o que eu puder fazer por você pequena, estarei desposto a fazer. Independente de empecilhos, falhas minhas, ou motivos sem nexo.
Puxei sua cabeça para um pouco mais perto, dei um beijo carinhoso e cuidadoso naquela testa delicada, me despedindo, para poder deixa-la em paz durante esse momento de "tensão"
- Obrigada - Ela fala com a voz tremula enquanto me vê andar para um pouco mais longe.
Com lágrimas no rosto, preferi não me virar, mas sinalizei um "v" com a mão direita de forma que tivesse certeza que ela poderia ver.
Aproveitei a longa caminhada que faria até a minha casa para pensar um pouco em tudo aquilo que ela havia me dito; Me vi pensando um pouco mais, querendo saber se realmente estava pronto para ter algo mais sério com alguém, será que estou realmente pronto para me entregar de novo? Dúvidas que me cercaram depois daquele momento que tivemos, me fizeram dar voltas na lua, imaginando "n" possibilidades, coisas que poderia ter dito, em tudo que pensei em dizer, na agonia que ela me fez passar ao dizer que queria um tempo; Mas tenho certeza que por um motivo melhor, melhor para ambos. Ao menos, eu pude me "livrar" um pouco da agonia que me cercava enquanto eu ainda não havia falado nada sobre o que sentia sobre nós. Sobre o que senti a primeira vez que a vi, sobre o tempo que agradeço todos os dias enquanto nos falamos. Para falar a verdade, eu queria que fossemos bem mais próximos, queria poder passar mais segurança, realmente queria poder ser o "homem dos sonhos", mas ainda sou muito falho, tenho mais defeitos do que qualidades, meus constantes erros me cercam, um passado que as vezes vem, me atormenta, me derruba, e depois some como se nada tivesse acontecido... Tudo isso ainda me atrapalha um pouco, contudo, ainda acredito que posso ser melhor, posso me tornar o que prometi que seria. Não quero que ela veja, quero apenas provar que homens de verdade ainda existem. Que pessoas boas ainda estão escondidas aos poucos procurando alguém que ame e cuide de verdade. Essa é o triste momento de um poeta que talvez tenha esquecido o lado bom e o lado ruim de amar; Ou pior, essa é a verdade de um poeta que talvez nunca tenha realmente amado. Talvez, esse seja meu maior problema.
CAPÍTULO 2 - FINAL
O tempo passava e eu acho que não me dava mais conta das coisas acontecendo ao meu redor. Parece que os dias passavam mais rápidos que alguns minutos em que parava pra pensar sobre tudo que estava me acontecendo. Eu me sentia em um cruzamento: De um lado estava a garota ideal, do outro meus amigos. Sinceramente, não entendo porque os dois não poderiam se encaixar normalmente como qualquer outra coisa, mas eu tinha de escolher um, e escolher logo. Não poderia ficar eternamente nessa faca de dois gumes sem saber o que fazer. Porra, eu tava me sentindo sozinho. Carente. Com medo. Carente. Carente e carente.A virada do ano estava chegando e eu tinha logo que saber o que faria. O ano vai acabando, eu ia entrando em "modo de nostalgia", lembrando de cada passo que havia dado durante o ano, lembrando o que valeu a pena e o que não valeu. Tentando manter meu equilíbrio emocional, mas parece que as vezes não dava muito certo. Se bem que tudo que aconteceu de ruim foi culpa minha, não dos outros. Quem manda ser besta, amostrado, grosso com que não merece. É difícil isso tudo, controlar os sentimentos, e de alguma forma, acabava expondo de mais como me sentia, e assim continuava pensando.
Vibra o telefone em cima da minha cama.
Levantei, estava encostado na porta olhando pela janela e vendo anoitecer calmamente. O ruim de morar na cidade é que raramente podemos olhar para o céu e ver as estrelas, mas quando dava, passava horas olhando e pensando. Sempre adorei pensar.
"
Como é estar com alguém mas ainda amar outra pessoa? Como é que posso me sentir assim por culpa sua seu idiota? Para de me fazer pensar que é com você que eu quero estar. Ao menos por uma vez, por favor. Você não merece ter alguém assim por você.
Enviado via Internet "
Realmente, sempre gostei de receber uma mensagem, mas assim é foda. Alguém assim por mim? Se soubesse o quanto não vale a pena... Bem, eu acho que nunca pensei tanto na Becca quanto no momento exato logo após a leitura dessa sms. Será que iria valer a pena passar por tudo isso de novo? Mesmo tendo os momentos bons e ruins? Mas ao mesmo tempo, não conseguia pensar em mais ninguém. Por mais que Amanda tivesse meu número, acho que ela seria capaz de me ligar e me dizer isso.
O telefone toca
- Oi? - Sem olhar quem era o chamador.
- Oi "pequeno" - Com uma voz suave
- Entre aspas garrafais não é Amanda? kkkkkk- Respondi bem rápido.
- Tá, eu gosto da ideia de ver você pequeno. Seria fofo.
- Mais fofo, quer dizer, kkkkkkk
- Modesto você viu? kkkkkkkkk
- Eu sei ! kkkkk. Mas, aconteceu alguma coisa?
- Não, tudo bem. Eu tava pensando em sair com uns amigos meus hoje de noite, pensei em chamar você para ir também, só assim conhecia todo mundo.
- A sim, ainda bem... Eu tava mesmo pesando em você ainda a pouco..
- Em mim é? kkkkkk, E tava pensando o que pra ser mais exato?
- Se eu falasse, teria de lhe matar logo depois, kkkkkkk
- Com tanto que morra sabendo, kk, ficarei bem. - Respondeu mantendo o humor.
- Pra onde iremos hoje?
- Praia. Vamos fazer um luau hoje e tô na sua espera.
- Se depender de mim, pode deixar que eu tô lá mais tarde.
- Ok. Até mais, Beijos - Disse desligando o telefone.
Um encontro? Não sei dizer muito bem. Amanda andava meio estranha ultimamente, ao menos comigo. Não sei se por culpa minha, ou por alguém que esteja enchendo a cabeça dela de novo. Eu pouco podia fazer. Eu sei que todas as vezes que tinha uma chance de tenar alguma coisa com ela, ela dava uma recuada, acabava inventando alguma desculpa para não sair comigo.
Desci para pegar uma água. Vou descendo as escadas, vejo uma senhora conversando com a minha mãe, desci correndo para não ser notado, peguei a minha água e subi novamente. Me sentei na cama e fiquei encarando o meu celular, esperando alguma coisa acontecer, alguém que quisesse vir falar comigo. Pensei em tentar falar com Camila ou com Felipe, não tinha falado com nenhum dos dois depois que soube da novidade dos dois. Nenhum dos outros me mandavam mais notícias... Acabei ligando para Camila.
Só chamava. Caixa postal. Não adiantava, tinha ficado com raiva mesmo. Só me restou mandar uma sms.
"
Oi? Quanto tempo não é? Uns 3 Meses eu acho... Eu sei que eu andei todo errado todo esse tempo, que não adianta vir pedir desculpas por aqui. Mas mesmo assim, vale tentar certo? Mas primeiro, meus parabéns pelo seu relacionamento, fazia tempo que não aparecia alguém assim na sua vida. Realmente, espero que sejam felizes juntos e que todos estejam bem. Manda notícias as vezes, porque eu preciso falar com você o mais urgente o possível.
R.L. "
Tentei fazer minha parte. Vamos ver o que acontece né? Pensamento positivo... Acabei pegando no sono. Acordei, fui direto tomar meu banho. Troquei de roupa correndo porque ia perder a hora, meus pais dormindo, aproveitei a deixa para sair correndo de casa direto pra praia. Olhei pro celular de novo, nada de resposta ou qualquer coisa do tipo. Tive de aceitar a situação. Morava 7 quarteirões da praia, fui andando mesmo porque a preguiça de tirar o carro era maior do que ir andando.
Cheguei praticamente voando na praia, fiquei sentado na areia esperando a Amanda chegar, não poderia entrar sem ela, até porque não conhecia o pessoal que estava reunido ao redor de uma fogueira. Na hora eu vi aquele pessoal reunido ali. vendo a fumaça subindo me lembrei daquela noite lá no P.O.P, era o mesmo pessoal. Onde era que eu tava me metendo...
- Nossa que rapaz gato - Disse uma voz um pouco distante.
- Finalmente chegou - Eu disse olhando para trás e vendo Amanda Se aproximar.
- Pronto para conhecer o pessoal? - Perguntou enquanto e me levantava
- Não, kkk
- Sabia, kkkk. Mas vamos logo. - Ela me respondeu enquanto me puxava pelo braço.
Eu com aquela cara de bosta olhando para o pessoal com um certo "receio" do que iria acontecer. Certamente, as coisas iriam esquentar daqui para frente. Amanda falou com todos do círculo e depois chegou perto de mim para apresentar um por um. Eram poucas pessoas, cinco para ser mais exato.
- Pessoal, esse aqui é o Renan. Não deixem esse rostinho lindo enganar vocês, ele é muito tímido.
Adorava quando ela me chamava de lindo
- Renan, esses são Fabrício, Fredinho, Gaba, Julie ( de Julietta) e Jas (de Jasmine).
- Oi vocês, boa noite. Tô meio travado ainda, mas daqui a pouco eu me solto um pouco. - Disse com um pouco de vergonha ainda..
Me sentei do lado da Amanda, porque claro, seria a pedida perfeita para noite. Lua, estrelas, um violão e ela. Era tudo isso que eu via no momento, não queria saber de mais nada ao meu redor. Enquanto olhava para os lados, do outro lado da avenida da praia, está meu "casal preferido". Felipe e Camila atravessando a rua com as mãos dadas, uma coisa "lindinha" de se ver. Exatamente na hora que a vi, ela me viu. Senti ela olhando pra mim e sei que ela sentiu enquanto eu olhei para ela. Deu pra notar a hora que la virou um pouco o rosto para pero do rosto de Felipe e fez um comentário acompanhado de um sorriso. Será que foi sobre mim?
- Renan ! - Disse um dos rapazes me encarando.
- Aqui - Respondi levando a mão.
- Aqui? Responde feito homem rapaz. - Falou aquele que foi me apresentado com Fabrício.
- Oi? - Sem entender muito bem o que estava acontecendo ali.
- Oi não. Você tome cuidado. Amanda é uma das princesinhas daqui do nosso grupo. Eu quero que você encoste ao menos um dedo nela, que faça ela sofrer uma vez só, e ai vai ter de se resolver comigo e com Fred. - Falou apontando o dedo indicador praticamente na minha cara.
Eu juro que fiquei meio assustado com isso que ele tinha falado. Amanda se senta de volta do meu lado e todos agem como se nada tivesse acontecido.
- Vamos comer alguma coisa minha gente, a noite é uma criança; - Disse Amanda tentando animar todo mundo.
Estava tendo uma festa na praia, como já estava todo mundo por ai, fomos todos. Aproveitei aquele momento em que todos estavam distantes e que só estava eu e ela juntos.
- Manda. - Disse pegando a mão dela.
- Oii Garoto - Ela me disse enquanto parava.
- Sabe? Feliipe me disse uma vez de que a melhor coisa que poderia existir era a Lei do Desapego. Aproveitar sem se apegar. Eu achei que iria conseguir, mas ai lhe conheci naquela festa de noite. Não pensava que seria desse jeito. Seus olhos e seus olhares eram milhares de tentações para mim. Seu jeito meigo de me tratar, sua forma de ser comigo, sua forma de ser. Tudo isso me seduziu aquela noite. Eu passei dias lhe procurando, e quando lhe achei juro que não acreditava, mas finalmente estava ali comigo. E agora? Agora eu tinha de me abrir com você. Precisava me abrir com você. E qual a melhor chance se não agora? A luz da lua refletindo tudo o que você é, será que aceitava prolongar um pouco mais esse meu sentimento? Eu diria que não posso fazer isso sozinho... O que acha de me amar também?
CAPÍTULO 2 - “Um novo começo”
Acho que não me lembrava a última vez que tinha ficado tão feliz como naquele momento. Certamente, as coisas voltando ao seu lugar e eu sem querer me lembrar de todo tipo de confusão que me rondava. O clima estava perfeito, nem muito frio mas nem muito quente… Música acústica para deixar as coisas em um clima no mínimo conversável. Ela estava maravilhosa (meu Deus, que curvas) e aquele sorriso que me fazia ir do inferno ao céu só de olhar. Olhos claros, verdes, lindos. Cabelos lisos, até a cintura. Meu tipo de garota.
- Posso perguntar uma coisa que me incomoda a muito tempo? - Perguntei a ela puxando a cadeira para que se sentasse na mesa comigo.
- Só se puder perguntar outra. - Me respondeu enquanto sentando-se a minha frente.
- Porque não me disse seu nome?
- Porque não me ligou?
- Perdi seu número
- Amanda, prazer.
Amanda…. Amanda… Amanda… Aquele nome fez um eco enorme na minha cabeça.
- Um nome tão lindo quanto esses seus olhos.
- E aquela história de que eu não era de uma cantada qualquer?
- Não foi uma cantada qualquer, apenas quis dizer algo para se sentir bem.
- Mas eu me sinto bem por estar aqui.
- Sempre é bom receber um elogio não é?
- Tudo bem, kkk, mas como conseguiu perder meu número?
- Eu fui inventar de dormir agarrado com ele e acabei perdendo aquele pequeno papel. Desesperado? Nem tanto assim, kk… Só lhe procurei sem saber seu nome indo todas as noites que podia ir naquela casa de show que lhe conheci.
- kkk - Parecendo me conquistar com aquele sorriso.
- Sério, todas as vezes que chegava lá o garçom me perguntava se já tinha lhe encontrado.
- E a vontade de me encontrar era tão grande assim?
- Talvez sim.
- Talvez?
- Sim, pra não dar certeza e não dar muito cartaz que estava louco pra lhe encontrar.
- kkkkkk - Mostrando aqueles lindos dentes brancos, mas de forma discreta.
- Tá, posso peguntar sobre o seu ex?
- Até pode, mas depende do que vai querer saber.
- Porque acabaram?
- Assim, eu não queria ter acabado, mas ai soube o que ele tava tendo um caso com minha melhor amiga. No final sabe o que aconteceu? Ele acabou sozinho, porque minha amiga começou a namorar um cara de fora, e ficou nisso mesmo. Eu sem falar com ela e ela sem falar comigo. Ele? Não quero olhar nem na cara.
- Mas com muita razão na verdade, e aqui pra nós - disse fazendo um movimento com o dedo indicador para que chegasse mais perto e pudesse sussurrar ao seu ouvido - Quem perdeu foi ele.
- Obrigada. - Disse com as bochechas ficando cada vez mais vermelhas… Esse elogio ela aceitou.
- Tá, agora eu lembro que me disse que sua ex tava com um cara na festa, porque acabaram?
- É, ai foi ela que acabou na verdade. Ela disse não estar dando certo… Me disse que “o fim poderia ser um novo começo”. Foi isso ai que me deixou bem bolado. Não que tenha sido perfeito, porque na verdade ninguém é, mas foi como se eu estivesse errado o tempo todo.
- Nossa, que coisa mais profunda - Disse colocando os cotovelos na mesa se inclinando para frente.
- É complicado, mas vai entender não é? Não adianta… Eu sei que por um tempo eu fiquei bem abalado. Mas foi melhor, se não foi para estar feliz junto, melhor estar separados. Se bem que esse tempo passou, a confiança voltou e cá estou eu.
- Então deixa eu contar um segredinho agora - Fazendo o mesmo movimento que fiz minutos antes para chamar e contar um “segredo” - Meu ex acaba de entrar ali com uma garota de mãos dadas, eu acho que vou ter que ignorar.
Depois que ela me disse, me afastei um pouco dela e me virei para olhar se conhecia a figura. O que me tocou não foi ver que o rapaz era mais bonito que eu, não. Na verdade, o que me atordoou um pouco foi ver que ele estava de mãos dadas com a “Becca”.
- É esse ai? - Apontei com a cabeça.
- Sim, ainda bem que passou direto, não quero falar com ele.
Arrastei minha cadeira pra perto dela e coloquei meu braço na cadeira dela… Ela deitou o pescoço no meu ombro e foi ai que eu vi uma pequena abertura: Um beijo. Tudo que eu esperava todo esse tempo. Parece que finalmente iria conseguir alguma coisa melhor do que simplesmente sonhar com algo que aconteceria.
- Eu tenho que ir - Me disse ela com um tom um pouco mais triste.
- Vou com você - Eu disse de forma rápida.
- Pode me levar pra casa?
- Tudo bem com você?
- Tudo, só preciso ir pra casa.
- Entendi, vamos pro carro que eu lhe deixo em casa.
Já andando em direção ao carro, vi que a Becca deu uma olhada um pouco indiscreta em direção a saída na mesma hora que olhei para trás. Nossos olhares se chocaram. O clima foi esquentando, ela desviou o olhar e voltando a conversar com o rapaz que estava com ela… Eu voltei a dar atenção a minha querida Amanda. Enquanto estava indo pro carro, recebi uma mensagem de Vanessa dizendo “URGENTE”. Abri pra ler?
“ Renan seu animal, novidade pra contar.( como abandonou seus amigos, acho q não ficou sabendo..) Camila e Felipe tão namorando. Achei que iria gostar de saber. Mnda notícias as vezes seu doente. Bj.
Nessa ”
Tinha outra resposta?
" Felicidades ao casal."
Guardei meu celular no bolso de trás da calça e fui andando em direção ao carro… Bati a porta e Amanda já estava lá, meio triste.
- Quer saber? Que se dane.
- Isso te deixou meio abalada não foi?
- Não queria que tivesse me visto assim, não gosto que as pessoas me vejam assim, eu tenho na verdade de me mostrar feliz sempre, não assim.
- Porque não? Não é humana por acaso? ( Explicaria muita coisa, o fato de ser tão linda assim e de ser tão simples assim. Tinha que ter algo errado.)
- Não gosto. Acho que as pessoas vão me esquecer.
- Não diga isso, as pessoas podem ser bem melhores do que a gente pensa. Por isso deixa eu enxugar essas lágrimas. - Enxugando e logo depois dando um beijo em sua testa. - Não fique assim pequena, tem coisa melhor a fazer do que se preocupar com ele. Apenas se acalme que tudo vai se encaixar. Eu posso lhe dizer que não fiquei muito feliz também por ver seu ex com a minha ex, mas o que vou fazer?
- Sério?
- Sim, deixa quieto. Porque vale bem mais a pena.
- Não sabia que era ela…
- Posso ser sincero?
Balançou a cabeça dizendo que sim
- A gente bem que poderia fazer o mesmo.
Ela pegou minha mão, olhou nos meus olhos
- Desculpe, mas eu não quero me envolver com ninguém por agora. Meu último relacionamento foi bem complicado. Por isso eu preciso de um tempo. Mas tem me ajudado muito. Obrigado.
Parando na frente do prédio dela
- Poderia me dar ao menos seu número todo dessa vez? Prometo que não vou perder.
- Tá ai. - Anotando na minha mão o número completo.
- Obrigado e boa noite pequena, melhoras.
- Obrigada também. - Disse já fechando a porta.
Anotei o número no celular e segui meu rumo pra casa. Tranquei tudo lá de baixo e fui direto ao banheiro tomar meu banho, até que eu tava precisando, até porque todo adolescente que se preze acaba usando a maior parte do seu tempo para pensar um pouco na vida. Já deitado eu parei pra ler a mensagem que Vanessa tinha me mandado, pensei em tentar falar com Felipe ou Camila, mas acabei pegando no sono de novo, antes de poder fazer qualquer outra coisa…
CAPÍTULO 2 - Um começo à Dois
Já se sentiu traído pelo destino? Bem, de certa forma, achei que estava sendo naquele exato momento... É como se o tempo se arrastasse mais do que de costume, parece que a noite daquele sábado não chegaria nunca, não aguentava mais nenhum pouco esperar (por mais que as vezes achasse bom esperar, dessa vez estava mais para uma tortura). Tudo me torturava naquele momento, principalmente o fato de procurar por alguém sem ao menos saber seu nome, só sabendo que ela existe e que vou acha-la. Acho que muitos teriam desistido, mas eu vou tentar.
Enquanto eu me arrumava para sair de novo pra minha casa de show preferida (conhecida como P.O.P - Piece Of Paradise - vulgo Pedaço do Paraíso), recebo uma ligação do Felipe;
- Oi Amor - Falei com um tom BEM irônico
- Oi amiga, cadê você hoje no salão pra fazer as unhas? - Respondeu Felipe continuando com a tiração de sarro
- Peguei no sono amiga, nem pude ir - Respondi morrendo de rir... Até porque eu acho que seja isso que amigos fazem, tiram onda um do outro o tempo todo, ou quase todo...
- Tudo bem então - Respondeu morrendo de rir - Mas e ai garoto, como é que está ?
- Nas nuvens eu diria viu? Acho que estou revigorado !
- Quer dizer que aquele beijo sugou tudo de ruim foi? HUUUUUM
- Foi bem isso mesmo meu garoto, kk, bem isso mesmo.
- Nossa, que ótimo então! Mas, e ai? O que pretende fazer agora?
- Eu? Vou procurar minha salvadora da noite passada!
- Sério? - Me indagou Felipe depois de um pequeno silêncio...
- Sim, e porque não iria? Foi tão bom que eu quero mais!
- Bom, pode até ir atrás, mas eu acho que não vá valer a pena agora cara, ao menos eu acho que não... E eu se fosse você, na verdade, nem procuraria algo a mais por ali viu?
- Então sabe o nome dela?
- Renan, esculta bem, não corre atrás dela que não vale a pena, eu tô avisando...
- Felipe, me diz o nome dela.
- Renan é sério, eu não quero você metido em confusão por causa daquela garota, por favor, me entenda qu..
- Felipe, problemas vamos arranjar um com o outro se não me disser o nome dela agora. Por favor, eu só quero um nome, só um.
- Cara, me desculpe, mas não vou lhe dizer. Se depender de mim, não vai saber.
- Entendi, isso na verdade foi inveja não foi? De me ver com ela ontem de noite? Agora faz sentido. Mas não se preocupe, vou atrás dela mesmo assim. Eu sempre soube que tinha inveja de me ver feliz! Sempre! Agora tudo entra na minha cabeça direitinho.
- Renan, olha o que ela tá fazendo com a gente. Você nem a conhece e tá fazendo uma tempestade em copo d'água por causa de um nome?
- Não quero saber Felipe, e por favor, me poupe de qualquer sermão idiota que tenha pra fazer agora. Além do mais, eu tenho coisa muito melhor para estar aqui perdendo meu tempo com um pirralho no telefone, até mais.
Desliguei o telefone com raiva. Se foi certo? Não, é claro que não! Se eu pensei antes de fazer? Não! Mas já tinha feito, e ainda tem o fato de que se ligasse iria piorar ainda mais a minha situação, ainda fiquei uns 10 segundos esperando para ver se ele ligaria para que eu pudesse pedir minhas desculpas pelo que falei, mas já que não ligou, eu decidi ligar outra hora e tentar falar com ele.
Fim de semana para mim! Meus pais tiveram de viajar e ainda não tinham chegado, pelo visto estavam bem ocupados também, por isso eu acho que quando ligava só caia na caixa postal. Preferi me preocupar com isso quando voltasse da minha tão prometida noite! Não avisei a ninguém onde estaria ou porque estaria, apenas fui esperando melhorar minha noite, já que ela havia começado com briga...
- Alô? - Atendi o telefone sem ver quem era, por estar dirijindo e já chegando na POP
- Alô? Isso são modos de se falar com seu pai? - Respondeu de forma seca e direta.
- A, oi Pai. Desculpe a falta de jeito. Eu não tinha visto quem era....
- Hum, bom mesmo que tenha sido por causa disso. Sabe que adoro quando me trata assim
- Eu sei pai, eu sei...
- Tudo bem? Onde está?
- Tudo sim, passei a tarde em casa hoje para poder deixar ela ao menos não tão bagunçada para mamãe não ter um "troço" quando chegasse em casa... Dei uma saidinha rápida, mas logo cedo eu chego em casa!
- Então tá, deixou tudo fechado direito em casa/
- Sim pai!
- Ok então... Sabe como é sua mãe né? Ela quer que a gente passe o fim de semana por aqui, arrumou umas coisas pra fazer com as amigas de infância. Assim que possível estaremos voltando pra casa, por isso cuidado nesse fim de semana em casa.
- Tudo bem, boa noite pai!
- Boa noite meu filho, aproveita e cuidado ai viu?
Desligou exatamente na hora que estacionei o carro. Meu pai sempre foi o melhor pai do mundo (menos nas horas que eu achava que ele era o pior). Se bem que não tinha tanta coisa a reclamar. Ele quase nunca estava em casa mesmo! Sempre trabalhando, trabalhando e trabalhando...
Entrando na casa de show com um sorriso estampado de orelha a orelha, esperando encontrar a tão esperada garota que tinha me feito tão bem noite passada. Me senti procurando a mais bela estrela na imensidão que é o universo. Apenas sabia de que ela era real e que se realmente quisesse encontra-la, teria de ser assim, repetindo meus passos anteriores e ver onde tudo isso iria dar. Ao mesmo tempo que a esperança de que iria a encontrar era enorme, algo dentro de mim dizia também que não iria encontra-la... Preferi deixar esse meu lado pessimista de lado para poder pensar no que me importava no momento: Ela!
- Renan meu querido, mesa pra quantos hoje? - Perguntou o garçom me olhando com uma cara diferente da de costume
- Hoje só pra mim! Tava precisando de um tempo sozinho. - Respondi da forna mais rápida possível
- Nossa, então tá certo. - Disse enquanto puxava uma cadeira para que me sentasse perto ao bar.
- Encontrou a garota que pedi meu amigo? - Perguntei enquanto me sentava...
- Até agora ela não chegou, mas eu acho que venha sim! Inclusive, os amigos dela estão logo ali do lado, se quiser posso cham...
- NÃO PRECISA - Cortei rápido - Eu vou ficar bem, nem se preocupe... Se precisar de alguma coisa eu chamo, valeu a atenção. - Disse enquanto pensava o que teria acontecido se ele tivesse chamado os amigos da garota pra mesa que eu estava.
Enquanto estava sentado, parei para olhar os amigos da procurada. Não que queria julga-los, mas algo ali não me entrava muito bem ao ver aquela cena: Parecia que Um deles, um garoto alto e moreno, aparentava ser um pouco mais velho que eu, fazendo um cigarro e dando uma tragada fenomenal, se mostrava na roda de amigos, todos riam e pareciam gostar do que estava acontecendo por ali... Ainda pensei em chegar ali perto, mas sozinho não iria dar muito certo. O melhor que fiz foi fingir que não tinha visto nada daquilo, voltei a "aproveitar" a festa procurando a garota.
A noite passou voando. E aquela história de que "a noite é uma criança"? Onde se encaixa? Porque nunca vi um dia amanhecer tão rápido. Como prometido, voltei cedo para casa. 5H da manhã e eu tinha acabado de trancar a porta de casa por dentro. Tomei meu banho e me deitei de barriga pra cima para pensar um pouco na vida, saber até onde as coisas faziam sentido até ali. Claro, acabei pegando no sono e esqueci completamente de fazer qualquer outra coisa que tinha planejado. Entrei praticamente em modo "hibernar" dormindo por 12 horas... Acordei assustado e morto de cansado com meu telefone pulando da minha cômoda que ficava do lado esquerdo da cama.
- Alô? - Falei usando todas as forças que tinha conseguido juntar depois de "acordar"
- MEU DEUS, ELE ESTÁ VIVO. AINDA BEM. PORQUE NÃO FALOU NADA SEM IDIOTA, DEIXA A AMIGA PREOCUPADA NÃO É NADA BOM, NADA BOM MESMO. - Respondeu Camila "delicadamente"
- Pra quê tudo isso? - Perguntei enquanto ainda coçava os olho com a outra mão
- Pra quê? Você primeiro nos deixa na mão, sai por ai sem dar notícia e ainda acha ruim porque não deu notícia? Acha bonito isso?
- Pensei que tivesse falando com Camila, não com a minha mãe
- Deixa disso garoto, apenas não faz mais isso, eu realmente tinha ficado preocupada. Do nada sumir assim... Me lembra logo da última vez que isso aconteceu onde foi dar
- Camila, aquilo não vai voltar a acontecer. Eu já disse pra não se preocupar... A festa foi mais longa ontem, só estava descansando um pouco
- Festa, que festa?
- Eu fui ontem pra "POP" pra ver se encontrava a garota.
- É isso mesmo, eu to vendo que vou ser colocada de lado de novo...
- Não chega a tanto! Na verdade nunca chegou.
- Porque não chamou seus amigos para ir com você?
- Não podia ter ido sozinho?
- Pode, além do mais é livre pra fazer o que bem entender não é?
- Camila, eu tava dormindo e me acordou pra isso?
- Não, na verdade não pra isso... Sem querer me meter mais ainda nessa sua vida tão agitada de noitadas por ai a fora sem os amigos, porque brigou com Felipe?
- Não briguei com ninguém, apenas não quis muita conversa.
- Não foi bem assim e eu sei disso. Passei a noite ontem reunida com o resto do nosso grupo e ele contou o que aconteceu.
- Então porque veio me perguntar?
- Pra saber o que se passa nessa sua cabeça as vezes. Não entendo como uma pessoa pode ser a melhor e a pior pessoa do mundo ao mesmo tempo. Tudo isso por causa de alguém que nem conhece.
- Já arriscou alguma vez?
- Como assim? - Perguntou Camila depois de parar pra pensar na minha pergunta;
- Arriscar no sentido de esperar mais de alguém do que a gente acha que ela tenha a oferecer? Já tentou correr atrás de alguém assim? Por causa de uma noite? Sabe como eu estava uma semana antes, e hoje estou bem melhor por causa dela, vou atrás dela.
- Renan, pelo jeito que tá falando parece que não me conhece. Sabe que fiz isso por você várias vezes, então não venha se achando o dono da razão simplesmente porque achou alguém pra tapar uma lacuna que sua ex-namorada deixou, converse comigo normalmente.
- Camila, eu tenho mais o que fazer, não vou ficar aqui batendo boca com você não, até porque não vale a pena de forma nenhuma. Por isso eu tô indo, mais alguma coisa a dizer antes que eu desligue?
- Sabe seu problema qual é garoto? Não sabe escultar uma verdade. Ficar se fazendo de culpado e se afastar de seus amigos não vai lhe ajudar, até porque quando leva uma porrada muito forte da vida, somos os primeiros a lhe procurar para tentar ajudar, por isso, não faça isso.
- Até Camila. - Disse desligando o telefone.
Na minha cabeça isso não fazia nenhum sentido. Porque será que eles falavam tanto? Será que dói tanto assim fazer o que bem se entende?
O tempo passou... Acho que tenham passado uns dois meses na minha rotina de ir todo "santo fim de semana" para casa de show atrás daquela que havia me roubado... Mas aquele meu lado que dizia que não iria a encontrar começou a gritar bem mais alto dentro de mim... Nessas minhas idas e vindas, conheci outras garotas, mas eu acho que nenhuma delas me fez me sentir tão bem quanto aquela... Incrível, quase dois meses se passaram e eu ainda não havia descoberto nada sobre ela, o nome, de onde ela... Foi ai que comecei a duvidar se ela na verdade existia.... Minha vontade de encontra-la só fazia diminuir cada vez mais e eu acabava caindo naquela de "melhor deixar pra lá". Meus amigos? Ainda brigados... Uma vez ou outra ainda falava com Vinícius ou com a Vanessa, eles que acabavam me mandando notícias dos outros e principalmente novidades sobre Felipe e Camila. As vezes eu ficava sem dormir pensando em ligar para pedir desculpas, a cabeça pesava mais do que o de costume e tinha de ficar rolando na minha cama vendo o sol chegando e eu sem conseguir dormir, mas acabei deixando isso pra lá... Em uma belo sábado desses da vida, eu estava deitado e sozinho em casa (pra variar um pouco). Meus pais tinham viajado com minha avó para fazer compras e eu decidi sair de casa. Para variar um pouco, acabei indo para um "barzinho" que tem uma música ao vivo, pequeno mas bem aconchegante. Era melhor estar ali do que só em casa. Pensei em ligar para o pessoal, mas com medo da reação que teriam, achei melhor nem ligar. Como não gostava de beber, acabei pegando uma água com gás mesmo e olhando o movimento enquanto olhava o pessoal entrando...
Foi nesse momento que eu comecei a viajar um pouco, comecei a pensar além do normal, tentando imaginar o que teria acontecido se eu tivesse realmente encontrado os dois números que faltavam e ligado para aquela garota. Fazia tempo que não pensava nela, mas ela me veio a cabeça. Não sei se o fato de uma garota muito parecida entrar na hora que eu ia pedir a conta ajudou, mas foi bem isso. Quando me toquei, era ela. Linda como da última vez que nos encontramos (ou como da primeira vez que nos encontramos). O barzinho estava incrivelmente lotado, e ela aparentava estar sozinha procurando algum lugar para se sentar. Deixei toda minha vergonha de lado, respirei bem fundo, me levantei deixando meu celular marcando a mesa que eu estava e fui em sua direção com uma certa confiança.
- Finalmente eu te achei! - Disse enquanto colocava a mão no seu ombro esperando que ela se virasse...
- Mas olha só, quanto tempo né? - Me respondeu a garota sorridente daquela noite...
- Eu já tinha começado a pensar que nem existia mais - Disse morrendo de rir.
- Como assim? - Me perguntou me olhando nos olhos
- Vamos nos sentar e eu explico - Respondi enquanto colocava meu braço sobre seu pescoço para poder guia-la até a mesa que tinha escolhido...
~ UMA CANTADA QUALQUER ~
CAPÍTULO 1 - FINAL
- ACORDEI ! - Saí gritando de dentro do meu quarto para saber se tinha alguém em casa. - Alguém por ai? Oi? - Enquanto descia as escadas em direção a cozinha.
Entrando na cozinha, vejo o bilhete da minha mãe, dizendo que teve que fazer compras e depois iria resolver umas coisas na cidade vizinha, ou seja, iria passar o dia fora...
Devidamente sentado no banquinho da cozinha que ficava a baixo da mesinha, coloquei meu café naquela típica animação de quem realmente tinha acabado de acordar, ainda bocejando bastante e ligando os pontos, sentindo falta de alguma coisa...
- Meu Deus, cadê o papel que ela me deu ontem? - Despertei e saí correndo da cozinha até meu quarto para ver se ainda conseguia achar alguma coisa - Eu dormi com ele já pra não perder e consegui perder? Aiaiai... Eu tenho que dormir com menos cobertores. - Disse realmente frustrado tentando procurar o pequeno papel.
Sem entender muito bem como, perdi o bendito papel... Passei praticamente a manhã inteira procurando , e nada de achar. Sem aceitar muito bem o fato de ter perdido algo que dormi na mão, comecei a ligar para todos das noite passada pra saber o que acharam da festa e saber se tinha alguma notícia nova, bom, ao menos eu tentei fazer isso... Ainda estavam todos dormindo para minha felicidade... Só que uma pessoa não escapou que foi a Camila... Eu tinha que conseguir acordar alguém.
- O que foi? - Me perguntou Camila com uma voz sonolenta
- Como assim o que foi? Animação, o dia é lindo, a vida é linda, tudo é lindo. - Respondi sorrindo.
- Nossa, sua noite foi tão boa assim?
- Mais do que eu esperava!
- Detalhes?
- Foi o melhor beijo da minha vida!
- Não quero saber do beijo animal - respondeu carinhosamente - Quero saber da noite, porque do nada sumiu! - Completou.
- A sim, desculpa. Eu acho que coisas boas atraem coisas boas... Foi literalmente o que aconteceu. Acho que tomado pelo momento de ver o que Rebecca estava fazendo fui levado aproveitar mais a vida.
- "Reb" quem? Não a conheço. Não gosto dela. Nunca gostei. Hum! - Demonstrando um carinho um tanto especial com minha ex.
- Deixa quieto isso ai, é melhor... Mas voltando ao assunto, aproveitei bastante sim! Olha, eu tava precisando viver uma coisa boa assim.
- É, mas sabe que quem aproveitou foi ela não é?
- Como assim? - Perguntei meio por fora...
- Sim! Claro que sim! Ela que tomou todas as atitudes que eram pra ser suas na verdade. Tá atrasado né? kkkk
- Pelo visto sim, kkk
- Mas enfim, qual o nome dela?
- Então... Ela não quis me dizer...
- Sério? Ihhhhh... O que vai fazer agora?
- Ela me deu o número dela, ao menos parte...
- Como assim parte?
- Ela não me disse qual seriam os dois últimos números... Acho que seria um sinal de que caso queira alguma coisa tenho que procurar número por número.
- Eita, essa é nova pra mim! E porque ainda não fez?
- Bem, ai o problema... Eu dormi com o papelzinho que ela me deu e consegui perde-lo.
- Cara, como consegue ser tão burro? kkkkk - Disse caindo completamente na risada.
- Mas já pensei como fazer, vou voltar lá e saber se alguém a conhece. Não vou parar enquanto não achar, preciso dar ao menos falar com ela de novo...
- E o que está fazendo aqui ainda conversando comigo?
- Verdade! Vou indo que ainda vou me arrumar pra poder ir lá na casa de show; Um beijo pequena.
- Tá, tá... Um beijo pirralho. - Disse animada antes de desligar o telefone.
Acho que estava até um pouco entusiasmado de mais para me encontrar a garota de ontem. Minha curiosidade me devorava por dentro e eu sem saber literalmente o que fazer. De certa forma, as coisas uma hora tinham de melhorar, ao menos um pouco! Dei um pulo do sofá para um banheiro, tomei um banho correndo, troquei de roupa voando e peguei as chaves do carro que estavam em cima de uma bancada do lado da tv da sala.
Já chegando na casa de show, o Felipe me manda uma mensagem perguntando como tinha sido a noite, pensei em responder, mas preferi continuar na minha procura e depois responder essa mensagem.
- Tio? - Gritei da entrada da casa de show esperando uma resposta
- Renan meu garoto - Uma voz me respondeu
A não ser que seja um fantasma, tem gente aqui dentro, já ajuda muito... Por acaso, não era o tio mas um dos garçons que estavam começando a arrumar a bagunça da noite passada porque de noite iria ter festa de novo.
- Oi cara, tudo bem? - Respondi meio por fora pra saber quem era....
- Antônio, o garçom que ajuda você durante a noite...
- Aaa sim, kkk. Agora eu lembrei. Desculpe cara, é o costume de só lhe ver durante a noite.
- Tudo bem, em que posso lhe ajudar? A festa é um pouco mais tarde.
- Acho que possa. - Respondi e contei a história do que aconteceu na noite passada até perder o papel.
- Acho que sei sim quem é. Lembro muito bem do rosto dela, mas o nome, eu não sei lhe dizer, mil desculpas...
- A, entendo...
- Mas caso eu descubra alguma coisa eu lhe digo, posso pedir para que venha hoje de noite para festa, ela costuma vir para festas aqui toda semana.
- PERFEITO! Farei exatamente isso, até mais tarde meu amigo.
- Até!
Saí direto pro carro feito um louco. Um sorriso estampado sem esconder a felicidade da possibilidade de encontrar aquela garota tão misteriosa. Sei lá. As coisas acontecem na hora que tem de acontecer! O que na minha cabeça faz bastante sentido, e na verdade, o que eu tive de aceitar durante esse tempo que fiquei "isolado" de tudo que é conhecido como bom...