CAPÍTULO 2 - Um começo à Dois
Já se sentiu traído pelo destino? Bem, de certa forma, achei que estava sendo naquele exato momento... É como se o tempo se arrastasse mais do que de costume, parece que a noite daquele sábado não chegaria nunca, não aguentava mais nenhum pouco esperar (por mais que as vezes achasse bom esperar, dessa vez estava mais para uma tortura). Tudo me torturava naquele momento, principalmente o fato de procurar por alguém sem ao menos saber seu nome, só sabendo que ela existe e que vou acha-la. Acho que muitos teriam desistido, mas eu vou tentar.
Enquanto eu me arrumava para sair de novo pra minha casa de show preferida (conhecida como P.O.P - Piece Of Paradise - vulgo Pedaço do Paraíso), recebo uma ligação do Felipe;
- Oi Amor - Falei com um tom BEM irônico
- Oi amiga, cadê você hoje no salão pra fazer as unhas? - Respondeu Felipe continuando com a tiração de sarro
- Peguei no sono amiga, nem pude ir - Respondi morrendo de rir... Até porque eu acho que seja isso que amigos fazem, tiram onda um do outro o tempo todo, ou quase todo...
- Tudo bem então - Respondeu morrendo de rir - Mas e ai garoto, como é que está ?
- Nas nuvens eu diria viu? Acho que estou revigorado !
- Quer dizer que aquele beijo sugou tudo de ruim foi? HUUUUUM
- Foi bem isso mesmo meu garoto, kk, bem isso mesmo.
- Nossa, que ótimo então! Mas, e ai? O que pretende fazer agora?
- Eu? Vou procurar minha salvadora da noite passada!
- Sério? - Me indagou Felipe depois de um pequeno silêncio...
- Sim, e porque não iria? Foi tão bom que eu quero mais!
- Bom, pode até ir atrás, mas eu acho que não vá valer a pena agora cara, ao menos eu acho que não... E eu se fosse você, na verdade, nem procuraria algo a mais por ali viu?
- Então sabe o nome dela?
- Renan, esculta bem, não corre atrás dela que não vale a pena, eu tô avisando...
- Felipe, me diz o nome dela.
- Renan é sério, eu não quero você metido em confusão por causa daquela garota, por favor, me entenda qu..
- Felipe, problemas vamos arranjar um com o outro se não me disser o nome dela agora. Por favor, eu só quero um nome, só um.
- Cara, me desculpe, mas não vou lhe dizer. Se depender de mim, não vai saber.
- Entendi, isso na verdade foi inveja não foi? De me ver com ela ontem de noite? Agora faz sentido. Mas não se preocupe, vou atrás dela mesmo assim. Eu sempre soube que tinha inveja de me ver feliz! Sempre! Agora tudo entra na minha cabeça direitinho.
- Renan, olha o que ela tá fazendo com a gente. Você nem a conhece e tá fazendo uma tempestade em copo d'água por causa de um nome?
- Não quero saber Felipe, e por favor, me poupe de qualquer sermão idiota que tenha pra fazer agora. Além do mais, eu tenho coisa muito melhor para estar aqui perdendo meu tempo com um pirralho no telefone, até mais.
Desliguei o telefone com raiva. Se foi certo? Não, é claro que não! Se eu pensei antes de fazer? Não! Mas já tinha feito, e ainda tem o fato de que se ligasse iria piorar ainda mais a minha situação, ainda fiquei uns 10 segundos esperando para ver se ele ligaria para que eu pudesse pedir minhas desculpas pelo que falei, mas já que não ligou, eu decidi ligar outra hora e tentar falar com ele.
Fim de semana para mim! Meus pais tiveram de viajar e ainda não tinham chegado, pelo visto estavam bem ocupados também, por isso eu acho que quando ligava só caia na caixa postal. Preferi me preocupar com isso quando voltasse da minha tão prometida noite! Não avisei a ninguém onde estaria ou porque estaria, apenas fui esperando melhorar minha noite, já que ela havia começado com briga...
- Alô? - Atendi o telefone sem ver quem era, por estar dirijindo e já chegando na POP
- Alô? Isso são modos de se falar com seu pai? - Respondeu de forma seca e direta.
- A, oi Pai. Desculpe a falta de jeito. Eu não tinha visto quem era....
- Hum, bom mesmo que tenha sido por causa disso. Sabe que adoro quando me trata assim
- Tudo sim, passei a tarde em casa hoje para poder deixar ela ao menos não tão bagunçada para mamãe não ter um "troço" quando chegasse em casa... Dei uma saidinha rápida, mas logo cedo eu chego em casa!
- Então tá, deixou tudo fechado direito em casa/
- Ok então... Sabe como é sua mãe né? Ela quer que a gente passe o fim de semana por aqui, arrumou umas coisas pra fazer com as amigas de infância. Assim que possível estaremos voltando pra casa, por isso cuidado nesse fim de semana em casa.
- Tudo bem, boa noite pai!
- Boa noite meu filho, aproveita e cuidado ai viu?
Desligou exatamente na hora que estacionei o carro. Meu pai sempre foi o melhor pai do mundo (menos nas horas que eu achava que ele era o pior). Se bem que não tinha tanta coisa a reclamar. Ele quase nunca estava em casa mesmo! Sempre trabalhando, trabalhando e trabalhando...
Entrando na casa de show com um sorriso estampado de orelha a orelha, esperando encontrar a tão esperada garota que tinha me feito tão bem noite passada. Me senti procurando a mais bela estrela na imensidão que é o universo. Apenas sabia de que ela era real e que se realmente quisesse encontra-la, teria de ser assim, repetindo meus passos anteriores e ver onde tudo isso iria dar. Ao mesmo tempo que a esperança de que iria a encontrar era enorme, algo dentro de mim dizia também que não iria encontra-la... Preferi deixar esse meu lado pessimista de lado para poder pensar no que me importava no momento: Ela!
- Renan meu querido, mesa pra quantos hoje? - Perguntou o garçom me olhando com uma cara diferente da de costume
- Hoje só pra mim! Tava precisando de um tempo sozinho. - Respondi da forna mais rápida possível
- Nossa, então tá certo. - Disse enquanto puxava uma cadeira para que me sentasse perto ao bar.
- Encontrou a garota que pedi meu amigo? - Perguntei enquanto me sentava...
- Até agora ela não chegou, mas eu acho que venha sim! Inclusive, os amigos dela estão logo ali do lado, se quiser posso cham...
- NÃO PRECISA - Cortei rápido - Eu vou ficar bem, nem se preocupe... Se precisar de alguma coisa eu chamo, valeu a atenção. - Disse enquanto pensava o que teria acontecido se ele tivesse chamado os amigos da garota pra mesa que eu estava.
Enquanto estava sentado, parei para olhar os amigos da procurada. Não que queria julga-los, mas algo ali não me entrava muito bem ao ver aquela cena: Parecia que Um deles, um garoto alto e moreno, aparentava ser um pouco mais velho que eu, fazendo um cigarro e dando uma tragada fenomenal, se mostrava na roda de amigos, todos riam e pareciam gostar do que estava acontecendo por ali... Ainda pensei em chegar ali perto, mas sozinho não iria dar muito certo. O melhor que fiz foi fingir que não tinha visto nada daquilo, voltei a "aproveitar" a festa procurando a garota.
A noite passou voando. E aquela história de que "a noite é uma criança"? Onde se encaixa? Porque nunca vi um dia amanhecer tão rápido. Como prometido, voltei cedo para casa. 5H da manhã e eu tinha acabado de trancar a porta de casa por dentro. Tomei meu banho e me deitei de barriga pra cima para pensar um pouco na vida, saber até onde as coisas faziam sentido até ali. Claro, acabei pegando no sono e esqueci completamente de fazer qualquer outra coisa que tinha planejado. Entrei praticamente em modo "hibernar" dormindo por 12 horas... Acordei assustado e morto de cansado com meu telefone pulando da minha cômoda que ficava do lado esquerdo da cama.
- Alô? - Falei usando todas as forças que tinha conseguido juntar depois de "acordar"
- MEU DEUS, ELE ESTÁ VIVO. AINDA BEM. PORQUE NÃO FALOU NADA SEM IDIOTA, DEIXA A AMIGA PREOCUPADA NÃO É NADA BOM, NADA BOM MESMO. - Respondeu Camila "delicadamente"
- Pra quê tudo isso? - Perguntei enquanto ainda coçava os olho com a outra mão
- Pra quê? Você primeiro nos deixa na mão, sai por ai sem dar notícia e ainda acha ruim porque não deu notícia? Acha bonito isso?
- Pensei que tivesse falando com Camila, não com a minha mãe
- Deixa disso garoto, apenas não faz mais isso, eu realmente tinha ficado preocupada. Do nada sumir assim... Me lembra logo da última vez que isso aconteceu onde foi dar
- Camila, aquilo não vai voltar a acontecer. Eu já disse pra não se preocupar... A festa foi mais longa ontem, só estava descansando um pouco
- Eu fui ontem pra "POP" pra ver se encontrava a garota.
- É isso mesmo, eu to vendo que vou ser colocada de lado de novo...
- Não chega a tanto! Na verdade nunca chegou.
- Porque não chamou seus amigos para ir com você?
- Não podia ter ido sozinho?
- Pode, além do mais é livre pra fazer o que bem entender não é?
- Camila, eu tava dormindo e me acordou pra isso?
- Não, na verdade não pra isso... Sem querer me meter mais ainda nessa sua vida tão agitada de noitadas por ai a fora sem os amigos, porque brigou com Felipe?
- Não briguei com ninguém, apenas não quis muita conversa.
- Não foi bem assim e eu sei disso. Passei a noite ontem reunida com o resto do nosso grupo e ele contou o que aconteceu.
- Então porque veio me perguntar?
- Pra saber o que se passa nessa sua cabeça as vezes. Não entendo como uma pessoa pode ser a melhor e a pior pessoa do mundo ao mesmo tempo. Tudo isso por causa de alguém que nem conhece.
- Já arriscou alguma vez?
- Como assim? - Perguntou Camila depois de parar pra pensar na minha pergunta;
- Arriscar no sentido de esperar mais de alguém do que a gente acha que ela tenha a oferecer? Já tentou correr atrás de alguém assim? Por causa de uma noite? Sabe como eu estava uma semana antes, e hoje estou bem melhor por causa dela, vou atrás dela.
- Renan, pelo jeito que tá falando parece que não me conhece. Sabe que fiz isso por você várias vezes, então não venha se achando o dono da razão simplesmente porque achou alguém pra tapar uma lacuna que sua ex-namorada deixou, converse comigo normalmente.
- Camila, eu tenho mais o que fazer, não vou ficar aqui batendo boca com você não, até porque não vale a pena de forma nenhuma. Por isso eu tô indo, mais alguma coisa a dizer antes que eu desligue?
- Sabe seu problema qual é garoto? Não sabe escultar uma verdade. Ficar se fazendo de culpado e se afastar de seus amigos não vai lhe ajudar, até porque quando leva uma porrada muito forte da vida, somos os primeiros a lhe procurar para tentar ajudar, por isso, não faça isso.
- Até Camila. - Disse desligando o telefone.
Na minha cabeça isso não fazia nenhum sentido. Porque será que eles falavam tanto? Será que dói tanto assim fazer o que bem se entende?
O tempo passou... Acho que tenham passado uns dois meses na minha rotina de ir todo "santo fim de semana" para casa de show atrás daquela que havia me roubado... Mas aquele meu lado que dizia que não iria a encontrar começou a gritar bem mais alto dentro de mim... Nessas minhas idas e vindas, conheci outras garotas, mas eu acho que nenhuma delas me fez me sentir tão bem quanto aquela... Incrível, quase dois meses se passaram e eu ainda não havia descoberto nada sobre ela, o nome, de onde ela... Foi ai que comecei a duvidar se ela na verdade existia.... Minha vontade de encontra-la só fazia diminuir cada vez mais e eu acabava caindo naquela de "melhor deixar pra lá". Meus amigos? Ainda brigados... Uma vez ou outra ainda falava com Vinícius ou com a Vanessa, eles que acabavam me mandando notícias dos outros e principalmente novidades sobre Felipe e Camila. As vezes eu ficava sem dormir pensando em ligar para pedir desculpas, a cabeça pesava mais do que o de costume e tinha de ficar rolando na minha cama vendo o sol chegando e eu sem conseguir dormir, mas acabei deixando isso pra lá... Em uma belo sábado desses da vida, eu estava deitado e sozinho em casa (pra variar um pouco). Meus pais tinham viajado com minha avó para fazer compras e eu decidi sair de casa. Para variar um pouco, acabei indo para um "barzinho" que tem uma música ao vivo, pequeno mas bem aconchegante. Era melhor estar ali do que só em casa. Pensei em ligar para o pessoal, mas com medo da reação que teriam, achei melhor nem ligar. Como não gostava de beber, acabei pegando uma água com gás mesmo e olhando o movimento enquanto olhava o pessoal entrando...
Foi nesse momento que eu comecei a viajar um pouco, comecei a pensar além do normal, tentando imaginar o que teria acontecido se eu tivesse realmente encontrado os dois números que faltavam e ligado para aquela garota. Fazia tempo que não pensava nela, mas ela me veio a cabeça. Não sei se o fato de uma garota muito parecida entrar na hora que eu ia pedir a conta ajudou, mas foi bem isso. Quando me toquei, era ela. Linda como da última vez que nos encontramos (ou como da primeira vez que nos encontramos). O barzinho estava incrivelmente lotado, e ela aparentava estar sozinha procurando algum lugar para se sentar. Deixei toda minha vergonha de lado, respirei bem fundo, me levantei deixando meu celular marcando a mesa que eu estava e fui em sua direção com uma certa confiança.
- Finalmente eu te achei! - Disse enquanto colocava a mão no seu ombro esperando que ela se virasse...
- Mas olha só, quanto tempo né? - Me respondeu a garota sorridente daquela noite...
- Eu já tinha começado a pensar que nem existia mais - Disse morrendo de rir.
- Como assim? - Me perguntou me olhando nos olhos
- Vamos nos sentar e eu explico - Respondi enquanto colocava meu braço sobre seu pescoço para poder guia-la até a mesa que tinha escolhido...