Não entendia por que ela estava fazendo isso. Durante toda sua vida, querendo ou não, havia crescido cercado com egoismo, com individualismo, com o pensamento de que se não fizesse por si mesmo, jamais ninguém iria fazer. Ele precisava ser grande, ele precisava fazer por onde, ele precisava se salvar. Não podia depender de mãe, de pai, de amigos, de ajuda, de nada. Ele sempre estivera sozinho, afinal, e as coisas continuavam dessa forma. Era estranho para ele, então, alguém se mostrar interessado em ajuda-lo simplesmente porque sim. Não se conheciam, ela não devia anda a ele. Na verdade, era tarde da noite e não tinha qualquer motivo para ela estar gastando seu tempo com ele. Mas estava. Estava insistindo em ir sozinha para a casa dele, o que apenas deixava o homem ainda mais confuso. Estava buscando alguma coisa? Iria lhe assaltar? O que diabos era aquilo? Ele não tinha certeza se podia confiar nas intenções dela, mas sinceramente? Naquele momento não era como se tivesse muitas opções. Só precisava torcer para que seu pai bêbado não estivesse em casa, para ele nãot er mais uma coisa para esconder da mulher. “Um maluco no pedaço com certeza merece reprises. Vai lá, aproveite. Eu aguento” ele murmurou, em uma última tentativa de convencê-la a se afastar e deixar que ele se virasse - mas é claro que ela não aceitaria. A mulher estava fazendo muita força para ajuda-lo a se manter de pé, e Nathaniel não sabia como, já que ela parecia muito magra e fraca. Passar a escada da casa antiquada foi a parte mais difícil, sem dúvidas, já que o corpo parecia latejar a cada movimento indesajado, a cada vez que movia um músculo novo. “Já está bom aqui, obrigado, você não precisa entrar” ele murmurou, torcendo para que dessa vez ela aceitasse. Recostado no pilar, ele apertou os olhos ao sentir a dor nas costelas em um pico - não sabia se ardia, se queimava ou se era apenas como se ainda estivesse sendo socado de novo e de novo. Mais uma vez, a mulher não quis deixa-lo, de forma que Nate passou a apenas a aceitar. Aceitou a ajuda até o sofá, onde praticamente desabou. Soltou um grunhido de dor e foi abrindo com dificuldade o casaco de zíper. Expôs a camiseta debaixo, mas ao levanta-la, com certa dificuldade, mostrou os roxos e pequenas feridas abertas nas costelas e na lateral do abdômen. Tirou o capuz da cabeça, e o rosto já deixava muito claro o nariz provavelmente quebrado e o olho e boca roxos. “Com a mão” ele respondeu ao como haviam o machucado. Levantou devagar o braço, e apontou com o indicador fraco um balcão do outro lado da sala “Ali tem uma maleta, mas… Eu posso fazer isso. É sério, eu… Só preciso dormir. Amanhã estarei bem. E a não ser que você vá dormir comigo, não vai dar pra dormir enquanto você estiver aqui” a fala saiu arrastada, e em tom de piada - apesar de ser invadida por gemidos de dor - deixando claro que era apenas uam forma de convence-la a ir embora. Mas aparentemente aquilo não iria rolar.
A sua falta de receio ao ultrapassar certos limites não apenas vinha da personalidade atrevida da vampira, mas da própria profissão que ela havia exercido por tanto tempo (e, de algum modo, continuava). Porque como enfermeira, muitas vezes ela precisava ignorar os pedidos de seus pacientes. Imagine se deixasse de ajudar alguém que havia se machucado ao ir no banheiro, apenas porque a pessoa estava envergonhada? Ou de curar algum ferimento que exigia qualquer exposição para o qual o paciente estivesse pouco preparado. Não, tinha sido treinada para fazer o que fosse preciso com um único objetivo: ajudar. Assim, não importava o quanto o rapaz pedisse que ela fosse embora, que o largasse ali, ela continuaria com os seus objetivos. Arqueou as sobrancelhas quando ele explicou que aquilo tudo havia acontecido apenas através de golpes. “Tentaram te matar?” Ela perguntou, muito mais como uma reclamação que uma indagação de fato. A enfermeira buscou pela maleta mencionada, mas acabou soltando um riso com a fala alheia. Mais especificamente, pela insistência descabida. “Dá pra ver que você é teimoso, mas acredite, eu sou muito mais. Por que não fica quietinho e poupa os esforços?” Sugeriu, antes de se levantar e ir atrás da maleta com o kit de primeiros socorros. À partir dali, Roxanne passou a fazer tudo com agilidade que demonstrava o quanto dominava tais conhecimentos. Colocou água para ferver enquanto lidava com alguns primeiros ferimentos, trazendo consigo uma bebida (vodka, limão, hortelã e pimenta) que afirmou ser algo que o ajudaria a diminuir a dor. "Você vai me desculpar.” Roxy murmurou, antes de rasgar a camiseta alheia para que não precisasse mover demais o corpo do loiro. O abdomen roxo indicava que provavelmente haviam costelas quebradas ali, além do nariz torto. Como poderia ajudá-lo sem que os poderes gerassem algum estranhamento? Ofereceu a ele uma almofada. “Aperte isso aqui se sentir muita dor” Pediu, pois se preparava para melhorar as condições do nariz do rapaz. Com as mãos na posição certa, pressionou força para que os ossos voltassem ao lugar, utilizando-se do poder ao fazê-lo para que a recuperação daquele pedaço fosse mais rápida que o normal. “Só deslocou” Mentiu, para que justificasse o alívio que ele sentiria, bem como a boa situação do membro nas próximas poucas horas. Limpou o excesso de sangue dali, fazendo um esforço tremendo para não curar os ferimentos superficiais de sua boca e seus olhos --- sabia que o tempo e um pouco de gelo poderiam dar conta daquilo. E foi isso que trouxe da cozinha, então: um pano envolto em gelo, e uma pasta que havia feito com a água quente. “Segure isso nos olhos, para desinchar. E isso aqui, é uma receita de família.” Explicou, passando com cuidado a pasta no local mais sensível de seu abdomen. O que era aquilo? Uma mistura de chá de camomila com alguns ingredientes que tinha localizado na cozinha dele como ervas, geleia de laranja e um pouco de gelatina incolor. O que fazia? Nada. Mas as mãos que espalhavam o tal creme milagroso agora reparavam os ossos da costela fraturada, e logo Roxanne passava alguns esparadrapos em torno do torso alheio como que para esperar a pomada caseira fazer efeito. Ainda haviam diversos machucados espalhados; alguns hematomas, cortes, inchaços. Aqueles, porém, ela deixaria que se curassem sozinhos. Se estivesse certa, ele já estaria sentindo muito menos dor com o alívio dos ossos quebrados. “Como está se sentindo? Olha, eu só vou terminar de limpar os cortes e já te deixo em paz.”
@nathanielduke






