Seus olhos se encontraram. Os de Nate, assustados, os de Ludo, culpados. Numa espécie de consentimento silencioso, os dois saíram para a varanda. A noite estava fresca e estrelada. Nate se apoiou na beirada, e Ludo veio logo atrás. — Ei — suspirou ele, colocando a mão no ombro do outro. Ficaram em silêncio. Os olhos de Nate estavam semicerrados. Ludo não se afastou. — Eu preciso te contar — disse — Eu gosto de meninos e meninas. Nate riu. Àquela altura, era uma afirmação óbvia. Afinal, Nate acabara de vê-lo abraçado num canto escuro com outro rapaz. — Eu não sei o que você pensa disso. Mas é o tipo de coisa que a gente não pode mudar e... Ok, eu flertei um pouco com você, mas... Eu faço isso. E não sei o que mais dizer pra que você não me odeie. Ele sentou no parapeito, de costas para o jardim. Nate ainda levou alguns segundos para responder. — Eu não te odeio. Eu estou assustado. — Desculpa, cara, eu realmente não queria... — Não — ele olhou nos olhos de Ludo pela primeira vez naquela discussão — Eu estou assustado porque EU queria te beijar. E eu não sabia o que sentir, porque eu já namorei uma menina e definitivamente gostava dela. As bochechas de Nate estavam vermelhas. Ele esperava poder culpa a brisa. Dizer que ele gostaria de beijar Ludo podia ter sido um pouco demais. Pelo menos ele não mencionara as fantasias envolvendo sorvete ou — Deus proteja — o sofá da sala da lareira. — Eu sei o que você está sentindo — falou Ludo, com gentileza na voz — Eu entendo o medo de ser rejeitado, a confusão... Você precisa acreditar em você, e nunca acredite no que as pessoas falarem. Não é uma fase, não é vontade de chamar atenção. Eu vou estar aqui sempre que precisar. — Obrigado — Nate conseguiu sorrir. Ludo sorriu de volta e encostou os joelhos em Nate. — Já beijou um cara? — Já. Numa festa. Estávamos brincando, eu achei que fosse algo do momento. Ludo ergueu a mão para o rosto de Nate. Seus dedos se emaranharam no cabelo castanho. Naquela noite, eles pararam por ali, mas algumas semanas mais tarde, repetiram o mesmo gesto e Ludo perguntou: — Quer tentar? Não foi necessária uma resposta. O primeiro beijo dos dois foi lento e até um bocado tímido. Precisaram de mais alguns para adquirir prática. Nate segurou Ludo pela cintura enquanto ele gostava de passar a mão pelo cabelo. Dizia que o acalmava. E se era verdade ou não, não importava. No fim, os dois se abraçaram por alguns minutos e dividiram histórias e um cigarro no sofá da sala da lareira, virando a madrugada conversando










