Super follow track Alftraum
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"Nas terras de Tomada, você diz? Daqui a pouco, vamos chamá-la de terras élficas". Os locutores de algum programa otário discutiam no rádio. Apesar de toda inocência infantil, Lacher sabia o que aquilo significava. Na verdade, todo mundo sabia o que significava. No velho mundo, terra élfica era uma terra de seres fantasiosos e inexistentes. Nos tempos atuais, tais palavras passaram a significar terra fantasma ou lugar esquecido e parado no tempo. Por que Lacher sabia daquilo? Porque seu país de nascença se tornara esse tipo de lugar. Nem aparecia nos mapas! No lugar onde deveria ter um pontinho com o nome Doowina, apenas existiam as linhas dividiam três países maiores. Se seu registro não tivesse sido feito na cidade que agora vivia, ela seria dada como inexistente. Por falar em inexistente, outra coisa que não existia eram os dias que ela não podia ouvir as baladas folclóricas de seu irmão. Seu irmão mais velho, Nosbor, nunca serviu para a metalurgia, o maquinário ou as artes bruscas, mas sempre fora um dos melhores músicos pouco conhecidos que a mestiça conhecia. Sempre estava ali, tocando baladas sobre a vida das pessoas do passado, de um continente dourado além do grande oceano, de um bom lugar de repouso para os homens de bom coração e até baladas que contavam sobre os gigantes ancestrais que estavam extintos há milênios. Na verdade, os gigantes haviam surgido no gênesis daquele novo mundo e se extinguido na mesma época e, se não fossem os ossos, ninguém jamais acreditaria em sua existência. Mas, esse dia fora diferente dos normais.
Os dias em que Nosbor não queria cantar as baladas de sempre, costumava falar tudo que ocorria na rua de forma de canção, mas hoje ele estava mudo. Nem mesmo o som do alaúde era ouvido! As carroças passando, o falatório do povo simples, o som do martelo da ferraria do outro lado da rua... Tudo havia sumido. Mesmo que estivesse enfiada em seu trabalho, foi capaz de notar o silêncio! Até seu rádio perdera o sinal! Apenas chiados vinham dele agora! Se não fosse o excelente estado da máquina, a mestiça poderia jurar que precisava consertá-lo, mas não precisava. Desligou-o ao ouvir um forte vento soprar por debaixo da porta de madeira velha e, claro, acabou por gritar quando viu que o dia se tornara noite. Sem nem ao menos pensar, apanhou seu martelo de trabalhos metalúrgicos e saiu. Sua intenção era amassar o crânio do que pudesse estar por trás da porta, mas acabou por quebrar a cara. Não havia nada de especial ali e muito menos havia o mundo que conhecia. Devia ser um evento Alftraum, um evento bastante popular que ocorria ao por do sol. Toda noite o Alftraum, segundo muitas pessoas, pegava alguém e a fazia sonhar acordada por bastante tempo. Pela primeira vez Lacher estava sentindo na pele o que deveria ser um Auftraum, e pela primeira vez se sentia uma impotente por estar sozinha e com um pesado martelo de forja que era pesado demais para ser usado como arma eficiente. Às escuras e aos engasgos, chamou em seu idioma nativo, porém pouco usado: "Sakle? Sakle?!" Eram palavras para confirmar a existência de algo ou alguém, mas nem sempre surtiam efeito. Talvez durante um Auftraum todos falem Lisbardiano, já que nenhum dos outros países próximos acreditam nessa baboseira. "Alguém? Alguém?!"