Capitulo 3.
Natalia Narrando.
Apesar de já ter aprendido a matéria, eu estava bem atenta a aula. Estava. Até um bilhetinho ser colocado na mesa. Olhei para os lados em busca do dono, ali estava, o garoto com o cabelo preto, seus olhos azuis fixos em mim. Ele assentiu com a cabeça. O bilhete era dele. Abri o bilhete cuidadosamente para não fazer barulho.
BEM VINDA NATALIA!!
Sorri para ele. Era melhor eu não me arriscar a escrever nada, pelo menos não no meu primeiro dia. O sinal bateu. Todos saíram da sala, até a Mel! Acho que ela esqueceu que eu sou novata... Saí andando em direção a um corredor, que já estava vazio. Resolvi buscar o meu armário para lá deixar meu material. Estava com os olhos fixos em todos os armários quando eu senti bater em alguma coisa. Levantei meu olhar lentamente e vi que era um garoto... que eu já tinha visto na sala.
- Oi Natalia. - Disse ele com a voz mais sexy do mundo (poisé!).
- Oi... me desculpa, eu não tinha te visto.- Disse com uma voz trêmula
Saí andando e me assustei quando o garoto pulou na minha frente do nada. Dei alguns passos para atrás.
- Você não perguntou meu nome - Ele disse - Mas tudo bem, meu nome é José Carlos, mais conhecido como Cacá.
Sorri e disse:
- Prazer em te conhecer, Cacá. Mas agora eu tenho que ir.
Saí sem direção. Eu não me lembrava onde estava indo. Depois de alguns passos lembrei que ia no armário. Depois de umas trezentas voltas nos corredores achei meu armário. Eu precisava pintá-lo de outra cor, se não, iria acabar o ano e eu ia ter que ficar dando voltas e mais voltas só para achar um armário. Deixei meu material lá e peguei o livro que estava lendo. Eu não estava com fome, e o que queria era somente ficar quieta. Estava passando no corredor vazio, quando uma porta me chamou atenção. Não me perguntem porque. Nem eu sei. Olhei para os lados e decidi empurrar a porta, abri a mesma. Era um porão. O lugar perfeito para ler. Entrei e fechei a porta. No porão, havia um sofá velho, mas espaçoso. Por incrível que pareça, não tinha nada empoeirado, muito ao contrário. Estava tudo limpo. Me sentei no sofá e comecei a ler. Eu já havia lido aquele livro antes, e quando chegou na minha parte favorita, eu resolvi ler em voz alta:
- O destino pode ser cruel, como sua cartomante disse. O amanhã pode não existir, como escrevem os poetas. O mundo pode até acabar, como os cientistas preveem.
Uma voz que mais grossa começou a ecoar no porão:
- Mas nada vai ter força para apagar o meu sentimento. Você pode ir para longe, se esconder, sumir.
Olhei para a escada e lá estava um garoto loiro. Lindo. Perfeito. E por fim falamos juntos:
- Mas eu vou continuar te amando. Para sempre.
Ele terminou de descer as escadas e ficou me olhando. Para quebrar o silêncio vergonhoso que estava, eu sorri, abaixei a cabeça e disse:
- Nossa...
- O que? - Pelo tom de sua voz, percebi que estava sorrindo.
- Eu nunca pensei que um garoto fosse ler um livro como este.
- É, eu me considero diferente.
Olhei para ele assustada.
- Não! - ele quase berrou - Eu não sou gay. Só gosto de ler.
Comecei a rir.
- Posso me sentar com você? Natalia.
Tirei os pés de cima do sofá dando espaço para ele sentar.
- Sente-se...
- Thomas. Mas pode me chamar de Thominhas!
Concordei, e lá ficamos. Conversando e rindo. Sem que ninguém nos atrapalharem.













