Nilda Neves (1961) é nascida no sertão de Botuporã (BA), estudou contabilidade, foi professora de matemática, comerciante e algumas outras profissões para driblar a fome. Foi tentar a vida em São Paulo e virou dona de bar. Os calotes a forçaram ser manicure, o que só fazia a clientela gritar de dor. Nilda conta, gargalhando, que foi colocada para cortar cabelo - “e eu nunca tinha cortado nem cabelo de rato”. Em troca de uma dívida, ganhou três DVDs: dois não funcionaram e o terceiro mostrava um religioso lendo um livro. A situação que a deixou revoltada, também trouxe ideias: “vou escrever o meu próprio livro”. Uma sequências de páginas com histórias, crônicas e pensamentos sobre a vida tomou forma. “Queria publicar, mas não tinha um tostão e não tinha quem fizesse a capa pra mim. Então eu mesma fiz o desenho para a capa e mandei encaderná-lo”, resolvendo o problema. As pessoas gostaram, inclusive da pintura do lado de fora, e a incentivaram no novo ramo. Foi assim que Nilda começou a retratar telas com temáticas referentes à vida no sertão: cangaceiros, animais, paisagens, comidas, profissões e histórias sempre bem humoradas. “Me chamavam de artista plástica, mas eu dizia que não era porque achava que esse termo era pra quem fazia arte com plástico”, conta rindo. “O que as pessoas acham feio, eu acho bem bonito”. Em 2020, tive o prazer de fazer a curadoria da mostra "Tudo o que você me der é seu", na Central Galeria, em São Paulo, e o trabalho de Nilda Neves estava presente. Brilha, Nilda! #novosparanos #nildaneves #artepopular #artepopularbrasileira #botupora #saopaulo #brasil https://www.instagram.com/p/CgkwmjvLFLl/?igshid=NGJjMDIxMWI=















