003 - Everything is (not) allright...
18 dias sem tirar cartas. Podia parecer pouco para algumas pessoas, mas para ele que não deixava nem de fazer o simples e clássico sorteio diário, aquilo era muito. Doloroso até, se fosse falar a verdade. Mas não conseguia. Sua energia no momento focava em outra coisa.
Desde o início de outubro sua cabeça só focava naquela suspeita, a mesma que foi confirmada no dia anterior. Olhava de relance para os papéis largados na mesa da cozinha e suspirava enquanto mergulhava seus dedos nos pelos macios de Sunny. Aquilo e a companhia de Pierre e de Jaehyun eram as únicas coisas que traziam mais leveza pra seus pensamentos.
Ainda assim lá estava ele, absorto com o fato de que poderia ter feito algo muito antes de estar numa situação como aquela. Ele sentia que demorara demais para ir no hospital, procurar ajuda, mesmo tendo plena ciência do que aquelas dores poderiam ser.
Talvez não quisesse rememorar e reviver todo aquele passado de dias no hospital, sem saber o que esperar no dia seguinte.
“Pelo menos conseguimos identificar o tumor cedo. Antes que ele evoluísse para algo pior”, o médico lhe disse, sem saber que foi mais ou menos aquelas palavras que também escutara, quando sua mãe era a paciente. E bem, as coisas não terminaram tão bem assim para ela.
Se tinha uma coisa que ele desejava com todo seu íntimo, naquele instante, era a presença de sua omma ali com ele. Ela iria saber exatamente o que dizer e o que fazer. E mesmo que não soubesse, seu abraço, seu sorriso carinhoso definitivamente fariam seu estômago parar de revirar com a possibilidade de sua vida ter fim tão cedo e tão… de repente.
Parecia ser uma piada até. Logo quando tudo estava indo tão… bem. Quando ele estava no caminho para realizar sonhos que sempre tivera e que se formavam, à medida em que ele conhecia mais Altalune… aquilo acontecia.
E quando Caelum pensava na perspectiva de deixar aqueles que amava… Seu Perrie… Jae… Joonie… Sunny… De fazer eles guardarem aquele mesmo sentimento que tinha até hoje com sua mãe. Aquilo sim, lhe fazia morrer mais por dentro.
Queria permanecer positivo. Fazer como sua mãe e olhar para eles e dar aquele mesmo sorriso tranquilizador que ela sempre lhe dava. Mas estaria mentindo. Afastou-se de tudo e de todos, recolheu-se em seu canto, pois não importa para quem olhasse, sentiria que estaria mentindo, que não estaria sendo sincero.
E teria continuado naquela perspectiva, se não fosse pelo seu terapeuta: “Afastar-se e afastar os outros só vai te colocar num lugar onde você não deveria estar agora. Você precisa daqueles que ama e eles também precisam de você.”
Foi naquelas palavras, então, que pensara, enquanto se arrumara pra sair ao festival naquela noite. Ficar em casa, na cama, só pioraria aquele sentimento ruim. Precisava mudar aquela perspectiva. Precisava… viver. Ao menos enquanto houvesse tempo. E, a partir daquele instante, sabia que faria exatamente aquilo.