In my veins — Mikael & Bazile.
"Because if you are a natural disaster then I have no problem at being drown in it, dragged by it."
Aquelas palavras não saíam de sua cabeça. Incrível como meras sentenças combinadas conseguem desnortear o homem ao ponto de fazê-lo fraco, de todo o mundo ao seu redor perder o significado e ser resumido em duas outras palavras. Mera dupla de nomes próprios, que no exato momento poderiam definir tudo que tinha relevância na mente do jovem slytherin: Bazile Nott. Dois nomes. Uma combinação que três meses atrás o remetia meramente a um potencial traidor do sangue, agora o mantinha refém de circunstanciais arrepios que o marcavam desde a base da coluna até os fios remanescentes da nuca. O mais jovem da tradicional família Nott tornava-se a cada dia mais importante em seu cotidiano, de uma forma que tornava-se extremamente complicado discernir a maldição dos sentimentos reais atravessando seu sistema sanguíneo, borbulhando por seu corpo, implorando para o ter mais perto. Sempre mais perto. Como naquele singular instante, onde o convite para tomá-lo ultrapassava as barreiras do óbvio, onde suas íris azuladas conseguiam capturar nada além dos lábios tingidos por uma tonalidade estupidamente rósea, como se prontos para serem beijados a qualquer segundo.
Como se fossem a fórmula perfeita para cessar o leve tremor em seus dedos, tão sôfregos pelo rapaz em sua frente. Mulciber teve apenas uma fração de segundos para engolir em seco, pesando as pálpebras numa oração silenciosa, pedindo perdão a si mesmo por mandar a consciência para o inferno e encerrar toda distância existente entre ambos. Seus dedos foram ágeis quando envolveram a gravata simbolizando a alfaiataria de Ravenclaw, e fez do acessório seu recurso para diminuir a diferença de alturas, pois ao forçar o tecido contra o pescoço do garoto acabou por trazê-lo ao seu alcance.
Não pode comensurar nenhuma das incertezas perambulando por todo seu ser, arrastando sua alma para o limbo quando decidiu tomar a iniciativa de encerrar aquela discussão através do toque. Contudo, também não esteve preparado para ser arrancado de todos os seus problemas pelo mero roçar dos lábios. Teve de manter os olhos fechados, pelo medo de que quando os abrisse a sensação de frenesi fosse levada embora, e novamente se fez de tolo por julgar o sentimento algo tão simplório. Pois quando a urgência o fez pressionar a maciez da boca alheia, percebeu que o desejava ao ponto de doer. Que todos os seus músculos enrijeciam pedindo por mais, e foi por mais que lutou ao finalmente entreabrir as pálpebras e forçar passagem da língua, iniciando um beijo que não poderia ser classificado como nada diferente da ânsia por devorá-lo.
Queria o Ravenclaw por inteiro, em seus braços, acabado. O desejava como nunca fizera a pessoa alguma, e nesse ponto não suportava a dúvida de saber se era por conta da maldição ou escolha própria. Decidiu então calar a mente através do encaixe dos quadris, enquanto os dedos foram de encontro aos fios dourados, intercalando os dígitos com uma quantidade significativa de mechas que eram vigorosamente repuxadas conforme prosseguiu a morder, marcar, subjugar os lábios do mais inocente de acordo com a sua música. Quando deu por si, a mão que o prendia pela gravata agora mantinha-se ocupada com o dedilhar do torso esbelto, as unhas acarinhando por cima do tecido, antecipando a pele que o fazia entrar em combustão.
Um mero beijo não tinha o direito de o fazer sentir como se pudesse subjugar o mundo inteiro. Uma só pessoa não tinha o menor direito de fazê-lo esquecer de tudo, de o desafiar como jamais fizeram, de torcer todos seus sonhos em frágeis partes e escondê-los por trás do sorriso quase angelical que ele sustentava todos os dias, lutando contra o péssimo humor do Slytherin. E somente quando os pulmões explodiram, queimando dentre o apelo por mais oxigênio, onde apartou os lábios para encarcerar o inferior correspondente entre suas arcadas, totalmente irredutível quanto a deixá-lo se afastar. “This is me trying to let you get closer, don’t lose your chance.” O murmúrio feito no calor dos lábios e na captura do hálito morno soou em tons de confissão.
“I want you so bad… I need to have you. This… Whatever it is… I don’t care, I just need to tear you apart. I want you loose, fragile, exposed. I want you to be mine, boy. And no matter how much you fight against it, you’ll be.” E nesse ponto deixou as unhas resvalarem na tez exposta do pescoço alheio, cada mísera palavra ganhando um timbre rouco, beirando o desespero, pincelado por autoritarismo. O queria ao ponto de abandonar as reservas e fazer de suas palavras toda sua verdade.








