tres chic, parisienne ♥
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tres chic, parisienne ♥
Costa bizkaia #sanjuandegaztelugatxe #bizkaia #atardecer #sunset #sonyA100 #minoltaXI80200mm #nov2007 10 años de fotografia digital (en Gaztelugatxe)
Misty mountains #bizkaia #balcondebizkaia #mountains #mist #bruma #montañas #sonyA100 #nov2007 (en Balcon De Bizkaia)
Prince Harry attends a ceremony celebrating The Queen and Duke Of Edinburgh 60th Diamond Wedding anniversary at Westminster Abbey in London, England | November 19, 2007
bus stop.
"senhoras e senhores passageiro, desculpe tá interrompendo o descanso da sua viagem, mas eu trago aqui o novo chocolate da nestrê, o verdadeiro passatempo da sua viagem, e o passatempo das suas criança em casa. é um delicioso chocolate, né, senhores, com cobertura de chocolate ao leite e o delicioso recheio crocrante de caramelo. lá fora nas padoca os senhores vai pagar um real por cada chocolate, aqui na mão leva três por um real, mais uma sacolinha de prástico para carregar o lanche, aceito também o seu vale transporte. àqueles que puder ajudar, eu agradeço. e àqueles que não puder, eu agradeço da mesma maneira. e aí, senhores, mais alguém vai querer chocolate? mais alguéééém?”
não sinto falta dos vendilhões, mas minha alma proletária sente falta de coletivos.
e de comprar aquela bananada, mais vermelha que sangue arterial e mais dura que paralepípedo, para roer durante os muitos minutos que separam o subúrbio da civilização, vendo a vida (e os botecos, e os traficantes, e as tchuchucas de shortinho, e as tias sentadas na calçada, e os cachorros vira latas desfilando a sarna, e os moleques soltando pipa e os fiat 147 estacionados na porta do salão do reino das testemunhas de jeová) passar pela janela do ônibus.
eu quero agora: DADINHO DIZIOLI, o maior "adubo de lombrigas" da minha infância.
e aquelas pipocas vagabundas que vêm dentro do saquinho de prástico rosa pink (so very fashion) e só vêm em dois sabores: doce ou amargo. e a gente nunca sabe qual é até comer a primeira. cada pipoca é uma surpresa. aiquesaudades da minha infância suburbana.
Outono.
há pessoas que nos fazem mal e nós não sabemos por quê. nem elas sabem. e, por não existir motivos, não existem culpados. um nó, esse tipo de situação.
paris no fim de semana. não estou animada porque não estou bem, o que é um desperdício. vou ali terminar o meu livro.
meu mundo caiu.
voltei de paris na segunda.
devia ter chegado em casa no domingo, mas conseguimos a proeza de perder o vôo estando calmamente sentados a menos de 30 metros do portão de embarque. a única vantagem disso foi ter sido obrigada a passar a noite no sheraton do charles de gaulle, limpar o minibar por conta do cliente do marido e ainda roubar todos os sabonetinhos, creminhos, shampoozinhos, etceterazinhos do banheiro da suíte.
porque a gente pode tirar a garota do terceiro mundo, mas não tira o terceiro mundo da garota. não basta ser pobre - é preciso agir como tal e dar o exemplo.
eu confesso que fui a paris sem tesão. e quando nem mesmo a perspectiva de ir a paris consegue te animar, é sinal claro (em verde, amarelo e vermelho) de que as coisas não vão bem. mas lá chegando, tudo mudou. essa foi a primeira vez que a cidade realmente me encantou. nem mesmo ter ligado do celular para um amigo (agora ex?) a fim de pedir seu endereço (para mandar um postal de La Defense, já que ele detesta prédios velhos e prefere as modernidades que eu desprezo) e dar a ele o prazer de me chamar de metida conseguiu estragar meu dia. simplesmente removi o número em questão da agenda de contatos do celular e entrei na laduree pra comer macaroons.
enfim, depois destes quatro dias, meu ânimo subiu nas alturas e cheguei em hannover na segunda à noite achando que a vida era bela.
em casa toca a redimensionar as 200 fotos no cartão de memória, quando o respectivo chega com a bomba: negaram a entrada da chantilly na inglaterra porque os testes feitos no brasil não são válidos. e nem era uma regra clara, porque no site oficial não consta nada a respeito disso nos procedimentos.
ou seja, perdemos quatro meses. eu estava contando, literalmente, as horas para 11 de janeiro chegar. quando teriam se completado seis meses desde que levamos a chantilly no veterinário e ele nos entregou o pet passport, e então poderíamos, eu e ela, voltar para casa. eu simplesmente não aguento mais ficar aqui.
enfim. balde de água fria é pouco. imagine abrirem um buraco no meio de um lago congelado da lapônia e jogarem uma pessoa lá dentro. pois é, essa pessoa sou eu, right now.
não é justo. e eu desejo todas as pestes do mundo para a Grã Bretanha e suas leis imbecis, que escancaram fronteiras para criminosos, terroristas e vagabundos e vetam a entrada de uma gata imunizada e testada só porque o teste não saiu da europa. fuck them.
Pére Lachaise
o cemitério de père lachaise é o maior de paris e uma espécie de "beverly hills do além". na entrada você fatalmente vai atropelar uma mocinha ou bêbado vendendo mapas do cemitério e uma lida rápida vai te deixar com dor de cabeça ao seguir com os olhos tantos números microscópicos e boquiaberto com a quantidade de ilustres "plantados" no local.
brompton, em londres, é muito mais interessante do ponto de vista arquitetônico (e tem mais anjinhos, yay!), porém bem mais modesto quanto ao número de celebrities. fui ao père lachaise porque gosto de cemitérios, não exatamente para fazer "dead spotting" - mas é difícil segurar o impulso de sair catando tumbas famosas como as de jim morrison, balzac, maria callas, edith piaf, isadora duncan, bizet, delacroix, proust, chopin, allan kardec, sarah bernhardt e oscar wilde, sem mencionar vários monumentos erigidos às vítimas dos campos de concentração nazistas.
queria ter achado a tumba do victor noir, um jornalista parisiense que comprou briga com cachorro grande e acabou morto, às vésperas de seu casamento, por pierre bonaparte (sobrinho do napoleão). a sepultura traz uma estátua do morto em tamanho natural, como se caído no chão depois do tiro, com uma interessante protuberância sob as calças. reza a lenda que beijar os lábios da estátua, deixar flores em seu chapéu e, principalmente dar uma "esfregadinha" no instrumento do victor garante fertilidade, sorte no amor, uma vida sexual satisfatória e até um marido. não foi à toa que a mulherada passou a fazer romaria e esfregaram tanto o bilau da estátua a ponto de deixá-lo gasto. pobre victor - aposto que o pingolim dele não viu tanto movimento assim enquanto ele estava vivo; ironias do destino.
depois de levar o boy para ver a sepultura de ettore bugatti (esse espaço na frente parece uma "vaga" - certeza que dá pra estacionar um bugatti ali), fomos procurar a do wilde. até bonita, mas como foi construída em 1922 é meio "moderninha" e sem muito a ver com o velho oscar, na minha opinião.
mas quer saber o que é vergonha alheia? vou te contar:
porque erro de grafia/gramatical é uma coisa completamente aceitável. mas erro de grafia na tumba do OSCAR WILDE, escrito com BATOM, em letras GARRAFAIS e ainda se declarar brasileiro NÃO, sabe. :)
depois de mais de duas horas de caminhada e subida de ladeiras e escadarias, precisávamos repor as energias. encontramos um pequeno restaurante chamado renaissance (bastante apropriado) na primeira esquina à direita da entrada do cemitério. o lugar é todo decorado com memorabillia do jim morrison* (até o faxineiro se parece com ele e tem cara de roadie de banda de rock dos anos 70) e conta com um dos menus entrada + prato/prato + sobremesa mais barato que vimos em paris: oito euros. a cerveja também é em conta (depois de ter pago seis euros numa cerva pequena no metidíssimo a besta le deux magots, foi um alívio pagar 3 euros por meio litro de gelada. :)
* em certa ocasião, jim morrison passou várias horas visitando o cemitério de père lachaise acompanhado de um amigo, e disse que gostaria de ser enterrado ali. seu desejo se tornou realidade no dia 7 de julho de 1971, cerca de uma semana depois dessa visita.