" Era uma vez duas irmãs que saíram para brincar,
Foram ver os navios do pai partirem para velejar...
E quando chegaram à beira do mar
A mais velha correu à mais nova empurrar.
Às vezes a afundar, às vezes a nadar,
Até que enfim, na represa do moleiro, o cadáver veio parar.
E ao esterno dela, que fim ele deu?
Fez uma viola, um instrumento seu.
O que ele fez com os dedos tão pequenos?
Fez tarraxas para a viola, nada menos.
E o osso do nariz dela, que fim levou?
Para a viola, um cavalete ele entalhou.
E com as veias tão azuis, o que ele fez?
Cordas para a viola, dessa vez.
Que fim deu ele aos olhos dela, tão cintilantes?
A viola adornam, brilhantes.
E aquela língua tão áspera, aonde foi parar?
Virou o novo arado e desatou a falar.
Então falou a corda aguda,
Oh, distante está meu pai, o rei.
Então falou das cordas a segunda,
Oh, distante está minha mãe, a rainha.
Então das três cordas o conjunto falou,
Distante está a irmã que me afogou."
-A tecelã








