caco com certeza foi a primeira persona que nasceu em mim, anos atrás, sucedendo a minha primeira morte. aquela que se faz a mais dolorosa, a mais silenciosa e a que eu nunca esqueci. quando tudo de ruim saiu pela primeira vez do coma em que vivi por anos a fio.
e é a partir daí que tudo se torna mais intenso pela primeira vez. e doeu, doeu como nunca tinha doído antes, mas não tanto como virá a doer em um futuro não tão distante. e mal saberá eu que nesse desfecho adiante caco ainda seguirá comigo. só que dessa vez ele parecia mais forte, mais estável e menos volátil. ele enfim assumirá uma aparência de homem vivido, mesmo tendo seus vinte e poucos anos. manteria sua barba por fazer e cabelos grandes realçando os cachos. infelizmente caco seguirá fumando e deteriorando cada vez mais o seu pulmão, prevendo assim a sua morte pregressa. ele não se incomoda e deixa tudo como está, apenas seguindo. voltar a sentir caco tão intensamente reativa memórias, dores e fragmentos de um passado perverso. ah, o nome caco se dá por isso: uma alma em cacos, caótica, moribunda… olhar pra essa persona é um grande reencontro entre o velho e o moço que brigam dentro de mim. de um lado caco pede socorro pra sair, ele está sufocado e não aguenta mais está no fundo do poço. do outro uma parte de mim insiste em seu anulamento e anonimato. caco é a parte mais vulnerável que em mim habita eu simplesmente não posso me tornar tão frágil assim deixando ele escapar pra esse mundo tão cruel. espero que caco sobreviva e germine em sua nova morada externa mesmo estando completamente disfarçado.
bem vindo a esse mundo cruel querido caco, que a morte não te persiga.
caco.















