Sobre ser e ocupar
Chegar em casa.
Que casa? A casa privada. A minha casa pública fica na Av. Loureiro da Silva, nº 255: Câmara Municipal de Vereadores de Porto Alegre. O lugar que presenciou uma ocupAÇÃO pública e popular de oito dias. Não sei se quero entrar no assunto "o que represent(ou)a(rá) esse Ocupa politica e socialmente em Porto Alegre". Acho que as dimensões são bem claras e a MÍDIA ALTERNATIVA fez maravilhosamente bem seu trabalho de cobertura, colocando as informações verdadeiras à disposição de todxs.
Eu quero falar é de mim.
Depois de oito dias convivendo com 400 pessoas num Plenário, quero falar é de mim. Qual o resultado dessa experiência pra mim, enquanto ser humano?
Um ser humano mais pluralizado.
Apesar de integrar-me a manifestos sociais pelo menos desde os 15 anos, nunca tinha feito parte de algo assim. Não me refiro a uma Ocupação, porque já havia presenciado e participado do Ocupa Matriz, em 2011/2012, e do Ocupa Árvores, no início desse ano. Mas tal nível de organizAÇÃO eu nunca tinha visto. Autogestão e união foram as chaves pra abrir a porta da ordem. Todxs comeram; todxs cozinharam ou auxiliaram no processo. Todxs se sentiram seguros; todxs fizeram a segurança uns dos outros. Todxs estavam em um ambiente agradável e limpo; todxs respeitaram e limparam. Se todxs fazem, todxs têm.
Autonomia é a palavra.
É estranho não estar ouvindo centenas de outras vozes noutros tons, conversando simultaneamente. O batuque de algum instrumento, talvez um bumbo ou um tarol, não faz mais parte da paisagem sonora também. O silêncio é um grito que talvez tranquilize, mas é um grito. Só quem ocupa a casa em que estou agora sou eu. É estranho ter como companhia apenas a gata, silenciosa e independente gata. Ninguém está aqui pra discutir alguma polêmica, ninguém está aqui pra puxar uma música, ninguém está aqui pra chamar pra uma assembleia, uma reunião de GT ou uma roda de beck.
Ninguém está aqui: só eu. Sou eu. Mas prefiro ser nós.








