Convite ao óbvio: Venha pedalar!
Constantemente sou abordada sobre minha coragem e loucura de usar a bicicleta para me locomover no trânsito de Natal. Coragem e loucura, porque a coragem quando dizem, é realmente para não dizer logo de cara: Tu és uma louca de pedra!
Como a semana depois de um feriadão se inicia, gostaria de fazer um convite à loucura. A loucura de viver o obviamente normal e banal ato de pegar uma bicicleta e pedalar pela cidade. Assim, como todos compram uma bicicleta para ensinar os filhos e filhas a pedalar. É um dos primeiros presentes de nossa infância. É regra depois de aprendermos a andar, aprendermos a pedalar. Então, para mim, estou a realizar uma ação quase tão natural quanto saber e ter que andar!
O que é extremamente assustador, é sempre, ao sair de casa para pedalar, ouvir que sou uma louca! ???
Para mim, o mais óbvio é eu defender o ato natural de pedalar pelas ruas, e não me privar das ruas fortalecendo essa cultura grotesca do medo.
Acredito que se nadarmos contra a maré, se ocuparmos as ruas, as praças com nosso bom viver, todos os medos serão afastados porque não haverá espaço para ele. Quando somos mais de um, quando somos um coletivo, quando estamos em bando, em grupo nos sentimos mais fortes e mais protegidos. Então, ao invés de nos desestimularmos pelas vozes do medo, e ficarmos isolados dentro de nossas casas cercadas de cerca elétrica, ao invés de ficarmos trancafiados dentro de shoppings, dentro de espaços cada vez mais privatizados e com cada vez menos pluralidade de vivências, menos contato com o mundo, que saiamos às ruas, tendo a certeza que a loucura de viver o normal, a rotina tranquila e banal é possível e que não estarás sós, terás que dizer bom dia para tantos outros que por aí estão.