Tem gente que passa a vida inteira entregando muito e recebendo pouco. Gente que ama com os dois braços estendidos, mas é abraçada com um ombro só. Gente que acredita no amor como se ainda vivesse em um tempo onde promessas eram cumpridas e olhares diziam a verdade.
O problema é que o mundo anda bagunçado. Tem gente que chega bonita, mas desorganiza tudo por dentro. Vem com fala mansa, promessas doces, mas carrega uma bagagem pesada de desinteresse, indecisão e falta de maturidade. E o pior: entrega isso tudo como se fosse afeto.
Cansa, sabe? Cansa tentar fazer dar certo com quem só aparece quando precisa. Com quem só te procura quando falta algo. Com quem se alimenta do seu amor, mas não tem coragem de retribuir. A gente tenta ser ponte, mas tem gente que só quer passagem.
Foi aí que eu entendi: algum dia, receberei amor de sobra, não sobras de amor. Não mais aquilo que sobra depois que a pessoa cuida dos outros, vive seus ciclos, alimenta suas incertezas e só então lembra que você existe.
Eu quero alguém inteiro. Alguém que me olhe como prioridade, não como possibilidade. Alguém que me chame para a vida, não apenas para aliviar a própria solidão. Porque amar não é fazer parte de um rodízio afetivo, onde cada um só serve o que tem vontade de oferecer no momento.
Sabe, eu sou do tipo que repara nos detalhes. Que presta atenção no tom de voz, no brilho dos olhos, no silêncio que fala. E justamente por ser assim, não aceito mais metades. Porque amar pela metade é como nadar no raso e fingir que está se afogando.
Já aceitei muito pouco por medo de perder. Hoje, prefiro perder o pouco do que perder a mim mesmo tentando manter algo que nunca foi tudo. O amor precisa ter profundidade, verdade e reciprocidade. Sem isso, é apego disfarçado de sentimento.
Os dispostos a viver algo incrível merecem se encontrar. E quando dois corações dispostos se cruzam, não há jogo, nem demora, nem dúvida. Só vontade. Só entrega. Só verdade. Porque onde há verdade, não existe espaço para migalhas emocionais.
Quero um amor que me procure sem motivo, que me olhe nos olhos e diga: "fiquei porque quis, não porque precisei". Amor bom é escolha, não carência. É estar, não apenas aparecer.
E se for para viver algo grande, que seja com alguém que me veja como casa, não como ponto de passagem. Que me acolha no caos, celebre minhas vitórias e me escute mesmo quando eu estiver em silêncio.
O amor da minha vida não vai ter medo da minha intensidade. Vai dançar comigo no meio da confusão, vai rir dos meus exageros e entender que, por trás do meu jeito firme, existe um coração que só quer ser visto de verdade.
Porque no fim, não quero ser lembrada por ser alguém que amou demais e foi amada de menos. Quero ser lembrada como quem soube esperar. Como quem entendeu que o amor certo não se implora, se encontra. E quando vier, virá com tudo. Sem sobras. Sem metades. Só com o transbordar.