Do que falamos quando falamos de viagem
“Estamos indo para Paris por cinco dias. O que vocês indicam para gente fazer lá?” Já escutamos várias versões desta mesma pergunta. Cada hora com uma cidade ou região diferente. Neste exemplo foi Paris, mas poderia ser Nova York, Amazônia, Toscana, Buenos Aires, etc. E claro, como adoramos o tema, é o maior prazer pra gente pensar em diversas atividades ou passeios pra indicar mesmo quando não conhecemos o lugar. Até porque como diria a Susan Sontag, “não estive em todos os lugares, mas estão na minha lista”. :)
Faz parte do nosso dia a dia pesquisar sobre viagens mesmo aquelas sem datas para acontecer. Safari no serengeti, bungee jump na Nova Zelândia, andar de búfalo na Ilha de Marajó. Nenhuma delas tem previsão pra acontecer, mas isso não impede a gente de “viajar”, com o trocadilho do verbo, por favor (risos).
Portanto quando nos pedem dicas de viagem, a gente sempre tem na ponta da língua um museu, restaurante ou atração em mente, mas existe um outro lado que é mais difícil explicar e compartilhar. São aqueles mini-momentos pessoais que fazem todo o sentido para o viajante, mas que cada um sente à sua própria maneira.
A antropóloga francesa Françoise Héritier escreveu um belíssimo ensaio sobre isso chamado “O Sal da Vida”. É um livro escrito em prosa, porém sua linguagem aproxima-se muito da poesia. Nele, a autora faz uma longa lista sobre aqueles pequenos prazeres da vida onde se esconde a felicidade.
Momento imortalizado pelo pôr-do-sol da Amazônia.
Quando refletimos sobre viagens passadas, percebemos cada vez mais que estes são verdadeiramente os grandes momentos da viagem. Ouvir o craquelar do gelo defronte ao glaciar. Encontrar inesperadamente um amigo durante uma viagem. Beber água gelada após subir a pé uma montanha. Olhar para o céu estrelado num lugar sem luz elétrica. Ficar de queixo caído de frente a uma obra arte que você nem sabia que existia. Sentir a neve caindo no seu rosto. Imaginar o esforço necessário para a construção de uma represa. Deitar-se numa espreguiçadeira de frente para a praia e simplesmente contemplar o mar. Rir com os amigos num bar durante uma viagem. Abrir as malas no quarto do hotel. Olhar o solo pela janela do avião. Provar uma fruta que não existe no seu país. Aprender uma palavra nova. Admirar as nuvens e suas incríveis formas num céu “diferente”. Perceber as semelhanças da sua cultura com as do seu destino de férias. Ver um pôr-do-sol diferente. Ser iluminado pela luz da lua. Não conseguir conter excitação de estar num lugar novo. Colocar um sorriso no rosto após doze horas batendo perna pelas ruas. Sentar-se na praça e observar os locais. Ser ajudado por um morador local.
“Tia” Claudia brincando com um “niño” em Cusco, no Peru.
Joinha pra neve em Kyoto, no Japão. :)
Enfim, poderíamos continuar infinitamente listando experiências assim. Talvez você se identifique com algumas coisas. Talvez discorde de outras. Afinal, é como falamos aqui, cada um terá seu próprio repertório particular de recordações. Pra nós, o importante é ver a viagem além da viagem, é enxergar a beleza da simplicidade em coisas que cruzam o nosso caminho. É entender que viajar está muito além de comprar um bilhete ou visitar um local turístico. E aí é que pra gente tudo faz sentido.
Já parou para pensar no que você fala quando fala de viagem? ;)
*Os Claudios também escrevem no blog #osclaudiosnomundo, onde contam sobre todas as viagens que já fizeram (e as que vão fazer). Passa lá!














