Somos crus verdes de espírito verdes de intelecto verdes de bondade estamos nus perdidos em um planeta vazio.
Elisa Bartlett

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Somos crus verdes de espírito verdes de intelecto verdes de bondade estamos nus perdidos em um planeta vazio.
Elisa Bartlett
flutuo sobre o nosso eixo de luz, me fundo nos sonhos, adormeço, te desejo no meu amanhecer.
desalinha meu intelecto e diz que eu estou aqui, que eu não fui pra qualquer dimensão tardia, sem nexo, absurda. me destrói, me reconstrói, eu preciso de uma nova composição, outras cores e notas, um abraço querendo ficar, me ajuda a não me perder depois de virar a esquina e sumir de vez.
O preconceito é uma cortina de fumaça da verdade.
Elisa Bartlett
Há um brilho nas extremidades
que não se desfaz, desfaz o sol sobre o mar, desfaz a velocidade das notas cantaroladas sobre o precipício, desfaz o barulho dos cardumes na embarcação, desfaz a lua, as horas e o tempo, mas há algo que fica e que me conduz, me conecta e instiga, é esse brilho nas extremidades que fica, que você deposita em mim e que nunca se desfaz.
Elisa Bartlett
cigarro
corpos feito fios de fumaça se espreguiçando no ar entre as minúsculas partículas flutuantes de luz faróis que destroem as avenidas largas estreitando o traço direto no alvo na lua na superfície prata das mãos que também dançam e se mastigam
o fio neon das extremidades e suas pontas cortantes teus olhos brilhantes que assistem agudos em mim direto no âmago no tango da alma que traçam meus seios estrelares norteiam a ponta dos pés sobre a pele na tua miopia macia enebriante que és só minha és só meu Elisa Bartlett
Conduzo a minha vida nas interseções.
Elisa Bartlett
deficiência literária
a palavra se foi vazou pelo furo da mangueira do gás escorreu pelo ralo da banheira com a espuma escapuliu dos cérebros pelos ouvidos humanos evaporou pelos poros dos trabalhadores dos edifícios despiu-se no papel dos discursos televisivos mascarou-se nas metáforas esquecidas suicidou-se com um tiro no céu da boca enterrou-se para sempre no abismo da alma
eu a perdi agora estou nua, muda tenho apenas minhas mãos para me expressar