{fb nov, 1976} breaking my back just to know her name · tristeult
Scamander era um maldito teimoso e haviam vezes onde curiosidade poderia muito bem tomar o lugar definitivo de seu primeiro nome. Descobrir coisas que antes desconhecia era como uma afronta, como um modo do mundo dar um tapa na cara do neto de Newton e dizer “aqui, olha bem, você não conhece tudo como pensa”, deixando Tristan à mercê de sua infindável sede. Não era como se o ravino acreditasse que detinha o saber sobre o mundo, afinal, ele tinha apenas dezessete anos. Mas quando o mundo do contexto dizia respeito aos estudantes de Hogwarts, e em sobretudo aqueles novos em uma área tão conhecida sua, Tristan gostava de acreditar que detinha os nomes de todos nas mãos. O que explicava seu desconforto enorme em não saber sobre aquela garota em especial.
Desde que pisara no castelo, Scamander estabelecera para si mesmo a tarefa de proporcionar o sentimento de familiaridade aos novos chegados em Hogwarts, um modo de espalhar a mesma sensação de pertencimento que ele sentira quando chegara ali. Era confortável, era seguro, era como um norte no meio de um mar de novas possibilidades. Assim, toda vez que Tristan conhecia um novo rosto -- e sobretudo um novo rosto não familiar e que parecia clamar por um lugar naquela floresta insana que era o colégio, o rapaz vestia sua capa de herói e ia ao encalço daqueles que sequer sabiam precisar de sua ajuda.
De certo modo era uma atitude prepotente, achar que todos precisavam dele tanto assim, mas depois de seis anos em suas missões de resgate, Tristan havia feito bons amigos e, no fim das contas, o que movia suas ações era a vontade de mostrar aos que chegavam como Hogwarts podia, de fato, ser uma segunda casa. Ele, americano e inicialmente leigo àquela cultura, sabia disso mais do que ninguém.
A primeira vez que vira aquela garota fora numa festa de Halloween. Em meio a multidão de rostos conhecidos, os traços delicados se destacaram como o loiro daqueles cabelos. Imediatamente Tristan reconheceu a sensação do desconhecido. Ele não conhecia aquela garota, o que era redundante visto que estavam há apenas um mês após o inicio de novas turmas em Hogwarts, mas a menina que vira fazia parte do grupo que parecia clamar pela atenção de Scamander: Novatos e perdidos. Fora algo no olhar dela esquadrinhando cada pedaço do salão, os sorrisos contidos em um copo colorido de ponche, os passos que pareciam querer guiá-la para o escuro. Ele reconhecia aquilo bem; a incerteza de onde estar, de como se portar. De como ser em um novo espaço. Fora por isso que se aproximara da forma como sempre fazia: Com um sorriso e uma mão disposta a ajudar, mesmo que figurativamente em algumas vezes.
Para sua surpresa, o sotaque dela demonstrara uma origem distante da britânica que sempre ouvia. Ela não parecia uma primeiranista, e só depois fora descobrir que de fato não o era. Mas o episódio da festa não fizera mais do que lhe apresentar à uma menina arisca, de sorrisos envergonhados e olhos fugazes. O encontro acontecera rápido, mas fora justamente o silêncio dela que lhe marcara tão surpreendemente. Ele soubera, ao vê-la se afastar, que descobrí-la era mais do que uma missão; era uma necessidade.
O problema era que Tristan não sabia por onde começar. Ele tentou achá-la na festa outra vez, mas a garota havia sumido e deixado Scamander a mercê da dúvida. Era uma peça de halloween? Havia sido encantado por alguém? De certo modo, ele sabia que sim. Só precisava saber quem fora a autora daquele feitiço. Algumas semanas mas tarde, ele recebera uma resposta. Ou quase isso: Um norte para onde apontar. No meio dos corredores por onde tanto percorrera outrora buscando auxílio a dar, vira aquela garota novamente. E, para sua surpresa, ao lado de um rosto que era tão conhecido quanto seu próprio reflexo no espelho. Então ela era amiga de Iseult. O alívio invadira Tristan tal como a incerteza: Como faria aquilo? Havia pensado em abordar ambas, afinal, Iseult era sua amiga há mais tempo do que podia lembrar, mas a breve experiência arisca com Wilkes, cujo sobrenome descobrira por acaso, lhe dissera que seria melhor agir discreto, pelo menos até saber como se aproximar. E quase no fim do mês posterior, fora aquilo que Scamander decidira fazer.
Ao sinal de sua última aula, o rapaz juntou suas coisas e seguiu direto para a torre da Ravenclaw. Nem sequer passou pelo salão principal para encontrar Enzo como de costume, naquele momento sua curiosidade era maior do que qualquer outra coisa, só esperava que Iseult não estivesse em outro lugar. Algo que descobrira com outra sensação de desafogo quando chegou à torre e, já no salão comunal, enxergou num dos cantos os fios alaranjados da amiga. Ela era uma daquelas pessoas que, mesmo numa multidão conhecida, Tristan ainda reconheceria sem necessitar de um segundo olhar.
“Is, hey. Are you busy now?” Indagou à alguns passos de distância restantes, tamanha ansiedade. Tão logo se aproximou, largou sua mochila semiaberta em uma das poltronas e inclinou-se sobre Ahern, plantando-lhe um beijo na bochecha como cumprimento carinhoso, para só então sentar-se de frente para a mesma; suas mãos juntando-se como apoio do queixo ao falar. “I need a favor. Specifically saying, a name. And don’t worry, I might have chocolates to pay it off.”












