Estava a trabalhar em part-time na Padaria Portuguesa da Avenida da Igreja. Era um trabalho da treta, levantava as mesas, empilhava a louça e varria o chão. A gerente da loja, a Vanessa, disse-me várias vezes que não gostava da minha pinta, que eu era sempre um bocado lento. Então, estava eu ocupado a tentar fazer pouco, mas ainda assim uma cena diferente do dia anterior, quando a vi entrar pela porta de fora. Ela trazia uma boina cor de framboesa, do tipo que se encontra numa loja de segunda mão. Levei-lhe o pequeno almoço à mesa, um dia e outro e outro, até que ela, apesar de ser podre de boa, me perguntou se eu tencionava fazer-lhe mal. Por isso, assim que deu, pu-la na parte detrás da minha mota e fomos até à Mata de Alvalade, a meio da Avenida do Aeroporto. É certo que dias nebulosos nunca me entusiasmaram muito mas algo aconteceu quando ela e as nuvens se misturaram. E apesar de perceber que ela nem era muito esperta bastou beijá-la para perceber que sabia muito bem como se divertir. Começou a chover, corremos para as casinhas à entrada do Parque e a chuva a cair no telhado fazia um som mesmo fixe. Os trovões num instante abafam o que os relâmpagos mostram e eu senti-me como uma estrela de cinema. Ouve, sei que dizem que a primeira vez não é a melhor, mas conto-te que se tivesse a hipótese de fazer tudo outra vez não mudava uma única linha, porque, meu, eu sou o maior com uma rapariga tão fantástica como aquela. Daquelas raparigas que usam boinas cor de framboesa, do tipo que se encontra numa loja de segunda mão. Mas não sei onde elas param estes dias. Uma boina cor de framboesa e pouco mais quando faz calor. Boina cor de framboesa, acho que a amo.