Como qualquer cidade, Wilmington tem partes ricas e pobres. Meu pai tinha um dos empregos mais seguros e sólidos do planeta -ele fazia entregas em uma das rotas dos correios- e nossa família vivia bem. Sem luxo, mas bem. Não éramos ricos, mas morávamos perto suficiente da área rica para que eu frequentasse um dos melhores colégios da cidade. No entanto, ao contrário das casas dos meus amigos, a nossa era velha e pequena; parte da varanda estava começando a cair, embora o jardim mantivesse seu charme. Havia um grande carvalho no quintal e, quando eu tinha oito anos, construí uma casa na árvore com pedaços de madeira que recolhi em um canteiro de obras. Meu pai não me ajudou com o projeto (e se ele acertasse um prego com um martelo, isso poderia honestamente ser chamado de acidente); nesse mesmo verão, aprendi sozinho a surfar. Suponho que deveria ter percebido nessa época como era diferente do meu pai, mas isso só demonstra o quão pouco se sabe da vida quando se é garoto.
Nós éramos totalmente diferentes um do outro. Enquanto ele era sedentário e introspectivo, eu estava sempre em movimento e odiava ficar sozinho; ele dava muito valor á educação; para mim, a escola era um clube para socializar e praticar esportes. Ele tinha má postura e andava de um jeito meio estranho; eu saltava de um lado para o outro e pedia o tempo todo para que ele marcasse quanto tempo eu levava para ir até o fim do quarteirão e voltar. Fiquei mais alto do que ele no oitavo ano, e o derrotaria no braço de ferro no ano seguinte. Nossas feições também eram completamente diferentes. Ele tinha cabelos ruivos, olhos castanhos e sardas; eu, cabelos e olhos castanhos, e minha pele morena ficava profundamente bronzeada já em maio. Alguns de nossos vizinhos estranhavam o quanto éramos diferentes, o que fazia sentido, suponho, considerando que ele me criou sozinho. Quando fiquei mais velho, ás vezes os ouvia fofocando sobre minha mãe ter fugido quando eu tinha menos de um ano.












