CORONELISMO ELETRÔNICO
“Eu brigo com o papa, com a Igreja Católica, com o PMDB. Só não brigo com o doutor Roberto (Marinho)”, disse o presidente eleito Tancredo Neves, em 1985, a Ulysses Guimarães, que estava indignado com a indicação de Antônio Carlos Magalhães (ACM) para o Ministério das Comunicações.
À época da Redemocratização, a NEC Brasil havia se tornado a maior fornecedora de equipamentos de telecomunicação para o governo brasileiro. Em 1986, ACM suspendeu os contratos do governo com a empresa, cujo principal cliente era o Governo Federal. Com o grupo em crise, a NEC do Japão recomprou as ações da NEC Brasil e as vendeu para as Organizações Globo por um milhão de dólares. Logo em seguida, ACM restabeleceu os contratos e a empresa passou a valer 350 milhões de dólares. Um mês depois, da sua parte, Roberto Marinho concedeu a ACM o direito de tornar sua emissora de televisão na Bahia uma afiliada da Rede Globo. O caso de Antônio Carlos Magalhães é emblemático, mas não é o único que envolve afiliadas da emissora e a tão danosa prática do coronelismo eletrônico à democracia brasileira. (O que, inclusive, viola o artigo 54 da Constituição Federal.) Vários políticos, senadores e deputados, são concessionários de rádio e TV e suas emissoras são afiliadas do sistema Globo de comunicação. Os casos clássicos já se tornaram, inclusive, parte do (infeliz) folclore político brasileiro: a família Sarney, no Maranhão; os Collor, em Alagoas; Jader Barbalho, no Pará; e por aí vai... Essa promiscuidade entre a TV Globo e certos políticos, leva a emissora a defendê-los (e vice-versa), acobertando escândalos políticos em que estão envolvidos. Esse é um dos limites da “cobertura imparcial” do seu jornalismo...
#DEScomemore!!!
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