Parangolés (1964 -)
Parangolés (1964 -) Hélio Oiticica
Os Parangolés se caracterizavam pela construção de tecidos extensos que podiam trazer desde cores vibrantes, até estampas e frases escritas. Sua principal base no entanto, era a presença do corpo humano para interagir. Na proposta do artista, o Parangolé só acontecia quando estava em movimento.
O contexto para a série de obras, diz respeito ao ano de 1964, em que 4 eventos aconteciam ao mesmo tempo, se encerrava o movimento concretista no Brasil, se instaurou a ditadura militar, o pai de Hélio veio a falecer e ele se mudava para a Favela da Mangueira.
Hélio Oiticica e integrantes da escola de samba Estação Primeira de Mangueira com Parangolés, na área externa do MAM Rio durante a abertura da exposição Opinião 65. Foto Desdémone Bardin
Em seu novo cenário o artista renova sua relação com arte e desconstrói o academicismo que demarcava a posição da obra e do telespectador. Trazendo o público não só para perto, como também o colocando como peça fundamental para que a obra tenha seu funcionamento pleno.
Hélio na favela se envolveu com a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, que foi de fundamental importância na idealização e concretização dos parangolés, que além das camadas de tecidos sobre o corpo dançante também foram tendas, estandartes e bandeiras.
A primeira experiência do parangolé em dança se deu ao final de um carnaval em que o próprio Hélio percebeu o potencial de sua criação ao performar com ele por horas após o show
O nome parangolé por si só era uma gíria usada na época, que significava animação, agitação súbita e alegria. A obra podia ser expressa como a própria música e dança.
Nildo da Mangueira com P 08 Parangolé capa 05 Mangueira (1965), César Oiticica, Hélio Oiticica e Reinaldo Jardim na abertura da exposição Opinião 65, no MAM Rio; ao fundo, o P 03 Parangolé tenda 01 (1964). Foto Desdémone Bardin
Os parangolés eram “travestidos”. Não tinham identidade de gênero nem raça. Então sua pluralidade de discursos eram diversas. Compreendendo sua agitação súbita não só a felicidade, como qualquer outro sentimento. Se adaptando aos locais e discursos.
Isso se característica sobretudo na época em que o artista estava hospedado em Nova York, em que o parangolé se acomodou ao novo ambiente, deixando o samba e abraçando o rock n’ Roll.
Parangolé P15, Capa 11, Incorporo a Revolta 1967, Hélio Oiticica ,técnica mista Projeto Hélio Oiticica (Rio de Janeiro, RJ)
Parangolé Capa 30, 1972,Hélio Oiticica Projeto Hélio Oiticica (Rio de Janeiro, RJ)












