✕┊DON’T recall
@parkingx
não era surpresa que no momento em que as luzes voltaram e haseul entrara no seu apartamento, havia uma nota de um endereço bem conhecido. longe de ser surpresa -- era o esperado: relatar a falha de uma missão era comum, e ela não negaria que a sua proeza durante os últimos 11 meses era um tipo de missão, especialmente levando em conta as consequências da falta de sucesso para os pais da não-vermelha.
por isso mal havia começado a semana e ela, obedientemente, ia visitar os pais, a mochila nas costas com as supostas anotações da semana prontas para que a mãe desse uma olhada como se entendesse, buscando nada além de palavras como “há uma cura” ou “a cor no pulso da espécime escureceu para vermelho”. o olhar de preocupação no rosto da mulher é muito similar ao que haseul conseguia ver no espelho de vez em quando, então ela é sucinta e calma em explicar que nada havia acontecido, ninguém tinha visto o seu braço e que não havia notícias ainda sobre a razão do apagão. eu poderia estar buscando as razões agora, ela quase diz, mas morde a língua para não desrespeitar a matriarca.
ela então é enviada para o comércio, procurar o pai na loja da família apenas para repetir as mesmas palavras e reabastecer-se de tinta vermelha -- a cor no pulso parecia estar voltando ao seu tom original de ocre, e era sempre bom estar preparada -- mas antes que ela pudesse chegar à venda, ela escuta um “haseul-ah!” bem conhecido, embora não ouvido há quanto tempo? meia década?
“senhora park,” ela se obriga a parar, até dando uma leve reverência em automático respeito, mas o rosto não muda a falta de expressão nele nem mesmo para a mãe de um dos seus amigos mais antigos -- amigo esse que poderia ter passado pela puberdade, mas não havia mudado o suficiente par que a morena não o reconhecesse do lado da mãe. haseul levanta os olhos para kyung, os lábios encrespando um pouco. “olá.”









