Choro por mim, choro por ti, choro. Verto lágrimas de sentimentos por sentir. De histórias por viver. Verto na face que não reconheço, desfigurada, memórias de um tempo que foi meu. Aproveito para as deixar correr. Rolam, derretem-se, arrastam-se pela carne caindo por fim no peito. São só minhas, eu sei, mas quando abandonam o conforto do olho distorcem o olhar e eu mal vejo. Sou praticamente um cego que caminha sem auxílio e que procura o caminho usando apenas os meus sentidos. Se por um lado é a ausência do sentir que me apura os sentidos. Por outro... É certo que o choro é o aglutinador entre os dois mundos. Nesta espécie de anormalidade em que me encontro, onde me permito a deixar sair o salgado líquido que me dá a vida, floresço. Que vil piada que acabo de contar. Para florescer nesta vida são vários os trilhos que se podem seguir, e eu... Eu, adoro desconhece-los a todos. Mergulho na minha construção do mundo, monto e desmonto as suas peças numa brincadeira só minha. Adoraria partilha-la como qualquer criança que se vê a jogar um jogo, mas minto a mim mesmo. Sei lá eu o que quero. Sabes-lo tu? Pois... Claro que há sinais, tal como aqueles dos comboios, "Pare, Escute e Olhe". As três fases da vida. Paramos, só depois escutamos e no fim é que somos capazes de ver. Tarde de mais... Conhecedores de mais... Velhos de mais... É uma vida que passou entre os dedos, ou como eu descobri, entre lágrimas. As minhas, as tuas e aquelas que vertidas em segredo brotaram do fino ar para nenhuma história contar. Consola-me a música que em versos mais ou menos elaborados me compreende. Só na arte encontro companhia desinteressada. Só nela e nas lágrimas que me deslizam na rugosa pele. #madrugadadura #nuncareli #passagemdenivel (em Vila Praia De Âncora, Viana Do Castelo, Portugal) https://www.instagram.com/p/CcjTCPZjxAD/?igshid=NGJjMDIxMWI=










