Condor, d. 1980 / Portal Cultura
“Nas últimas imagens do curta metragem Ruínas de Murucutu de Ivan Cardoso passeia-se pelo cenário boêmio do bairro da Condor na metade dos anos 1970: uma mistura de bares e boates com música ao vivo e prostituição. Já havia uma decrepitude no entorno da Praça Princesa Isabel, quando as casas de pensão passam a ocupar o local, após uma investida da Prefeitura para afastá-las do centro de Belém. Lá estão o Palácio dos Bares e o Mangal do Patesco. O primeiro havia sido uma casa de espetáculos de alta referência, com apresentações de cantores nacionais (como Orlando Silva e Dalva de Oliveira) entre as décadas de 1940-1960, passando gradativamente a uma boate com atrações locais. O Patesco, do outro lado da Avenida Bernardo Sayão, montado sobre uma estrutura de palafita, com um bode circulando entre os clientes e especializado em servir caranguejos cozidos, já rivalizava com o Palácio dos Bares; revezando os mesmo cantores, como Vavá da Matinha, nome artístico de Osvaldo Oliveira. Esse artista em uma de suas letras (Este ano irei a Belém, de 1973) fala em “passar uma noitada com o tio Nequinha lá na Cremação”; outro famoso ponto boêmio, o Recanto Oriental de Manoel Rodrigues, o palhaço Nequinha, logo ali na esquina da Travessa Padre Eutíqueo com a Avenida Alcindo Cacela, divisa dos bairros da Condor e Cremação. Adiante na mesma Alcindo Cacela, visando mais a luxúria do que a música, estava a imponente Boite Pagode Chinês, com seus shows de nudez. O seu anúncio já proclamava que estava “integrada no roteiro turístico de Belém”. Era o local onde se levavam os visitantes da cidade para um lounge com garotas, ou para um fim de noite depois de passar pelo Palácio dos Bares. O seu mestre de cerimônia, recepcionando e cuidando do bem estar dos clientes, era o fino Palito. Apesar de estar na periferia da cidade, era uma casa para os dispostos a gastar; na década de 1980 seu substituto foi o Lapinha, com shows de strip-tease, transformistas e até performances sexuais. A distância do centro de Belém inspirava mais permissividade e libertinagem."
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Texto do LP Jambu e os míticos sons da Amazônia








