Pessoal
2012 foi uma reunião dos bardos numa noite própria. Foi o meu pai fingindo que estava enfartando pra evitar um sequestro. Foi o meu pai encontrando tempo para assistir Supernatural e The Office comigo, além de entrar no Pottermore para descobrir o que eu sempre suspeitei: sou filha de um Lufano. Esse ano me viu quebrar mais dois recordes (com sangue nas mãos e macarrão no pescoço), sem nunca me censurar pelas reclamações barulhentas sobre o Misha e absorventes às 4 da manhã. Já eu me vi enfrentando entrevistas de emprego sem me deixar levar pela ansiedade em desespero. Aprendi a respeitar meus sentimentos e parei de tentar moldá-los para atender desejos alheios. Aprendi a me defender; de psicopatas, de americanos obtusos em Amsterdã e de amigos desinformados, crentes de que a minha cara de idiota é um reflexo físico da minha personalidade. Ganhei de aniversário o final épico de House, tão perfeito que me fez relevar os olhos inchados e a dor no coração bem no dia que deveria ser meu. Me perdi entre as estrelas por 11 horas (eu voei, Bran!), e quando desci do outro lado me reencontrei encostada numa árvore em Berlin. Enterrei um guarda-chuva, roubei uma pedra, tirei fotos ao lado de belas latas de lixo e sacrifiquei minha última amora para aplacar a ira de Potsdam - Bosta. Foi a viagem da minha vida, aquela que eu achei que só faria em sonhos. Zeit für süsse Worte! Carrego três anéis, que não são dos elfos, e mantenho o tanque de guerra no meu quarto (por motivos de segurança). E além de tudo isso, quem diria, mil acasos ainda me levaram a esbarrar com outra alma introvertida. Ele me viu, e continuou olhando até que eu desviasse o olhar. E eu me vi tendo dificuldade em esconder - ou pelo menos disfarçar - todas as coisas bonitas que eu demorei tanto para admitir que sentia. Foi tudo tão simples, tão confortável, tão silencioso, perdido nas entrelinhas, que agora, distante de tudo isso, eu me pergunto se realmente aconteceu. Eu me pergunto se esse ano realmente aconteceu, porque se eu vivi mesmo tudo isso e o mundo não acabou, então o que dizem por aí é mentira. O melhor não fica pro final. Não mesmo.











