Há urgência em pedalar. Imagine-se, neste momento, no meio de toda sua conturbação cotidiana, para chegar em seu planejado destino. Buzinas, trânsito parado, mais buzinas, siga-e-pare, e você não sai do lugar. Todo o estresse faz do seu carro uma jaula; uma prisão suspensa sobre quatro rodas. Faz de você mais dependente dele do que qualquer outra coisa neste momento. Em meio a todo o caos, uma cena destoa de tudo que está acontecendo com você. Passa ao seu lado um ciclista, que parece ignorar toda a desordem que o rodeia. Pedala com leveza e liberdade sem igual, e faz lhe parecer utópica a ideia de ir para onde e como quiser neste momento. Vê-se a felicidade estampada no rosto desse agraciado que pedala. Ele debocha em silêncio -como quem ri disfarçadamente de uma piada sarcástica- do seu “conforto” motorizado e o faz parecer totalmente dispensável. Ele pedala em constante fluidez, e você tenta acompanhá-lo, até ele chegar em um ponto onde você não pode mais vê-lo; você continua o movimento em busca de encontrar aquele sinônimo de independência pelo menos mais uma vez, até deparar-se com as luzes vermelhas do carro a sua frente, indicando os freios pressionados, de modo que o trânsito não muda, não anda. E você tem plena certeza de que o ciclista alcançará o destino dele muito antes de você sequer cruzar o semáforo. Caro motorista, há prazeres em pedalar.