Em 1990, Pedro tinha 19 anos quando dormiu no volante dirigindo de São Paulo para o Rio de Janeiro. Bateu o carro numa árvore, foi socorrido, passou oito dias em coma na UTI e, infelizmente, faleceu. Ele era o primogênito de Gilberto Gil e Sandra Gadelha (aquela da música "Drão", embora eu goste muito mais de "Sandra"). Às vezes lembro muito de Pedro porque ele, que nasceu na Londres de 1970, faria aniversário um dia depois do meu, que nasci em 16 de maio de 1992. Também lembro de Pedro quando escuto "Parabolicamará", porque é uma espécie de consenso que o trecho "esse tempo não tem rédea/ vem nas asas do vento/ o momento da tragédia/ Chico Ferreira e Bento/ só souberam na hora do destino apresentar" trata não apenas de uma citação a Dorival Caymmi ("A jangada voltou só"), mas também faz referência a Pedro Gil, como a morte sendo irrefreável, e o tempo tão implacável quanto.
Eu nem sei o que dizer sobre a inversão total, quando os pais perdem os filhos. É a segunda vez que Gilberto e Sandra passam por isso, porque Preta também se foi. Muito jovem, aos cinquenta anos. Minha mãe faleceu aos cinquenta e quatro, ainda parece injusto. Também não esqueço que Preta, em tratamento, foi abandonada pelo companheiro. A dor da perda tem muitas camadas e não há receita que ensine a passar por isso.









