***nível de spoiler: médio***
Capitães da Areia é um livro escrito por Jorge Amado e lançado no ano de 1937, o qual, na época, causou muita polêmica e teve vários de seus exemplares queimados. Mesmo depois de mais de 50 anos, continua abordando um tema muito atual que é o abandono de crianças. Comecei a ler esse livro puramente obrigação, para a matéria de Literatura, na escola, pensando que iria ser mais um daqueles clássicos que me dão sono (fazer o que, quem sabe um dia eu goste), mas logo nas primeiras páginas eu me envolvi com a história e daí não parei mais. As aventuras dos Capitães da Areia, que até hoje eu teimo em chamar de "capitães de areia", sempre deixam um gostinho de "quero mais". É curioso observar a vida sob um ponto de vista totalmente diferente do meu. O cotidiano do grupo de crianças abandonadas que vivem do furto nas ruas da belíssima e amada por eles Cidade da Bahia me deixou num misto de sentimentos que vão de interesse, surpresa e até profunda decepção, porque eu sei que não se trata de um simples enredo criado para entreter, mas sim da situação real de milhares de pessoas.
Jorge amado soube muito bem descrever a diferença social em que vivemos no Brasil, sob o olhar inocente de uma criança que já viveu mais do que muitos que leem, ou ainda lerão, este livro. O quão sincera uma criança pode ser? E o quão sábio um adulto é? E uma criança que vive como adulto, qual é sua visão sobre o mundo? Esta pequena controvérsia é o que torna a história tão verdadeira. Durante a narrativa, o narrador-observador repete várias vezes a mesma ideologia de maneiras diferentes, cuja resumidamente afirma que aqueles meninos não têm culpa da situação em que se encontram. Por vezes, julgamos a dor de uma pessoa inferior a nossa, achamos suas atitudes completamente sem fundamento, mas não procuramos nos colocar no lugar dela. Certas coisas não tem proporção, principalmente quando não se conhece o outro lado da moeda.
Várias causas são expostas de modo crítico durante o desenvolvimento da trama para justificar a vida dos garotos abandonados, mas todas acabam remetendo para o amor o qual para a maioria é algo completamente ausente, que eles só imaginam e secretamente desejam para si. Para suprir essa falta, os meninos se agarram a liberdade que possuem por serem garotos de rua e a tem como o bem mais precioso que possuem. "A liberdade é como o sol. É o bem maior do mundo.”
Livro em uma palavra: verdadeiro
Combina com: "mais amor por favor"