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Laudo médico: Closeyrah 💁🏽♀️💋 . . . . . #summertime #lookdodia #verão #nordestebrasileiro #pernambucando #mariafarinha #cactos #flores #brecho #modasustentavel #pretasestilosas (em Maria Farinha, Pernambuco, Brazil) https://www.instagram.com/p/CUFoDEngifL/?utm_medium=tumblr
MESA ANCESTRAL
Projeto utiliza saberes alimentares do passado em prol do futuro
Quando você pensa em sustentabilidade, o que vem à sua mente? Para a maioria das pessoas, esse termo veio ganhando força e espaço no debate público ao longo dos últimos dez anos, por conta da preocupação urgente com as condições dos nossos recursos naturais. Mas o que ninguém se deu conta é que muitos de nossos antepassados possuíam uma relação de respeito e consciência com o ciclo da vida, perdido enquanto a população crescia e se ajustava a uma sociedade cada vez mais automatizada e desconectada com suas raízes.
Com o objetivo de preservar esses saberes preciosos e utilizá-los na busca por uma relação mais ética com o meio ambiente, a Xepacult — Mostra de Gastronomia de Tradição pelo Consumo Consciente promove o encontro do público com mestras da mesa ancestral, em tardes de palestras, exposições e realização de receitas ao vivo por mestras de comunidades quilombolas e indígenas, culminando numa refeição coletiva regada com apresentações musicais. O projeto é fruto de uma parceria entre a pesquisadora Mônica Jácome e a fotógrafa Magda Silva, que visitaram uma série de comunidades indígenas e quilombolas ao longo do estado, convidando uma representante de cada local para partilhar seus conhecimentos.
INSPIRAÇÃO E RECONFIGURAÇÃO
“Eu já vinha observando com atenção o movimento slow food, que envolve pontos importantes no que tange à sustentabilidade: a sociobiodiversidade alimentar, a valorização da agricultura familiar, e o comércio justo, com mais igualdade e ética, beneficiando produtores, consumidores e o próprio planeta”, conta Jácome, que já vinha pesquisando sobre o patrimônio gastronômico de Pernambuco desde 2014. “Muito do que encontrei nas comunidades que visitei possui essa relação justa e consciente entre o indivíduo e o meio que o alimenta, justamente um aspecto que o slow food tenta resgatar. E observando a quantidade de alimentos que poderiam amenizar a fome de multidões, mas vão para o lixo, lembrei de um elemento das nossas feiras populares que deveria ser mais aproveitado, a xepa!”
A Xepacult dá uma guinada rumo ao viés histórico e cultural, com foco na força e protagonismo das mulheres de cada comunidade. Muito do que conhecemos nasceu entre os tabuleiros e barraquinhas dos centros urbanos, onde a reunião de saberes indígenas, africanos e europeus encontrou um terreno fértil para sua disseminação. “Mas como a maioria desse conhecimento era repassada a partir da oralidade, perdemos boa parte desse conteúdo tão precioso para a nossa mesa, quanto para a nossa própria relação com o que somos enquanto nação”, explica Jácome.
A NOBREZA INVISÍVEL DA XEPA
Quando falamos “xepa”, logo pensamos em restos, itens sem qualidade, de aparência nada atraente aos olhos. No mundo dos feirantes, a xepa é uma etapa que caracteriza o fim da jornada do dia. Neste momento, eles reduzem bastante os preços dos produtos que não foram vendidos até aquele momento. Em outras palavras, xepa é o que sobra ao fim do expediente das barracas, não necessariamente algo ruim. A fama de aspecto desagradável que ronda essa categoria de alimentos se dá pelo fato de que muitos deles foram bastante manuseados pelos próprios clientes, enquanto outros apenas foram deixados para trás por fregueses mais exigentes, que acharam eles feios logo de cara, nos primeiros minutos do movimento. No final das contas, elas possuem os mesmos nutrientes que aqueles que foram levados.
O que acontece é que o transporte, as condições de armazenamento, o clima e a temperatura ao qual esse alimento foi exposto durante o dia fazem com que ele não seja atrativo para ser vendido no dia seguinte. Então, ou o feirante baixa o preço drasticamente, ou até oferece de graça para quem se dispor a levar os itens para casa. “Fazer algo a partir da xepa é sinônimo de fazer com o que é possível”, afirma Maria José de Fátima Barros, de 58 anos, da Comunidade Quilombola Onze Negras, no Cabo de Santo Agostinho. Ela é umas das mestras convidadas para o projeto.
“Xepa pra mim é riqueza. Quando eu era criança, por exemplo, aprendi que saciar a fome depende de conhecimento e de colocar a mão na massa. Quando eu era pequena, não tínhamos condições de consumir carne, por exemplo. A carne de frango era mais acessível, estava ali no nosso quintal, mas a nossa criação era mais dedicada à produção de ovos. Peixe, a gente comia muito de vez em quando. Nos valíamos mais do que havia na horta, então era muito comum minha avó aproveitar tudo dali. Por exemplo, não esqueço nunca uma sopa que consistia de cascas de todos os legumes machucados no pilão. E era uma delícia, por que tudo que fazemos com amor dá certo e fica gostoso”, lembra.
Os conhecimentos passados de mãe para filha eram a única garantia que essas pessoas tinham para a manutenção de sua saúde. “Quando ouvimos dizer que as pessoas de antigamente tinham mais saúde, pode ter certeza de que isso é muito verdadeiro. Nossos bisavós nos ensinaram muita coisa que boa parte das pessoas que moram nas grandes cidades só ouvem da boca de um médico, como por exemplo, colocar casca de ovo triturado em cima da comida”, diz Dona Maria José. Ela aprendeu com sua mãe que espalhar esse item em pelo menos uma refeição era uma ótima forma de completar as vitaminas que faltavam pro corpo seguir sadio.
De fato, a casca do ovo é uma fonte rica de cálcio, importante na formação dos ossos e dos dentes. Enquanto um copo de leite possui 290 mg de cálcio, a casca de ovo contém 2.400 mg, em média. Pra quem tem intolerância à lactose, está aí uma boa alternativa. “A gente também utilizava ela na própria horta e pra dar aos bichos. Ela é boa pra tudo e pra todos”, ensina Dona Maria José.
Além de Palmeira (Glória do Goitá) e do Quilombo Onze Negras (Cabo de Santo Agostinho), Mônica Jácome e Magda Silva visitaram o Quilombo Chã-dos-Negros (Passira), o Quilombo Conceição das Crioulas (Salgueiro), os povos indígenas Fulni-ô (Águas Belas), Pankararu (Tacaratu), Atikum (Carnaubeira da Penha) e Xukuru (Pesqueira).
Na Xepacult, o que mais se escuta é “eu não sabia que era possível fazer isso”, além de “que gostoso”, “que delícia”, e “eu não acredito que essa receita foi feita disso”. No segundo semestre de 2017, o projeto realizou cinco encontros e apresentou receitas como mousse de casca de abacaxi; o funge (ou funji), espécie de pirão bastante popular em Angola, feito com massa de mandioca, água e sal, mexida energicamente no fogo, bom para acompanhar pratos com frango e molhos; Baião de Dois, o Angu com Galinha, o Munguzá e o Baião de xerém, além de doces e compostas artesanais de dar água na boca.
“O cardápio está sempre mudando a cada edição. Ele só é definido depois que as mestras voltam da xepa. A partir daí é criatividade aliada à tradição”, explica Jácome, que defende uma maior atenção à gastronomia de fora da casa grande. “A gente vê por aí receitas como os nossos famosos bolos que levam nomes das famílias, que se tornam muito festejadas, e pouco se sabe sobre o que era criado na senzala, nos quilombos e nas tribos. Já tem muita gente pesquisando a gastronomia branca, eu decidi pesquisar a gastronomia negra e indígena.”
PROTAGONISMO FEMININO
A Xepacult funciona como uma ferramenta de resistência em reconhecimento ao papel civilizatório da mulher na história humana. “Enquanto os homens iam caçar, as mulheres cuidavam da prole, passaram a identificar o que poderia ser consumido e preparar os alimentos. Com o tempo, passaram também a observar o movimento dos ventos e começaram a tratar a terra. A agricultura nasceu de mãos femininas. É a elas a quem devemos a nossa passagem da selvageria para civilização. Infelizmente, o nosso laço com a terra, com o orgânico, é cada vez mais fraco. Por isso a importância de se resgatar esse conhecimento. A chave para o nosso futuro está no nosso passado, pelas mãos do povo”, pondera Jácome.
ANCESTRALIDADE RIMA COM SUSTENTABILIDADE
Projeto utiliza saberes alimentares do passado em prol do futuro
Quando você pensa em sustentabilidade, o que vem à sua mente? Para a maioria das pessoas, esse termo veio ganhando força e espaço no debate público ao longo dos últimos dez anos, por conta da preocupação urgente com as condições dos nossos recursos naturais. Os efeitos das mudanças climáticas na engrenagem da vida e no cultivo dos alimentos têm muito de nosso desleixo e falta de compromisso com o amanhã. Mas o que ninguém se deu conta é que muitos de nossos antepassados possuíam uma relação de respeito e consciência com o ciclo da vida, que foi explorado ao máximo em velocidade e quantidade, enquanto a população crescia e se ajustava a uma sociedade cada vez mais automatizada e desconectada com suas raízes.
Com o objetivo de preservar esses saberes preciosos e utilizá-los na busca por uma relação mais ética com o meio ambiente, a Xepacult - Mostra de Gastronomia de Tradição pelo Consumo Consciente promove o encontro do público com mestras da mesa ancestral, em tardes de palestras, exposições e realização de receitas ao vivo, culminando numa refeição coletiva regada com apresentações musicais. O projeto é fruto de uma parceria entre a pesquisadora Mônica Jácome e a fotógrafa Magda Silva, que visitaram uma série de comunidades indígenas e quilombolas ao longo do estado, convidando uma representante de cada local para partilhar seus conhecimentos.
PERNAMCUBANO
O tradicional maltado d’As Galerias é patrimônio afetivo e cultural
O Recife Antigo reserva muito mais preciosidades que a sua arquitetura e expressões artísticas. Por aquelas ruas de ladrilhos e fachadas centenárias, diversos povos deixaram sua contribuição nos costumes e nos sabores. Porém, um deles permanece ativo há três gerações de uma família com raízes em Cuba, na forma de um saboroso e refrescante maltado. Esta receita deixou os passeios por lá mais gostosos, garantindo o seu lugar no coração de trabalhadores, estudantes e personalidades que fizeram de As Galerias uma ilha de sabor no arquipélago gastronômico da capital pernambucana.
Tudo começou há 90 anos, com o desembarque do cubano Fidélio Lago, que em 1928 chegou ao Recife repleto de sonhos e uma bagagem lotada de experiências no segmento alimentício. “Ele já era bem desenrolado no setor de lanchonetes e sorveterias por lá. Embora o senso comum ache que lanchonete é igual em qualquer lugar, devemos levar em consideração as particularidades de cada povo. Quem já teve a oportunidade de comer num estabelecimento cubano, sabe como é. Meu avô tinha muito desse espírito dinâmico, e isso o encorajou a abrir o seu próprio negócio por aqui”, conta Jorge Gomes, neto do Seu Fidélio e atual proprietário do negócio.
PATRIMÔNIO DO PALADAR URBANO
Chá Mate mostra que o tempo parou atrás da Avenida Guararapes
O centro do Recife guarda muitos tesouros que só se revelam para quem faz de suas ruas um itinerário diário de trabalho, estudos, compras e resoluções de demandas bancárias e médicas. O calor que paira sobre a cidade não é para amadores, e somente os íntimos do centro da cidade conhecem o mapa dos oásis para o paladar e o bolso, que ajudam as pessoas a encarar um dia inteiro naquele emaranhando de prédios, carros e gente. Um desses locais que nos ajudam a recuperar o fôlego é o Chá Mate e Lanchonete, também conhecido como Chá Mate Brasília, tradicional ponto de encontro daqueles que desejam fazer um lanche generoso por um precinho camarada.
Hortas Urbanas nascem pela cidade - Parte 1
Algo está acontecendo nos canteiros centrais das cidades. De repente, você encontra espécies frutíferas, leguminosas e ervas de uso medicinal, com identificação e pessoas das redondezas cuidando do entorno em seu tempo livre. Por estarem localizados em espaços como praças, terrenos e ruas sem saída, o que é colhido não dá margem para a subsistência efetiva ou comercialização do que é colhido, mas semeia e floresce a cidadania, fazendo com que as pessoas entendam que tudo que está ali deve servir ao povo.
Nos últimos anos, a Zona Norte do Recife tem sido testemunha de um movimento em crescimento nos quatro cantos do planeta: são as hortas comunitárias urbanas, que promovem uma ocupação sustentável de espaços públicos das cidades
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