Tinha um cara sozinho no bar
Tinha um cara sozinho no bar. A mesa dele, do lado da minha, tinha uma cadeira vazia. Quando a minha irmã chegou, perguntou se podia pegar a cadeira. Ele disse que sim. O cara sozinho no bar ia continuar sozinho no bar.
Mas, ainda que ele estivesse suficientemente certo que que continuaria sozinho para dispensar sua cadeira reserva, ele olhava para a entrada do bar o tempo todo. E conversava com alguém no whatsapp. E bebia lentamente sua cerveja. Sozinho.
Bem, talvez as outras pessoas gostem disso. De beber sozinhas. Eu estava numa mesa com seis outras meninas que conheço de lugares diferentes, todas muito agradáveis. E é claro que, assim, o cara sozinho me parecia ainda mais sozinho.
Ele deu dinheiro pro cara que sempre aparece no bar pedindo dinheiro. Ele pediu pro garçom fazer meia porção de batatas, porque ele não daria conta de comer uma inteira. Ele conversou mais no whatsapp, pediu outra cerveja.
Escrevemos um bilhete - que era pra ser simpático - num guardanapo e deixamos na mesa dele quando ele foi ao banheiro e deixou para trás todos os seus pertences empilhados na mesa: carteira, chaves, dois celulares. Ele nem viu o bilhete. Quando voltou, ele conferiu o celular. Quando foi embora, o bilhete continuava dobrado e intocado perto das batatas fritas abandonadas.
Tem alguma coisa melancólica em ver pessoas sozinhas que eu apenas tenho dificuldade em superar.













