Ainda me pergunto se o tempo sabe mesmo o que está fazendo. dizem que ele cura tudo, mas às vezes parece que ele só esconde as coisas em gavetas desorganizadas, onde elas continuam lá, esperando que você tropece nelas de novo. o tempo passou, é verdade. os dias viraram semanas, que viraram meses, e ainda assim... aqui está você. não como antes, mas como sempre. um nome que não preciso dizer, um sorriso que não preciso ver para lembrar, um sentimento que se recusou a seguir o script de desaparecer com o tempo. é engraçado, porque dizem que com o tempo tudo se ajeita. mas, e se o tempo só nos lembra que há coisas que não se ajeitam, que não se apagam, que não precisam de conserto? e se ele só nos mostra que há sentimentos que nasceram para ser eternos? eu tento esperar pacientemente. tento acreditar na promessa que todo mundo faz — que vai doer menos, que vai desbotar, que vai passar. mas a verdade é que, em vez de passar, você ficou. de um jeito quieto, discreto, quase imperceptível, mas ainda assim, irremovível. e o tempo, com todo seu poder, me lembra que certos sentimentos nunca vão obedecê-lo. eles simplesmente existem, fora do calendário, fora da lógica, apenas persistindo. porque talvez... talvez eles nem queiram ser curados. O jeito é deixar a gaveta trancada e jogar a chave fora !
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