Sala São Paulo
Em meio aos passos elaborados dos anjos, as notas balançam entre o ar gelado e pousam no topo das cabeças. Um suspiro interrompe o ballet e o clima se torna pesado, quente que arrepia e muda pro gelado que queima.
Um suspiro.
Passos mancos, identificam o piso de madeira, que já foi tratado, retocado, pintado e arrumado. Um passo seguido de uma passada e foi assim que os anjos cansaram de dançar, as notas descansaram nos ombros e não quiseram mais rodopiar por entre os ouvidos.
Os anjos sentaram na plateia porque perceberam que deveriam parar de brincar, era hora de ouvir as duras palavras que rasgavam o salão.
Entre arranhões e lágrimas, um vazio se instaura, porque sabe que tem um espaço - e se tem espaço, dá para expandir- e aos poucos, o ar toma forma de onda, uma imensidão de nada te transborda.
Mas os anjos decidem dançar, era hora de sentir o toque leve dos fios entre os dedos, o feixe de luz que atravessa a folha impressa com notas que acompanham os timbres que rondam o tripé que por fim, permanece parado, sem poder rodar junto com os anjos, com as notas e os timbres.














