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Remi Origan, the marvelous kid by *Diosboss
30 - Um conto que contenha a frase “Quando Remi acordou, notou que estava usando um vestido.”
Se tinha uma coisa que Remi se recusava a aceitar, era ser tratado como um usuário de magia comum. Ele tivera todo um treinamento militar com sua tia, um total de 5 anos, onde aprendera a lutar de vários modos. Ele conseguia lutar com pessoas mais velhas corpo a corpo, tinha conhecimento básico de luta com espadas e tinha um machado feito por sua mãe especialmente para ele. Por que então, as pessoas apesar de saberem disso, só se interessavam por sua magia?
Tendo sangue élfico, magias elementais vinham facilmente para ele. Sua maior facilidade era comando sobre ar. Ele usava o ar para impacto ou mesmo vibrações em níveis menores. Mas de forma alguma se restringia à magia comum. Será que não notavam? Quem usa magia elemental precisa de alguma linguagem no começo. Então dá para reconhecê-los pelo livros que carregam. Remi não era assim. Ele não precisava de livros, lembrava de todo palavreado. Por isso tinha um furo com um anel militar em sua orelha esquerda. Treinamento avançado de magia, nível um. Mas lá vinham colegas e mais colegas querendo livros emprestados ou magias pequenas de ajuda. Já chega, vão embora!
Mas aquele dia foi horrível. Darin viera perguntar se a argola que ele usava era realmente a militar e ele confirmou. Darin nada respondeu, entretanto Remi sentiu alguma coisa em sua atitude. Dúvida.
- Quer testar você mesmo? – Remi sorriu amigável, já pensando no que faria com o rapaz magrela.
- Ah, não é necessário. Acontece que nunca te vi com livros de magia ou amplificadores ou condutores... – A cabeça de Darin desceu para o lado a cada exemplo.
- Não preciso deles. Não preciso andar por aí com bijuterias e varinhas mágicas.
- Você é realmente atípico, para um mago.
- Eu não sou um mago!
Os olhos de Darin se arregalaram ligeiramente.
- Eu sempre achei que...
- Achou errado! – Remi já estava incomodado com a conversa – Dá licença que eu vou embora antes que mais alguém pense que eu sou um mago estúpido que fica por aí em roupas estúpidas brandindo uma varinha com estrela estúpida COM UM COLAR DE BRILHANTES ESTÚPI- Ele parou. Sentiu uma intenção assassina atrás dele e Darin parecia chocado. Contudo, antes que pudesse ver ele mesmo o que era, sentiu um golpe na nuca e sua consciência se esvaiu.
Quando Remi acordou, notou que estava usando um vestido. Uma longa peça única amarelo ovo, com uma faixa azul marinho no meio. Ele não falou nada sobre o traje abjeto, pois estava chocado e aterrorizado demais. Levantou da maca em que se encontrava e saiu. Darin estava na sala de espera, sentado e parecendo pálido. Ao seu lado, havia uma elfa alta de cabelos escuros cortados curtos, olhos puxados e rosto repleto de sardas, vestindo uma roupa não muito diferente da sua.
- T-t-tia Elizabeth!!
Ela sorriu para ele gentilmente com a boca, mas o sorriso não chegou aos seus olhos.
- Remi, será que mais cedo escutei o meu sobrinho mais novo falar besteira sobre a tradicional arte da magia?
- S-senhora?
- Estava pensando mais cedo exatamente em chamá-lo para ir a uma apresentação sobre magia que alguns elfos da Ilha dos Reis resolveram fazer aqui, porém vi que não tenho escolha se não levá-lo a força. Você tem uma coisa ou duas a aprender sobre magia, e eu achando que tinha feito um bom trabalho com você. – Ela se levantou, foi até ele e entregou o machado dele. Leve, a lâmina fina e vazada e detalhes discretos no cabo. Achou que isso estava escondido em seu quarto? Encarou sua tia com desconfiança, mas o olhar com o qual ela respondeu o fez baixar a cabeça.
- Sim, senhora – Respondeu baixo.
- E fique feliz que eu não arranjei um chapéu pontudo para você.
Ela cumprimentou Darin com uma aceno educado de cabeça e saiu da sala. Remi olhou para o rapaz loiro e encontrou um olhar de simpatia de volta, como que pedindo desculpas. Ele agradeceu com um aceno e seguiu sua tia, já sem nenhuma vontade de brigar.
29 - Uma lista com os objetos que Darin levou consigo para Polawa.
Entre as coisas de Darin estavam:
- Mudas de blusas, maioria consistindo de blusas verdes de gola alta. Ele compraria mais em Polawa, se necessário
- Mudas de calças, quatro delas. Duas eram mais justas e duas mais folgadas
- 3 cintos de couro
- 2 suspensórios
- 5 capas variadas para sair
- 2 pares de roupas para ocasiões especiais
- 3 pares de botas e mais 4 sapatos
- Roupas de baixo
- Mais meias de seda do que seria sensível
- Uma lança desmontável que seu pai comprara
- Alguns cordões com bolas de pelos, símbolo da família de sua mãe
- Um desenho feito por sua irmã mais nova, que ele usava como marcador de página
- Vários itens de higiene pessoal
- Algumas fitas para cabelo
- Braçadeiras
- Um anel dado por seu avô paterno
- Seu livro favorito, um épico sobre um rei que servia o seu povo em diversas jornadas, desde matando dragões até assando pães
- O baú que carregou tudo isso
- Uma bolsa que ele carregava
- Um relógio de bolso
- Algum dinheiro
E era isso.
28 - Um diálogo sobre Pallas contando um sonho que teve para Darin.
Antes do começo das aulas, de manhã cedinho, pouca gente chegara na sala. Darin sentava em uma das primeiras fileiras, passando o tempo com um livro, olhando às vezes para a porta para ver se alguém mais chegava. Uma das vezes que olhou se surpreendeu em ver Pallas. A garota era responsável e vinha a todas as aulas, porém sempre chegava ligeiramente atrasada. Ela estava com os olhos inchados, como se tivesse acabado de acordar. A princesa soltou um bocejo enorme e sentou-se na carteira atrás dele.
- B-bom dia? – Ele falou baixando o livro.
- Hmom Djah. – Ela respondeu com a cara enterrada na própria bolsa.
- Que raro você a essa hora...? – Ele continuou por pura curiosidade, não conseguiria se concentrar novamente no livro.
- Éhm. – Ela concordou.
- Aconteceu alguma coisa...?
Ela finalmente levantou o rosto, que ficou com marcas vermelhas da bolsa e seu cabelo estava levemente bagunçado.
- Eu tive um sonho.
- Hm.
- Um sonho horrível na verdade – Ela pareceu se animar um pouco.
- Oh? Um pesadelo?
- Não exatamente! Você estava nele também. – Ela começou a falar usando as mãos – havia estátuas enormes em todo lugar e Helissa, Remi e você estavam lá. Elas eram beeeem grandes mesmo! Quatro delas, uma para cada um, então nós deixávamos alguma coisa na frente delas e de repente...
BAAAAAAM!
Darin, sem notar que se aproximara distraído com a história, gritou quando a garota gritou e pulou para trás batendo o cotovelo na sua mesa. Ele segurou o cotovelo e o massageou pela dor repentina e aguda que veio a seguir. Pallas estava gargalhando enquanto isso, dando risadas sem fôlego. As outras duas pessoas na sala encaravam-nos sem exatamente entender o que foi aquilo.
- Desculpe, hah, hahah, desculpe! Você se aproximou tanto que, heh, não pude evitar, hahaha! – Ela pôs a mão no próprio peito e respirou fundo, retomando o ar. – Mas esse foi o sonho. Nossa, estou me sentindo muito melhor, obrigada, Darin.
O rapaz nada respondeu, só acenou com a cabeça e voltou para o seu livro, coração acelerado pelo susto e ao todo ligeiramente ressentido. Precisava fazer alguma coisa, senão viraria para sempre alvo da chacota desses polawanianos.
27 - Um conto que se passa em um dia chuvoso.
Pallas sempre odiou os dias de outono, nos quais sempre havia muita chuva e o céu estava nublado. Era uma garota que gostava de sair ao sol e mesmo atividades que são em geral realizadas dentro de casa ela fazia fora, como ler. Em dias chuvosos ela só podia trabalhar em seus projetos nas suas salas com janelas enormes, feitas para dias claros. Com a chuva, as salas se tornavam opressivas. O que ela mais detestava era que remetiam ao tempo que ela ficou sozinha, meses entre o verão com Helissa e o inverno com Remi. Ainda não sabia como lidar com o sentimento. Naquele dia mesmo, estava chovendo e ela encarava o céu como se pudesse falar com ele. Sua testa estava franzida e sua boca apertada. Depois de alguns minutos fuzilando-o, ela desistiu e estirou a língua para cima. Levantou-se do seu quarto e passou pelos corredores em direção à sala da coroa. Cada janela pela qual passava a lembrava da chuva chocha que batia nos vidros. O barulho a irritava. De que os dias chuvosos serviam se não para dormir ou ficar quieta em algum lugar aquecida? Mais cedo ou mais tarde sabia que ia acabar doida se não pudesse sair ao ar livre e se exercitar.
Alguns corredores depois, ela parou para ver uma sala de estudos e viu Darin e Helissa conversando em uma das mesas quadradas, com Remi adormecido ao lado da garota. Todos tinham um copo de algo fumegante ao lado dos livros que estavam na frente deles. Ela olhou para cima como que pedindo misericórdia às divindades. Agora que os vira tinha vontade de ficar. Entretanto, pensava: “Como vamos conciliar isso? Aparentemente eu sou a única pessoa desse reino que não gosta de chuva”. Talvez seja porque você não tem com quem dividir os dias preguiçosos, uma vozinha respondeu dentro dela. Ela mandou a voz se danar e entrou na sala de estudos, desistindo do local que primeiro decidira ir. Helissa a notou, sorriu e ofereceu uma bebida para ela também. Era chocolate quente que ela mantinha em uma garrafinha. Ah. Pallas se surpreendeu pelo pensamento que passou na sua mente. Talvez ela não odiasse tudo nos dias chuvosos. Sempre havia chocolate quente.
25 - Um conto que começa com “Helissa estava desaparecida há mais de dois dias.”
Helissa estava desaparecida há mais de dois dias. As férias começaram há pouco tempo e Darin tinha despertado o desejo que nesse tempo poderia encontrar-se mais com a amiga. Mas logo na primeira semana, quando perguntou se podiam visitar alguns lugares junto a Pallas e, se fosse realmente necessário, Remi ela recusou com uma desculpa e disse que estava ocupada, logo depois, desapareceu. Darin fora ao quarto dela, vizinho ao seu, e ele estava vazio. Achou que talvez ela tivesse saído, mas então outro dia inteiro se passou sem que ele tivesse notícias dela. A maior parte de seu tempo foi gasto lendo, sozinho, em uma das salas de estudos ao lado da sala de aula. Ele descobriu algumas coisas interessantes sobre os costumes de Polawa e outras coisas sobre os reinos que cercavam o reino. Entretanto, começou a se sentir solitário.
Antes que o terceiro dia terminasse, enquanto lia um livro, finalmente ele deu de caras com alguém conhecido. Pallas entrou na sala em que ele estava e o cumprimentou alegre, perguntando como estavam suas férias até agora. Darin respondeu educadamente, escondendo algumas coisas, mas não encontrou brecha para perguntar sobre Helissa e retornou ao livro um pouco mais triste que antes. Mas antes que pudesse retomar o ritmo de leitura anterior, Pallas falou.
- Estamos pensando em visitar Helissa agora, Remi e eu. Gostaria de ir junto, se não estiver ocupado?
Ele olhou para ela um pouco surpreso.
- Onde ela está?
- Oh? Ela não avisou? – Pallas juntou as mãos enquanto falava. – Helissa passa as férias de verão na casa dela, com o avô.
- Então foi por isso que ela desapareceu?
- Helissa não desapareceu! Ela até me mandou chamar você, não seja tão indelicado.
- Desculpe-me. Eu realmente não sabia.
- Tudo bem, só estou te provocando. – Ela deixou a cabeça inclinar um pouco. – Heh.
- Se importa em esperar um pouco, só vou me arrumar e logo estarei de volta.
- A gente te espera no salão de entrada, sabe onde é que fica, não é? – Ela sorriu dócil.
- Sei. – Ele sentiu o rosto esquentar, mas tinha a certeza de manter um perfil sereno.
- Não se perca. – Ela acenou e saiu.
Darin trocou sua roupa por uma mais arrumada e logo se dirigiu para o salão de entrada. Ele realmente acabou no salão ao lado por engano, mas foi tão rápido em ir para o lugar combinado que duvidava que realmente alguém notasse. Quando encontrou os outros dois, eles sorriram para ele, como se compartilhassem entre si alguma coisa muito engraçada. Ele ignorou.
Sairam para o jardim e ao invés de seguir para estação de trem em frente ao castelo, como Darin esperara, foram aos estábulos. Lá havia algumas carruagens bastante elegantes, porém discretas. Os três entraram em uma preta e uma moça elfa loira assumiu o controle dela. Seguiram em direção ao mar, onde era possível ver, após um amplo bosque, um farol ao longe. Em cerca de 30 minutos de conversas sobre nada em particular (com Pallas, pois Remi estava resoluto em fingir que Darin não estava lá) eles se aproximaram do farol para ver uma grande casa de dois andares ligada a ele. A casa era cercada por um jardim muito verde, com algumas árvores e um canteiro de rosas infestado de fadas,além de algumas heras cobrindo a parede que era visível para eles. Na parede tinham janelas largas e acima delas duas sacadas. Era um local muito romântico, Darin pensou. Eles desceram da carruagem, Pallas indicando à moça de que horas voltariam, e se aproximaram do local. Remi gritou para chamar a atenção das pessoas de dentro da casa e quase imediatamente Helissa saiu por uma das varandas, parecendo muito animada, num vestido floral adorável. Darin se sentiu muito feliz ao vê-la. Logo entraram na casa, através do Farol. O avô de Helissa era um homem de modo agradabilíssimos e vestimenta impecável. O interior da casa era belo e bastante antigo, mas talvez um tanto grande demais, para seus dois moradores. Eles foram para o quarto de Helissa. Era um quarto que parecia de boneca, branco e cheio de rendas. Eles se sentaram para um chá e enquanto conversavam Helissa olhou algumas vezes de relance para Darin.
- O que foi? – Ele perguntou, imaginando se a amiga queria dizer algo como: Senti sua falta, amigo, que ele responderia, sim, eu também, vamos arrebentar agora que estamos juntos. Ao invés disso, ela apontou para o lado de sua cabeça. Darin olhou e uma fadinha estava logo ao seu lado, como que analisando seu cabelo. Darin quase caiu da cadeira de susto.
- Ela deve ter te seguido quando entramos! – Pallas gritou. –Significam boa sorte.
Ele encarou a fadinha e ela tilintou feliz de volta. Quem sabe suas férias seriam interessantes, afinal.
24 - Um conto sobre a vida de um habitante comum da capital.
A capital de Polawa é um centro importante de cultura e comércio de produtos inconvencionais. Há teatros, praças e mercados para visitar. Além disso, para alguns poucos era um ponto turístico admirável. E então, tinham aqueles que viviam no Reino das Fadas. John tinha tão pouco sangue mágico quanto alguém que veio de uma família tradicional de Polawa poderia ter e trabalhava consertando itens variados, numa área residencial. Desde criança sua rotina pouco mudou. Acordar cedo, ligar o seu rádio, cuidar de seus afazeres matutinos e então sair de casa. Morava perto de uma praça de hamadríades e sua família fizera amizade com uma há muito tempo, quando ela ainda era nova e por isso sua casa tinha na frente uma macieira. A ninfa da macieira, que chamavam de Torta de Maçã, sorria para ele desejando um bom dia e ele saía, levando um rádio menor durante sua caminhada. Ficava a tarde na sua loja e daquela forma conhecera sua esposa. Ela era desastrada e sempre fora uma excelente cliente. Então, ao anoitecer voltava e escutava o rádio na frente de sua casa junto a sua família, enquanto viam as luzes de seu bairro acenderem e muitas pessoas fazerem o mesmo. Era uma vida comum e rotineira, mas John nunca desejou nada além daquilo, morreria do mesmo jeito que vivera: tranquilamente.