De vez em quando a sensação que tenho - ou vontade - é de sair do meu corpo, sentar ao chão gelado -que por sinal é sempre meu aconchego preferido- e me observar de fora, com um caderno e lápis na mão. E ali, debruçada sobre minhas pernas cruzadas, me rascunhar como eu gostaria de estar. Talvez eu me colocasse com um vestido rodado, mas somente até o joelho porque detesto algo que impeça meus pés descalços. Ele teria que ser leve, com uma seda pronta para esvoaçar com o convite do vento -nao tenho asas, mas essa sensação me faz acreditar ter. Com uma borracha, apagaria todo o cenário deste meu quarto, anulando as paredes e mobiliários branquíssimos e colorindo com uma paisagem livre e céu completamente amostra. Rapidamente rascunharia uma grama macia, alguma poça onde eu pudesse molhar os pés, e ali me deitaria de costas, apoiada nos cotovelos e admirando cada pontinho brilhante distante de mim. Espera um minuto..distante? Vou pingar estas gotas cintilantes mais pertinho, de maneira que eu possa quase tocar. Na verdade, vou desenhá-las dançando em torno de mim. Ah.. como eu sou apaixonada por estrelas. Talvez até invetaria conseguir guardar algumas no bolso, só pra poder levar pra aqueles que nem se quer notam o brilho acima de si. Ao lado, uma garrafa de vinho, mesmo sabendo da certeza em derrama-lo em meu lindo vestido com meu dom sobrenatural de desastre. E quanto a companhia, daria à lua um nome para torna-la ainda mais intima e, assim, prosearmos a noite inteira em sintonia, com risadas e uma baita esperança de ser uma longa demora para o amanhecer do dia.
Devaneios de Lis.

















