"Sentimentos são complicados. Às vezes, sinto que sou como chocolate quente em uma xícara fumengante. O doce e o meio-amargo se misturam com a ajuda de uma colher, tornando-se um sabor delicioso e viciante logo após o primeiro gole.
Gostaria que essa colher passasse mais tempo me misturando. Gostaria que ela nunca saísse da xícara."
English version
Cena headcanon do episódio 01 após o corte
"Então, essa é a tal Devenementiel?", indaguei em voz alta, para ninguém além de mim mesma.
A empresa não se tratava de um edifício enorme, daqueles que se nota estando do outro lado da cidade, nem marcava muita presença na área comercial, mas sem dúvida era uma construção moderna. Clara, limpa e com muitas janelas rodeando praticamente todo o prédio. Pequena, discreta e ainda assim com uma aparência refinada. Tinha cara de ser um lugar interessante, e eu ainda nem tinha visto a parte de dentro.
Aproximei-me da porta de vidro, espiando o interior, embora não desse para ver muita coisa além de uma recepção bem clássica e confortável. Pelo visto, o escritório ficava no primeiro andar. Não tinha ninguém, eu havia chegado cedo demais. Estalei a língua, cruzando os braços. Poderia ter enrolado mais tempo na cama como todo bom freelancer faz quando não tem pedidos para entregar. Meu turno na loja de discos e outras quinquilharias vintage só começava a tarde, depois do horário de almoço. Não tinha necessidade de ir antes disso, e também não tinha nenhum outro plano elaborado para aquela manhã, então, teria que ficar fazendo hora ali na entrada enquanto esperava a chegada de um dos funcionários.
Alguns minutos se passaram comigo distraída olhando a playlist de recomendações de músicas da semana no Spotify. Se eu não estava trabalhando em um projeto e nem estava em um lugar que me permitia brincar de desempregada desocupada que passa o dia todo de pijama fazendo nada em casa, ver o que outros musicistas estavam aprontando online era um bom passatempo. Nunca deixaria de ser gostoso ouvir as ideias que outros artistas produziam e lançavam com tanta paixão, experimentar um novo tipo de ritmo, buscar inspirações e referências, ser levada por imersão no som vocal ou instrumental de alguém. Tirei os olhos da tela do meu celular por um segunto para olhar mais uma vez o prédio da empresa. Sentia um formigamento por todo o meu corpo, pensando no trabalho que eu poderia fazer para contribuir na parceria que estava prestes a fechar. Nem havia se passado uma semana desde que troquei mensagens com meu único conhecido daquele lugar sobre aquele assunto após receber uma recomendação forte dele.
"Você chegou cedo, Collete.", a voz monótona, porém profunda, de Thomas ressoou atrás de mim. Não contive um sorriso antes de me virar.
"Pensando no Diabo…", brinquei, observando com divertimento sua expressão se contorcendo de um leve ar de tédio para uma feição curiosa. Ele quase sempre se perdia dentro da própria cabeça durante nossas conversas. Já havia entendido que não era por me achar chata, mas sim por, justamente, querer desvendar as minhas palavras. E eu me perguntava seriamente no que ele estava pensando naquele momento.
"O correto não seria 'falando'?", ele ergueu uma sobrancelha. Pelo visto, eu não ficaria sabendo o motivo do seu silêncio daquela vez. Apenas dei de ombros. "Fiquei responsavél por cuidar dos detalhes da parte administrativa para a sua chegada, além da contratação de outra pessoa, o que inclui fazer dois crachás junto com a chave de identifiçação para que nenhuma de vocês duas precise ficar esperando na porta para poder entrar. E como, aparentemente, precisamos madrugar para fazê-los… Aqui estou eu, chegando depois de você.", ele parecia irritado por ter precisado acordar tão cedo após uma longa noite de trabalho enquanto me dava aquela explicação que que mais parecia um desabafo escapando de sua mente pensante. Eu não o culpava. Realmente parecia um porre.
"Fico feliz de não ser a única que teve que se obrigar a cair da cama hoje."
"Em todo caso, mais do que eu, pelo visto.", vi um esboço de sorriso iluminando o seu rosto. Pisquei um olho para ele. "De toda forma, não vai demorar. Já adiantei as coisas, então, você não precisa se preocupar. Venha.", sem me dar tempo para acrescentar mais nada, Thomas abriu a porta, chamando-me para ir atrás dele.
Então, pegamos um elevador e finalmente tive o prazer de descobrir o open space do lugar, que nem se comparava com a fachada moderna. De repente, até comecei a pensar que parecia fria demais para comportar um ambiente caloroso como aquele. Por dentro, era uma completa festa viva de cores, plantas e objetos curiosos. Não tinha nenhuma divisória e com isso, divertidamente, entre duas escrivaninhas vazias, notei que cada mesa não só era enfeitada de maneira bem única, como também possuíam cadeiras bem diferenciadas. Nenhuma se repetia. Podia ser pouco, mas expunha a personalidade de cada um dos funcionários que trabalhavam ali. Thomas me guiou até a mesa mais neutra, a mais organizada e mais sóbria. Sem dúvida era a dele.
"Pode se sentar, não vai demorar.", disse ele de forma mecânica enquanto puxava para mim a cadeira, estranhamente no formato de um golfinho, da mesa ao lado. Era bonitinha, mas parecia tão desconfortável e não prática. Comecei a duvidar da sanidade do dono, ou dona, dela.
"Com todo respeito, eu prefiro ficar em pé, neste caso.", esbanjei um sorriso ladino, sarcástico. Ganhei mais um esboço de sorriso.
"Também não entendo porque as pessoas aqui escolhem outra coisa além do clássico modelo de escritório.", comentou enquanto se sentava na própria cadeira, ligando o computador. "É feito justamente para conforto e bom apoio para a lombar. Daqui a dez anos, todo mundo estará andando com uma bengala, menos eu.", não contive um riso bem humorado. Nunca deixaria de achar uma graça como, às vezes, ele falava aquele tipo de coisa sem um pingo de maldade. Era apenas lógico e direto. "Sua mesa é esta na frente da minha. Você é praticamente honorária, mais ainda assim, o chefe achou que seria melhor se você tivesse uma para sentir que faz parte da casa. Pode escolher um modelo de cadeira para você mais tarde. Tem alguém que sempre fornece móveis para a gente, e a loja dele tem de tudo."
"Longe de mim querer te dar mais trabalho…", comecei, com uma falsa voz mansa, doce. "Mas já que é você quem o conhece, vou deixá-lo cuidar das negociações. Dito isso, qualquer modelo parecido com a sua está ótimo para mim.", ele suspirou pesadamente.
"Muito bem, então eu vejo isso mais tarde."
"Não fique assim…", dei-lhe um soquinho amigável no ombro. "Ser o cara do TI, gerente dos eventos ligados à tecnologia, ficar apertando botões em um teclado o dia todo… Não te dei uma tarefa mais tortuosa do que essas coisas.", brinquei. Ele me olhou quieto por um tempo.
"Você esqueceu de mencionar que também recepciono os novos recrutas.", rebateu simplesmente. Não contive outro riso.
"Ouch.", pus a mão no peito, simulando ter levado um rit. Dessa vez, realmente ganhei um sorriso. Então, ele abriu uma gaveta e pegou uma pasta, suspirando alto. "Concordo com você, papelada é um saco."
"Inacreditável o tempo que perdemos com essas coisas. Todo mundo deveria ter um cartão com chip com todas as nossas informações registradas. Escanearíamos o cartão e pronto. Todas as informações seriam transmitidas diretamente."
"Seria mais prático, é verdade.", concordei, dando de ombros. Nunca havia parado para pensar naquilo. Ele pegou uma caneta de um porta-objetos em sua mesa, olhando-a com dó.
"Enquanto isso, vamos ficar com esses métodos… arcaicos.", soprei ar pelo nariz com sua fala, negando com a cabeça. Ele não tinha jeito.
Pegando a caneta para assinar o contrato após uma rápida passada de olhos, pois eu já havia lido previamente por mensagem, comecei a me lembrar de como nos conhecemos. Pura coincidência. Nós dois precisávamos comprar um novo telescópio do tipo refrator, mais conhecido como luneta, já que o velho estava quebrado. Era o último da loja e estava em promoção. Eu tinha meus motivos para querer, ele tinha os dele. Batemos boca por um bom tempo sob o olhar cansado do vendedor, debatendo sobre, na minha visão, quem era o mais digno de levar. Thomas era sólido, havia chegado primeiro. Quanto a mim, precisava consegui-lo de qualquer forma por motivos pessoais: cumprir uma tradição de promessas feitas ao meu falecido irmão mais velho, observar as chuvas dos corpos celestes que aconteciam todos os anos enquanto bebia uma garrafa de chocolate quente num cantinho especial nosso. Podia ser besteira, ele estava morto, afinal de contas. Não era como se fosse levantar do túmulo para me cobrar aquela pequena promessa que decidi fazer a ninguém e sem propósito nenhum. Mas me fazia sentir mais próxima dele, não queria desistir. No fim, de algum jeito, acabamos dividindo o valor, o telescópio e, na noite da chuva de meteóros, duas garrafas de chocolate quente regadas a pequenas histórias da infância.
Nostalgia. De repente, fiquei com muita vontade de tomar uma xícara daquela delícia açucarada e meio-amarga.
Após fazer a última curvatura do meu nome no papel, Thomas pegou um cartão plastificado na gaveta e o entregou a mim. Era o tal do meu crachá da empresa que servia para abrir a porta do prédio. Prendi uma risada ao notar que ele havia ignorado a foto profissional que enviei e optado pela minha foto de perfil. Simplesmente eu fazendo uma careta: um largo sorriso com a língua de fora. Um dos meus olhos estava fechado e minhas mãos, abertas ao lado do rosto, com os polegares se pressionando contra minhas bochechas. Eu gostava dela.
"Tom…", chamei sua atenção, apontando para a foto. Um sorrisinho brincando em meu rosto. "Isso está mesmo tudo bem?", ele apenas deu de ombros.
"Essa soa mais como você. O chefe não se importa tanto assim com padrões profissionais tradicionais, você vai acabar entendendo isso rápido se já não suspeita.", respondeu simplesmente, fazendo um pequeno gesto com a cabeça para mostrar o próprio open space da empresa. Realmente não parecia muito convencional. "Ele não é do estilo que avalia as pessoas com base nesse tipo de critério."
"Que engraçado… Comecei a sentir que vou gostar bastante de trabalhar aqui."
"Que bom que você pensa assim, porque gastei um bom tempo preparando e editando tudo para a sua chegada. Por outro lado, não entendo o que isso tem de engraçado…", comentou meio reflexivo. "É apenas uma foto sua, podemos reconhecê-la, e você está bonita. Sendo tradicinal ou não, continua sendo um trabalho de escritório, não é a coisa mais emocionante do mundo.", travei num comentário seu.
"Você me acha bonita nessa foto?", ingaguei com uma sobrancelha erguida, exageradamente curiosa com sua resposta para aquela questão. Conhecia-o há quase um ano já, entendia bastante bem como a cabecinha dele funcionava, modéstia pate. Mas, às vezes, ainda tinha dificuldade de diferenciar quando ele estava sendo apenas lógico de quando estava sendo sincero. Se é que havia diferença entre os dois adjetivos.
"É uma constatação.", deu de ombros mais uma vez. "Seus traços são simétricos, seus olhos são grandes e seus dentes são bem alinhados. São parâmetros geralmente associados à beleza."
Desta vez, não prendi minha risada. Thomas Rheault era, sem dúvida nenhuma, uma incógnita. Uma que me fasinava muito. Se aquilo foi mesmo um elogio, com certeza foi o menos comovente de todos que já ouvi na vida. Ao mesmo tempo, parecia tão a cara dele que eu não poderia evitar de levar a sério. Talvez não fosse isso, talvez eu estivesse pensando demais. Era sempre assim quando se tratava dele.
"De qualquer forma, por curiosidade, que tipo de pessoa exatamente é esse tal chefe?", indaguei, retomando o assunto. Era verdade que não tinha tido muito contato com ele. Fui recomendada pelo Thomas a trabalhar ali na organização de um evento ou outro, gostava da minha independência profissional, mas todos os detalhes que envolviam as chatas burocracias foram resolvidas por mensagem. Minha interação com Devon Okere, o Big Boss, resumiu-se numa rápida conversa por telefone que mal passou dos 10 minutos. Ele havia me parecido ser um mistério, ou simplesmente despreocupado demais. No entanto, estando ali, notava que, além de um ambiente livre e descomplexado, tinha também muito zelo. Como freelancer, eu bem sabia como poderia ser complicado manter uma pequena empresa, ainda mais um escritório físico. Então, estava bem curiosa com tudo.
"Eu diria que ele é do tipo instintivo. Enquanto funcionar para ele, ele não tem exatamente motivo para mudar de método.", Thomas meneou com a cabeça, e então olhou para o relógio, depois para o contrato assinado e, em seguida, para mim. "Bom, está feito. Os outros não vão demorar para chegar, se quiser ficar para conhecê-los ou dar uma volta por aí… Enfim, você tem passe-livre aqui a partir de agora."
"Uhm…", pensei um pouco, passando a língua pelos lábios. Eu realmente não tinha nada melhor para fazer, que mal faria explorar um pouco? Além disso, um lugar como aquele realmente dava vontade de ficar mais tempo. "Acho que vou dar uma volta, sim. Mas principalmente, gostaria de saber se aqui tem alguma cozinha. Preciso muito molhar a garganta."
Inesperadamente, ele deu uma risadinha e se levantou de sua cadeira, ficando bem de frente para mim, obrigando-me a erguer a cabeça. Thomas era só um pouco mais alto do que eu, mas durante toda a conversa, vi-o de cima por estar de pé e ele sentado. Agora, no entando, e tão de repente, senti-me um tanto pequena e desestabilizada. Não sabia o que esperar. Nem sabia porque me sentia assim, como se algo devesse acontecer. Soava tão clichê.
"Claro, sinta-se em casa. Aliás, eu estava pensando na mesma coisa…", retomou, acordando-me de meu pequeno transe. "Se quiser, posso te pagar uma bebida de boas-vindas.", ofereceu educadamente.
"Ah, vou adorar, com certeza!", exclamei, de volta aos trilhos. Melhor do que matar a sede, era ter esse desejo sendo patrocinado por alguém.
"A máquina de bebidas fica na copa, vem.", chamou já se afastando, a sombra de um sorriso flutuando em seus lábios. Aprecei-me em segui-lo. "Podemos chegar lá passando pela área de descanso."
Tal qual o open space, aquela área era encantadora. Grande, bem ilumidada e com cores vivas saltando aos olhos. Vários puffs, nos quais eu até adoraria me esparramar, estavam dispostos pelo lugar juntamente de cadeiras suspensas penduradas no teto por uma corrente. Isso para não mencionar a bela vista que as grandes janelas que iam de cima a baixo proporcionavam. Eram apenas prédios, sim, mas comecei a imaginar um cenário noturno com uma ou outra luz colorida ainda acesa do lado de fora. Mal via a hora de poder descansar ali.
"Cara, esse lugar parece um sonho!", exclamei maravilhada.
"É, é o que a maioria diz. Mas vou te mostrar uma outra coisa legal de verdade…", disse simplesmente, atiçando minha curiosidade.
Segui-o mais uma vez rumo à área adjacente, a copa. De primeira, pareceu algumas das cafeterias hipsters que eu adorava visitar. Mais um lugar bastante aberto, um lugar com muitas plantas, até no teto, alternando-se entre luminárias. No centro, uma grande mesa redonda com uma árvore no meio e cadeiras giratórias vermelhas em volta. Próximo as janelas, pequenas mesas com bancos que seguiam o mesmo padrão. Era um lugar muito bonito, de fato, mas não entendi o porquê do Thomas achá-lo mais impressionante até eu conhecer a famosa máquina de bebidas.
"O que você vai querer?", perguntou na lata.
"Deixe-me ver o que tem primeiro…", retruquei enquanto dava uma olhada rápida nas opções que a máquina oferecia.
"Não espere ver coisas exóticas ou inovadoras."
"Não, eu sei. Falo isso apenas para ver o que me dá vontade.", dei de ombros, e então vi exatamente o que precisava ver. Adorava quando a vida se tornava tão conveniente ao ponto de unir o útil ao agradável. "Um chocolate quente, por favor.", o ruivo sorriu levemente. Talvez esperasse aquela minha resposta.
"Boa escolha…", ele pegou o celular do bolso e digitou algumas coisas, então, como que obedecendo a um comando, a máquina começou a funcionar. Thomas me olhou com um brilho cheio de orgulho no olhar e, imediatamente, captei que aquilo era obra dele. Por fim, pegou o copo cheio e colocou a tampa para me entregar. "Pronto, um delicioso chocolate quente gratuido saindo!"
"Valeu!", dei-le uma piscadela de cumplicidade, estendendo a mão para adquirir meu pequeno vício.
Quando peguei o copo, meus dedos ficaram por cima dos dedos dele. Seu olhar cruzou o meu antes de imediatamente se virar para outra direção e ele ficou paralisado por um instante, os olhos voltados para o chão ou qualquer outro lugar que não fosse o meu rosto. Manti meu olhar firme, queria tanto desvendá-lo, saber no que estava pensando naquele momento. Concentração. Podia não saber ler mentes, mas era boa em perceber os pequenos sinais.
Os segundos não pareciam mais passar, seu olhar subiu para o copo que nós dois segurávamos. Suas bochechas ficaram levemente rosadas, ele franziu as sobrancelhas. Adorável. Podia afirmar tranquilamente que a pequena ruga que surgiu em sua testa não era de contraditoriedade. Talvez só estivesse confuso, brigando consigo mesmo em pensamento. Suas belas íris turquesas se voltado para as nossas mãos e indo de um lugar a outro em movimentos rápidos.
Ah, eu realmente não queria entender as coisas da forma errada, ou muito menos me precipitar. Mas olhando para ele daquele jeito, não conseguia evitar de sonhar um pouco enquanto observava os cachos ruivos que caíam pelo seu rosto que possuíam algumas poucas e charmosas sardas sobre o nariz, os olhos que, sutilmente, oscilavam entre um azul e um verde intensos.
Clichê. Clichê. Clichê.
De repente, ele soltou o copo nas minhas mãos e tossiu para limpar a garganta, recompondo-se como se acordasse de um trase, puxando-me também do meu. Tudo pareceu, então, ficar constrangedor, como se tivéssemos ficados presos naquela cena por mais tempo do que o necessário. Também precisei pigarrear.
"Está tudo bem, Thomas?", eu precisava saber, estava ávida. Ele me encarou mais uma vez. Inacreditável como seus olhos eram hipnotizantes. Dei-me um tama mental, buscando concentração. Tinha mesmo que me controlar melhor.
"Está, sim… Tudo bem.", murmurou em um tom reflexivo. "Não foi nada, é só que… Eu não esperava que houvesse um… contato.", ele realmente deveria ter ficado confuso até consigo mesmo dessa vez.
"Ah! Desculpe, eu não queria que…", dei um sorriso nervoso, buscando as palavras com calma. Eu queria sim. Mas isso ele não precisava saber ainda.
"Não faz mal.", interrompeu-me de um jeito natural. Sorri mais tranquila, e ele me devolveu o gesto, também fazendo mais um pedido à máquina, uma bebida que não consegui ver qual era, mas que ele logo deu um gole quando a obteve.
"Tom… Valeu mesmo…", agradeci, apertando o copo quentinho pela bebida em minhas mãos, buscando mudar de assunto também o mais rápido possível. "Mas me diz, você tem um aplicativo para controlar essa máquina? Como funciona?"
"Eu o desenvolvi para não pagar mais pelas bebidas. O aplicativo faz a máquina acreditar que eu paguei, e ela me serve o que eu peço.", explicou de forma automática e simples, dando de ombros como se aquilo não fosse grande coisa. Ergui uma sobrancelha. Às vezes, eu esquecia como ele podia ser pilantra.
"E ninguém vê problema nisso, espertinho?", sorri ladina.
"Não…", ele meneou com a cabeça, dando de ombros. "Na verdade, depois que eu desenvolvi o aplicativo, o Devon me explicou que tudo já era gratuito. Tem a partezinha para inserir as moedas, mas é… uma estrutura vestigial. Nunca pensei em tentar pedir sem pagar. Tenho bastante dinheiro em moedas lá dentro, aliás. Preciso me lembrar de baixar um curso para destrancar fechaduras. A menos que você seja especialista no assunto…"
"Posso dar um jeito, sim… Se você me der metade como pagamento.", negociei, metida a esperta. Ele me julgou com o olhar, e eu apenas dei de ombros, pondo a língua para fora. Sou freelancer, quem não chora, não mama. "Como você prefere que seja feito o serviço? Tem o chato jeito convencional, utilizando ferramentas, e…", fiz suspense. "O jeito baguçado, no qual eu explodo a porta. Se ninguém ligar para isso, no caso."
"Não é a solução mais elegante…", ele fez uma expreção mínima, porém muito engrçada, de desgosto. Tive que rir. "Eu ficaria incomodado com a ideia de estragá-la, então, fiquemos com a solução convencional dessa vez."
"Combinado, então."
"Bom…", ele varreu rapidamente os olhos pelo lugar após o término do assunto. "Preciso ir começar a trabalhar, ou essa pausa para o chocolate tende a ficar mais longa do que o previsto. A gente se fala depois, bom tour para você."
Sem esperar uma resposta, ele voltou para o open space. Demorei alguns segundos até decidir ir atrás, mas não exatamente até a sua mesa e nem para a minha. Dar uma volta pelo lugar talvez ajudasse minha mente a se distrair. Eu estava ferrada. E já havia um tempo desde que constatei aquilo. Sabia muito bem o que aqueles meus desejos pela sua atenção significavam. Todos já casaram de ver essa novela nos fimes, séries, desenhos, jogos e livros. Era assustador. Ele, no entanto, com certeza classificaria como ilógico, eu tinha certeza.
Suspirei pesadamente, bebendo mais um gole do meu chocolate quente, esperando que o doce e o amargo ajudassem a lavar a minha alma, encobrindo aquele sentimento complicado por mais algum tempo. O curto tempo até que meus olhos dourados cruzassem com seus olhos turquezas e todo aquele chichê voltasse à tona de novo.
An Archive of Our Own, a project of the Organization for Transformative Works
Chapters: 1/1
Fandom: Shingeki no Kyojin | Attack on Titan
Rating: Explicit
Warnings: No Archive Warnings Apply
Relationships: Levi/Eren Yeager, Levi & Eren Yeager
Characters: Levi (Shingeki no Kyojin), Eren Yeager, Jean Kirstein
Additional Tags: Ererictober, Ererictober2020, Alternate Universe - High School, Non-Traditional Alpha/Beta/Omega Dynamics, Top Levi (Shingeki no Kyojin), Bottom Eren Yeager, Omega Eren Yeager, Beta Levi (Shingeki no Kyojin), Cock Piercing, First Love, Unrequited Love, Not between our main pair, Crossdressing Eren Yeager, because I love him in skirts, Boys in Skirts, Beta/Omega, Based on a Netflix Series, Based on Love Alarm
Summary:
Em um mundo em que os sentimentos de seu crush estão na palma de suas mãos, o ômega Eren Jaeger precisa lutar contra um alfa que se autointitula seu, enquanto é fodido às escondidas nos armários de limpeza do colégio.
Baseado na série da Netflix e no webtoon “Love Alarm”, criado por Cheon KyeYeong.
Para o dia 23 do Ererictober 2020!
english version - masterlist - foi pedido para que eu traduzisse um scenario, mas não sei escrever muito informal sem ficar feio aos meus olhos, me mandem um feedback sobre a linguagem, se tiver muito formal eu edito
Você estava vivendo um sonho. Desde pequena você sonhava em ter uma bebezinha, “Quero chamá-la de Lucia” você dizia aos seus familiares. E o seu noivo, Jay, ele é o noivo perfeito. Você o conheceu à alguns anos atrás por alguns amigos em comum. O jeito o qual Jay reagiu quando descobriu que você estava grávida foi o mais sincero. Ele ria, a abraçava e girava em seus braços, “Esse é o dia mais feliz da minha vida”.
Tem sido uma gravidez dificil. Desde o inicio você sabia que era algo de risco e se cuidou desde o primeiro dia, melho do que nunca. Jaebum te ligava todos os dias apenas para perguntar se você estava bem, te dizendo que não podia fazer nada além de deitar e assistir à filmes. Você tem se sentido enjoada desde o primeiro mês, todos os sintomas aconteceram de ser piores com você, tão ruins que não conseguia se lembrar da ultima vez que dormiu bem.
Mas agora você já está com seis meses. Ainda sim era dificil mas só de sentir a pequena lucia chutando sua barriga já te acalmava. Seu quarto já estava pronto, a festa de revelação do sexo foi incrivel, quase um sonho. Jay cancelou tudo que tinha em sua agenda para os próximos tres meses. Ele quer estar contigo dia após dia, aproveitando o inicio de sua jornada como pai. “Você será o bebê mais sortudo so mundo” ele dizia enquanto acariciava sua barriga.
Era outra quarta-feira chata em sua vida. Você e Jay estavam deitados no sofá enquanto assistiam à um desenho aleatrio, “eu quero sair” você disse o olhando, “Eu não quero que você saia” ele respondeu, “Ainda assim, estou entediada, você não esteve deitado pelos ultimos seis meses como eu estive” você começou a discussão, “Amor, você sai praticamente sempre, não seja dramatica” ele defendeu-se, lhe fazendo ficar um pouco aborrecida, “Então eu irei sair sozinha” você disse levantando-se do sofá e andando até o quarto.
O que você não havia percebido era que sua pressão havia caido, e, de repente, você viu tudo ficar preto, “Jay” você gritou e ele correu para socorre-la, “Estou aqui amor”, jay não sabia o que fazer, então ficou nervoso, “Me leve para o quarto, pegue sal e agua para mim, rápido” você o guiou vendo seu nervosismo.
Ele rapidamente te pegou no colo e a colocou na cama, você ainda tentava respirar o máximo possivel, mas ainda sentia um sentimento de que iria desmaiar a qualquer momento, “Rápido jay” você o apressou e, em alguns segundos, ele lhe trouxe o que você pediu. Você o pediu para por sal debaixo de sua lingua e agua gelada no pescoço e pulsos, “Estou aqui com voce amor, fique comigo ok?” você ouviu-o dier enquanto sentia suas mãos geladas pelo seu corpo. A sensação não estava passando, então você decidiu deitar e pegar mais sal, Jay agora estava sentado ao seu lado, com as mãos agarradas com as suas como se nada mais importasse, “Estou melhorando” você disse, e então ele respirou aliviado, “Tem certeza?” ele perguntou e você o assegurou, “Obrigado pela rapidez” você disse, “Eu estava tão assustado, me vi em uma situação desconhecida e não sabia o que fazer” ele confessou e você o acalmou, “Lucia acabou de chutar então acho que está tudo bem”, “Não teime comigo de novo, você acabou de ver que eu estava certo, você e a nossa bebê irão descansar e eu irei ligar para o médico” ele disse, quase como uma ordem, fazendo você rir, “Você é o melhor futuro marido que eu poderia ter”.
Chapters: 1/1
Fandom: Merlin (TV)
Rating: Teen And Up Audiences
Warnings: Creator Chose Not To Use Archive Warnings
Relationships: Knights of the Round Table & Merlin (Merlin), Merlin & Arthur Pendragon (Merlin), Kilgharrah & Merlin (Merlin)
Characters: Merlin (Merlin), Arthur Pendragon (Merlin), Kilgharrah (Merlin)
Additional Tags: Merlin is world weary after 1500 years waiting, Merlin está esgotado do mundo depois de 1500 anos esperando, Missing Arthur Pendragon (Merlin), Arthur Pendragon (Merlin) está sumido, e o Merlin sente a falta dele, merlin in the modern world, merlin no mundo moderno, more on the author's notes, mais nas notas da autora, No Beta, sem beta, Immortal Merlin (Merlin), Post-Canon, depois do canon, Lonely Merlin (Merlin), Merlin (Merlin) está solitário, Angst with a Happy Ending, Angústia com final feliz, Post-Canon Fix-It, ou o pós-final que deveria ser
Series: Part 2 of BR Portuguese Version | Versão Brasileira
Summary:
"Bem-vindo à Taverna Real! Quem você gostaria de ser hoje — Percival, Gwaine, Lancelot, Elyan, Leon ou o próprio Rei Artur? Ou talvez você prefira a Lady Morgana ou sua fiel criada, a futura Rainha Guinevere? Por favor, explore o melhor da culinária de Camelot, nossos famosos torneios e, é claro, a hospitalidade do tronco. Se tiver sorte, poderá até mesmo ver Merlin, o criado sorratero do rei. Ele já foi acusado de praticar magia tantas vezes, mas, para nossa sorte, nunca morreu na fogueira. Cuidado com o espírito do Rei Uther! Dizem que ele ainda assombra os salões do reino. E se você adoecer, Gaius, o médico da corte, cuidará de você. Me diga, qual é o veneno de hoje? Quero dizer, o que você vai beber, bom senhor, ou seria boa senhora?"
This is the Portuguese version of The King's Tavern (Welcome Home). Essa é a versão em português da minha fic The King's Tavern (Welcome Home).
Chapters: 1/1
Fandom: John Wick (Movies)
Rating: Not Rated
Warnings: No Archive Warnings Apply
Relationships: John Wick/Death, Helen Wick/John Wick
Characters: Death - Character, John Wick, Daisy (John Wick), Helen Wick, Iosef Tarasov
Additional Tags: Song: Think (Kaleida), inspired by song lyrics, inspirada na letra de uma música, John Wick was married to Death first, John Wick foi casado com a Morte primeiro, She was kind enough to share him with Helen, Ela foi gentil o bastante em dividí-lo com a Helen, Mentioned Helen of Troy (Ancient Greek Religion & Lore), Helena de Troia (mencionada), Helen Wick & Helen of Troy, essa é uma versão brasileira da minha fic em inglês
Summary:
This is the Portuguese version of Soon, my love (Think of me). Essa é a versão em português da minha fic Soon, my love (Think of me).
John deve a Ela um pedido de desculpas. Iosef será.
ou uma perspectiva alternativa para a cena da boate, explorando o relacionamento entre o Bicho Papão e a Morte.