Você acha que posta por livre e espontânea vontade? meu bem, a gente precisa conversar sobre o enxame!
Alerta de spoiler: você não é uma pessoa opinando na internet! você é uma abelha num enxame digital, e não tem rainha nessa colmeia, só caos organizado pelo algoritmo!
Para, respira! antes de continuar rolando, eu preciso te fazer uma pergunta que vai incomodar: quando foi a última vez que você ficou com raiva de alguém que você nem conhece, por causa de algo que leu numa rede social?
Pode responder em silêncio, eu sei que não faz muito tempo.
Pois bem, existe um filósofo coreano chamado Byung-Chul Han que escreveu um livro chamado No Enxame, e ele explica exatamente o que acontece ali. A internet não criou uma sociedade mais conectada e solidária como prometeram nos anos 90. Ela criou um enxame digital. Um bando de indivíduos isolados, cada um na sua tela, que de vez em quando se juntam pra destruir alguém coletivamente e depois somem sem deixar rastro.
Diferente das multidões clássicas que a gente aprende na história, aquelas que tinham causa, líder e identidade coletiva, o enxame digital não tem nada disso! ele aparece, faz o maior estrago e some antes que você termine de digitar! E no dia seguinte, todo mundo já foi pra outro assunto como se nada tivesse acontecido.
Isso tem um nome: shitstorm. Que é quando um monte de gente se junta, quase ao mesmo tempo, pra atacar alguém (ou uma empresa, ou até uma ideia) com tanta rapidez e intensidade que não dá nem tempo de se explicar. E o mais assustador? essa onda de raiva coletiva nem sempre precisa de um motivo real, às vezes basta um gatilho emocional pra tudo explodir.
Mas espera, que tem mais ...
É aí que entra Santaella (2018), explicando a engrenagem por trás disso tudo. O algoritmo nunca te desafia, ele aprende o que você quer ver e te serve mais do mesmo, prendendo você numa bolha de filtro, e o resultado? você e seu vizinho usam a mesma internet e vivem em realidades completamente diferentes!
E quando a bolha encontra o enxame, nasce a pós-verdade: um ambiente onde não importa se algo é verdadeiro ou falso, importa se aquilo te faz sentir alguma coisa. A mentira, turbinada pelo algoritmo e amplificada pelo enxame, viaja numa velocidade que nenhum fato consegue acompanhar.
E é justamente nesse cenário que entra um ponto quase irônico: a mesma tecnologia que alimenta esse caos também pode transformar a forma como a gente aprende. No texto "APP-EDUCATION" os autores destacam que o celular que o professor manda guardar, usado da forma correta, pode ser um espaço de colaboração real, como grupos de estudo e suporte fora do horário de aula. Isso tudo isso já existe e funciona.
Um exemplo real disso foi em 2016, que segundo Porto, Oliveira e Chagas (2017), estudantes secundaristas ocuparam escolas por todo o Brasil contra a reforma do ensino médio, e o WhatsApp foi a espinha dorsal de toda aquela organização.
Cada aluno fazia a ponte entre o que acontecia dentro das escolas ocupadas e o resto do movimento, em tempo real, de graça, na palma da mão! O mesmo aplicativo que seu tio usa pra mandar corrente conspiratória no grupo da família foi o que conectou uma geração inteira numa das maiores mobilizações estudantis da história recente do país.
Fofoca ou revolução? depende de quem segura o celular. A tecnologia não é boa nem má, ela é o que você decide fazer com ela!
E essa meu bem, é a maior fofoca acadêmica que alguém pode te contar! A pergunta que fica é: você está usando a internet, ou a internet está usando você?
Quem sou eu? esse segredo eu não conto pra ninguém. vocês sabem que me adoram... xoxo ;*













