Você cria, posta, compartilha... mas quem está no controle dessa história?
Para, respira! Antes de continuar rolando a tela, deixa eu te fazer uma pergunta honesta: você já parou pra pensar que a cultura que você vive tem nome, sobrenome, e um algoritmo que sabe mais sobre você do que você mesmo?
Santos, Alves e Oliveira (2018) colocam o dedo na ferida logo de cara quando afirmam que as mudanças culturais e sociais dos últimos tempos desencadeiam consequências diretas nas nossas vidas e que a Cibercultura ainda é, para a maior parte das pessoas, desconhecida.
Em outras palavras: a gente vive dentro de algo que não entende, e isso tem consequências sérias.
E o que exatamente é essa Cibercultura?
Os autores explicam que ela não surgiu do nada, foi o resultado de uma longa transformação: da cultura oral para a escrita, da impressa para a de massas, das mídias para o digital.
Cada era acumulou a anterior, como camadas. Mas é na última camada, a digital, onde as coisas ficam mais complexas e mais perigosas do ponto de vista da nossa autonomia. Porque agora, nossas pesquisas, gostos e preferências geram algoritmos a favor das empresas que dizem e fazem exatamente o que nós queremos consumir, ver e ouvir.
E o detalhe que a maioria ignora: para as empresas, não somos usuários, somos algoritmos. Isso não é exagero de texto acadêmico, é literalmente o que acontece cada vez que você abre uma rede social.
O sistema foi desenvolvido para dar ao usuário o que ele deseja a partir dos seus interesses, ensinando a máquina a te conhecer melhor do que você conhece a si mesmo. E o resultado prático disso, segundo os autores, é que vivenciamos uma maré de Fake News que passa de dispositivos em dispositivos na velocidade da luz, sem mencionar a possibilidade de dar voz e vez a discursos de ódio.
O mesmo espaço que prometeu nos libertar acabou criando novas formas muito eficientes de nos prender.
Mas aí entra a virada, porque enquanto o sistema nos estuda e nos encaixota em perfis de consumo, existe um grupo de pessoas que percebeu o jogo e resolveu usá-lo ao contrário!
Gonçalves (2012) pesquisou coletivos de artistas e ativistas no Brasil e na França e encontrou grupos cujas ações consistem em atos efêmeros e pontuais que questionam não apenas o circuito instituído de exposição-público-mercado, mas também o próprio ser da arte no contexto do social.
É o artivismo: sem líder fixo, sem carteirinha, movido por um associativismo que se dá em um regime de impermanência, de contrato flexível. Na França, artistas criaram sites clones do Google ironizando como o buscador virou um deus moderno. Arte, ironia e crítica tecnológica numa jogada só.
E por falar em criar coisas que fogem do controle do criador… Conceição e Porto (2020) trouxeram Frankenstein pra essa conversa e a leitura é desconfortável da melhor forma: a saga de Victor Frankenstein para desfazer o seu ato criativo foi muito mais dolorosa do que o fascínio em criar uma vida, e nisto a Ciência tem muito o que aprender.
Onde está o Victor Frankenstein da era digital? Quem lançou as plataformas sem calcular que a criatura tomaria vida própria?
A criatura existe e o criador sumiu.
Santos, Alves e Oliveira (2018) propõem que sejamos mais críticos e comprometidos com o que liberamos e compartilhamos na web, protagonistas de nossas próprias histórias, usando a Cibercultura para criar, recriar, colaborar e aprender, e não apenas para ser estudados por algoritmos que nos vendem de volta os nossos próprios medos.
E você, meu bem, está no meio disso tudo, com um celular na mão e uma escolha a fazer. A questão é: o seu monstro digital ainda obedece você?
E quem sou eu? esse segredo eu não conto pra ninguém. vocês sabem que me adoram... xoxo ;*














