menções: @lcvrboy, @skyeween, @maldoniastar, @roseween e @cachorrao.
Manter-se feliz e otimista era uma verdadeira façanha, não importava o quão ruim fossem os acontecimentos, December sempre conseguia restaurar sua alegria em algum momento. O equinócio de outono lhe deixou animado e entusiasmado. Por ser um grande amante de tradições, afinal ele era filho do Papai Noel, estava mais do que empolgado com a retomada daquela. Era a oportunidade perfeita para espalhar alegria e criar memórias felizes. Um momento oportuno para unir as pessoas diante das incertezas e desafios que vinham aparecendo. Dee queria aproveitar o máximo que pudesse do evento e da companhia de seus amigos.
Um espírito alegre e otimista como December jamais deixaria passar a oportunidade de acender uma lanterna e lançá-la aos céus. Sua natureza generosa o leva a fazer desejos para o bem-estar de seu pai, amigos e de Tremerra como um todo. Acompanhado de Tiê, ele escreve seu pedido e usa um pouco de seu poder de animar objetos para ajudar a lanterna subir rumo aos céus.
Por adorar estar entre as pessoas, Dee aproveitou a oportunidade não só para assistir alguns dos filmes como também para socializar. Num momento de susto acabou abraçando Skye, afinal estavam mais do que acostumados a isso, o capitão dos leões era seu travesseiro favorito quando estava carente.
Caiu na risada quando passou com Eva por alguns alunos que estavam assistindo um dos filmes que estavam sendo exibidos, o susto que eles levaram foi muito engraçado. Era simplesmente maravilhoso poder passar momentos divertidos com seus amigos.
Com curiosidade e entusiasmo, December decide experimentar um dos doces. Escolheu um sem saber o que aconteceria e deu uma mordida, para sua surpresa, desenvolveu orelhas de elefante. Riu de si mesmo sem qualquer preocupação e quando notou Rose passando próximo a si começou a fazer imitações engraçadas de elefante. Os dois adoravam se aventurar por aí, adorava o senso de humor da Hearts.
O primeiro sinal de que havia algo errado foi notado com o apagar da fogueira. December ficou em estado de alerta, os olhos percorrendo todos os lados, afinal ele era um membro do esquadrão vil. Notou as lanternas caídas no chão intrigado, a mudança súbta na atmosfera não permitiu que sua atenção continuasse nas lanternas, não quando Jhon apareceu e um arrepiar macabro lhe percorria a espinha.
Choque e preocupação se misturavam dentro de si, o deixando inquieto. Os calafrios se apresentaram ainda mais fortes conforme ouvia as palavras perturbadoras de Thatch. Eles eram amigos, afinal Dec adorava birutices. Só que… o rapaz não soava como de costume. Aquela voz sobrenatural e sombria soava em sua mente deixando-o num atordoamento quebrado que nunca antes havia sentido, um presságio gelado de morte e horror parecia escorrer lentamente por todo seu corpo. As palavras ecoavam em sua cabeça, mas apesar de ser inteligente, December não conseguia compreendê-las. Sentia-se confuso e assustado.
Não estava raciocinando direito, apenas sentia o ímpeto de chegar até o jovem Tatcher. Paralisou quando ouviu um som animalesco em algum lugar atrás de si, virou-se de imediato e viu Low se transformando, um aluno olhava para o lupino assustado e Dee não pensou duas vezes, simplesmente se lançou em direção aos dois para impedir que outra catástrofe acontecesse.
O aprendiz só não contou que poderia ser atacado pelo filho do lobo. Sentiu a pele da face rasgar e arder com o arranhar das garras. Um silvo de dor escapou do fundo de sua garganta com a mordida na perna direita, grossas lágrimas escaparam de seus olhos, fazendo com que os cortes no rosto ardessem ainda mais. O medo e a tristeza o tomaram e foi nesse instante que o lobo parou seu ataque.
A mente do jovem North nublou, uma mistura de preto e vermelho se apoderou de sua visão. Morrer era assim então? Foi seu último pensamento antes de apagar.
A luz incomodava e December se debatia sobre a maca da enfermaria. "Sei que tenho que ir pra luz, mas essa coisa tá me cegando" resmungou abrindo os olhos com dificuldade. Percebeu onde estava e suspirou de alívio, pelo menos ainda estava vivo. Se estava inteiro já era outra história, apesar de corajoso, ele não quis se apalpar ou verificar de alguma forma os estragos feitos.
Sua cabeça latejava e mesmo assim se forçou a lembrar de tudo o que aconteceu, principalmente do que John havia dito. A preocupação veio como um soco no instante em que compreendeu que haviam sido ameaçados em forma de alerta, vidas seriam ceifadas! Não importava quanta dor sentisse, a determinação que se apoderava de seu interior era imparável. Descobriria quem estava por trás daquela ameaça sinistra ou pelo menos uma forma de quebrar aquela profecia, se é que era verdade, não que duvidasse, mas precisava de mais informações. Se uniria com outros alunos pela busca da verdade. Não havia como ignorar o mal que ameaçava a todos.
Descrição sempre foi algo importante para Akos, ao contrário do que alguns gostam de pensar - não que ele se importe com o que pensam - chamar atenção não é o seu forte. No entanto, há um motivo ainda maior para ele se tão discreto, principalmente em suas investigações, poupar e proteger aqueles que lhe são importantes. É por isso que não há vestígios da Doomsday em seu macwish e todas as informações que consegue investigando nas redes e na magitech ficarem em uma nuvem escondida e clandestina.
Apesar de tomar todos os cuidados necessários, seu sangue não deixou de gelar quando encontrou a porta de seu dormitório aberta e alguns defensores lá dentro. Não que estivesse com medo, porém, claramente aquilo não era um bom sinal, principalmente depois de pedirem para que ele os acompanhasse.
Mais tarde naquela madrugada o Porter se daria conta do que tinha realmente acontecido e aquilo só contribuiria ainda mais para sua fúria. Vou explicar melhor para você meu caro leitor, o incêndio no Tiana’s Place é de conhecimento geral, assim como a fonte do problema que estava inibindo o uso de magia para apagar o fogo: um dispositivo MagiTech. O que ninguém sabe é como o invento foi parar lá... sem contar as coisas que andam acontecendo em Storydom e a novela que foi a organização do novo conselho. É necessário mostrar serviço, o fato de Akos ser um ex castigado e demonstrar sempre sua aversão a algumas famílias tradicionais arthurianas, fora sua profunda amizade com muitos castigados claro, tudo isso o colocou como um suspeito sem que ele soubesse. O fato dele trabalhar na MagiTech também contribuiu. Os defensores realizaram uma caça às bruxas e a bruxa incriminada foi justamente o Porter. Não, não encontraram qualquer vestígio da Doomsday em suas coisas, nem nada que o incriminasse em relação ao incêndio. No entanto... não seria uma grande surpresa descobrir que alguns defensores eram fiéis a Fada Madrinha e ela daria um jeito na memória deles depois. Akos falhou em esconder os vestígios de suas investigações e foram encontradas fotos da Fada Madrinha na Fairest em seu macwish, ele ainda não tinha descoberto o motivo real da Fada ir lá, mas conseguia imaginar.
As fotos foram o suficiente para colocá-lo na mira da Fada e de Charming que não demoraram para acusá-lo de ser cúmplice no incêndio ao Tiana’s. No dia seguinte a manchete no bibidinews revelaria que foram encontrados vestígios de que teria sido o Porter a colocar o dispositivo da Magitech no restaurante e por isso Akos havia sido preso, para que pudessem investigar melhor. Ao menos não houve menção dele envolvido com a Doomsday. O que no fim se revelou uma estratégia da Fada, provavelmente desde o início ela queria forçá-lo a ser espião para ela.
O Porter percebeu a armação quando foi acordado com um balde de água fria em sua cela no isolamento naquela madrugada. A Fada e o Charming os olhavam através de um telão, afinal não havia necessidade de se darem ao trabalho de irem até ele pessoalmente. Ameaças e tortura psicológica vararam madrugada a dentro sem qualquer resultado. Preferia morrer a entregar tudo o que sabia ou revelar seu envolvimento com a Doomsday. Havia uma determinação afiada em seu olhar que só fazia a Fada Madrinha se sentir cada vez mais desafiada.
Durante a madrugada seguinte tudo aquilo se repetiria, a tortura agora era a inflição de dor através da magia, sensação do corpo queimando, choque elétrico, perfuração e afins. Nada disso foi o suficiente para que Akos abrisse a boca, por mais que houvesse gritado em diversos momento sem conseguir se conter. Na terceira madrugada ele os convenceu que não só não sabia de nada, como também que só tinha descoberto aquilo que tinham encontrado. Uma mentira muito bem contada.
Claro que para soltá-lo ele teria que dar algo em troca, foi contra a sua vontade e sem ver outra alternativa que concordou com os seguintes termos: conversaria com seus amigos castigados e daria um jeito de entrar para a Doomsday, relataria o que o grupo rebelde anda planejando e revelaria seus membros, deixaria a ordem de merlin e entraria para os defensores. Sim, ele concordou com isso sob ameaça de que algum acidente poderia acontecer com os Porter e até mesmo Mors poderia pegar fogo. O que a Fada Madrinha não viu foi que tudo aquilo só serviu como combustível para o próprio Akos pegar fogo por dentro, agora ele iria com tudo para cima deles, sairia do isolamento com sangue nos olhos. Ele não trabalharia como um espião duplo, não mesmo, ou sairia da Doomsday de vez ou entraria num acordo para passar informações falsas.
Horas mais tarde depois de ser solto descobriu que fora demitido da MagiTech, porém, recebeu uma mensagem de Jim. Akos trabalharia por baixo dos panos e... ficaria de olho em Milo para ele.
ᗰY GᕼOᔕT, ᗯᕼEᖇE'ᗪ YOᑌ GO? ᗯᕼᗩT ᕼᗩᑭᑭEᑎEᗪ TO TᕼE ᔕOᑌᒪ YOᑌ ᑌᔕEᗪ TO ᗷE? || point of view
Depois do que ela e Malcolm conversaram na sala precisa, Druella precisava ficar sozinha. Ela nunca seria boa o suficiente para ninguém. Nem para Daisy ou Oriana, que a largou depois de um mês de namoro. Ou Abraxas que terminou o noivado graças a sua condição e agora está com uma noiva sangue-puro como merecia. Ou para Thomasz, que depois do episódio na sala comunal nunca a mais a procurou. Belmont só a chamava quando precisava descontar se estresse em seu pequeno corpo, com sexo. Seria somente para isso que Druella servia? Dar prazer para os outros, algumas horas de sexo e logo eles seguiam suas vidas, procurando namoradas puras e perfeitas enquanto ela, o monstro, seguia seus dias de solidão.
Até Aalea havia finalmente encontrado felicidade, estava casada e com filhos. Sequer se preocupava com ela. Seu pai já havia desistido. Ninguém havia sobrado. Por que ela insistia se existir?? Alguns meses havia descoberto um clã de lobisomens em uma cidadezinha chamada Forks, nos Estados Unidos e estava juntando dinheiro para fugir para lá... Ninguém sabia é claro, mas suspeitava que se soubesse não se importariam. Daqui alguns meses iria se formar e o que Londres oferecia a ela? O ministério estava ficando cada vez mais restrito em relação as criaturas e bem, ela poderia até ser uma Rosier, mas era uma mestiça imunda. Uma criatura perigosa.
Druella estava tão imersa em seus pensamentos que sequer percebera que havia chegado no meio da Floresta Proibida, sua casa desde o segundo ano em Hogwarts, logo após receber a mordida de Belmont. Na Floresta ela se sentia em casa e conhecia cada pedacinho do local. Cada criatura, cada árvore. A menina seguiu até onde havia montado um pequeno forte para si. Sempre que se sentia um lixo, como agora, se escondia lá. As vezes não tinha vontade de voltar para o castelo. As vezes não tinha vontade de viver. Mas era covarde demais para se matar, tinha medo do que aconteceria com ela. Existia vida após a morte? Iria para o inferno?
Com esses questionamentos, Druella pegou no sono, deitada no chão da Floresta Negra, recebendo todo o conforto que a natureza poderia lhe dar. O clima na Escócia ficava cada vez mais frio e ficar no meio de uma floresta a noite não era a melhor forma de se aquecer. Mas se fosse para morrer hoje, pelo menos Drue estaria em seu local de paz, calor ou frio... não importava. Nada mais lhe importava, afinal, ela se quer tinha importância alguma para alguém.
Apesar de ser residente de Empathica há quase cinco anos, não deixava de se surpreender com os acontecimentos da cidade. Na segurança da caverna onde morava com seus pais, não haviam muitos eventos, que dirá de cunho sobrenatural. Não podia negar que se animava com boa parte das coisas que passaram a ser rotineiras na sua vida desde que passou a viver em meio a outras criaturas mágicas. Mesmo em situações como a que se encontrava, temendo pela sua segurança, não podia deixar de se sentir fascinada por tudo que acontecia. Por muitos anos, Nyse quis mais do que tudo participar de situações de perigo apenas pela diversão e, mesmo tomada pelo medo, sentia uma pontada de felicidade e animação.
Não tinha como, entretando, esconder o fato de que era terrível em qualquer situação que pudesse resultar em um embate físico. Não era uma boa lutadora, tão pouco havia recebido treinamento para tal. Achava que seria capaz de se defender caso fosse necessário, mas era muito insegura nesses momentos. Quando o ataque começou, estava feliz bebericando uma bebida azul que alguém não lembrava o nome lhe pagou minutos atrás. O susto fez com que o copo caísse das suas mãos e se estilhaçasse no chão, o álcool molhando seus pés e um dos cacos cortando a pele da fada. Gostaria de ter se livrado das botas de salto alto, mas ficou com medo de acabar com um pedaço de vidro no pé. Com a ajuda de Ajay, Nyse roubou uma garrafa de água do freezer para poder ter uma fonte segura de água para poder controlar caso fosse necessário e seguiu para um cômodo mais afastado das janelas de vidro que provavelmente não aguentariam muito tempo. No meio da boate havia lobisomens recém-transformados e sem nenhum controle. Apesar da enorme curiosidade, forçou-se a ficar em um lugar minimamente seguro até que seus pais chegassem.
Não conseguiu se conter, contudo, por muito tempo. Subiu em cima de um dos armários do depósito e, com as mãos, quebrou o pequeno basculante que separava o cômodo do salão principal. Torcendo para não ser descoberta, ficou sentada observando o caos tomar conta do lugar até o momento que viu Julien e Faolán aparecerem. Desceu rapidamente de onde estava e foi receber os pais com um misto de felicidade e alívio. Estava, enfim, segura e a caminho de casa.
Essa não é a vida da qual eu me lembro, não que me lembre de muita coisa, mas é o que tenho. Muitas vezes tudo se mistura em minha mente, um misto de passado e presente, uma confusão temporal em minha memória que me desestabiliza e me causa tontura. Há algumas coisas das quais me lembro: Maria, minhas irmãs, minha mãe, minha família... fogo, gosto de sangue e o padre Dom. Como eu vim parar nesse tempo é uma incógnita pra mim. Como morri, quem me matou, o que faço aqui, como me tornei humano depois de vagar séculos como um fantasma... são questões que rondam a minha mente o tempo todo.
Já fazem uns 4 anos desde que me encontro nesse tempo, quase que completamente perdido, por sorte o padre Dom me ajudou em tudo que eu precisava (documentos, escolaridade, carteira de motorista, emprego e etc), ele é a única pessoa que me conheceu quando eu ainda era um fantasma. Como me tornei humano é algo que ele também não sabe explicar, por isso, resolvi começar a investigar por conta própria.
Sou estudante de medicina do 6º período, meu tempo é dividido entre a faculdade, seminários e projetos do curso, investigar as questões que rondam a minha mente e... ser um mediador, não lembro de ver fantasmas quando era vivo antes, mas nessa vida eu sou. É bem cansativo, não nego.
Seu corpo inteiro doía. Ela estava nua, ensanguentada e faminta. Sua cabeça estava doendo e ela sentia que ia desmoronar a qualquer segundo. Que dia era? Quantas horas e sobretudo: onde ela estava. Astrid se levantou com leves grunhidos ao sentir seu corpo machucado. A última coisa que se lembra era a mão de Logan acertando em cheio sua bochecha e automaticamente a loira levou sua mão até o local e fechou os olhos com força ao sentir a dor que veio junto. Ela sabia que seria esse o resultado, mas ela não esperava tanto assim.
A menina sentia uma dor absurda vindo de sua cintura e ao se contorcer um pouco, pode ter um vislumbre de uma mordida. Teria ela sido atacada por um cão? Ela não sabia ao certo. A Rookwood ficou de pé no meio da floresta pelo que pareceu horas, até perder as forças das pernas e cair no chão, logo sendo impregnada com a escuridão da inconsciência. Seu corpo pedia arrego, ela precisava de agua e comida. Qual teria sido sua última refeição? Ela não sabia dizer. Acordou novamente com o som de galhos quebrando e ela logo se levantou, com medo de ser alguma criatura que pudesse lhe atacar. Onde estava sua varinha? Ah sim, junto com o dinheiro de Logan. Por que diabos ela não trouxe a varinha? Se sentia uma bruxa péssima.
Os barulhos de galhos quebrando logo aumentaram e junto com eles vinham vozes. Caçadores? A menina andou com a maior velocidade possível, mas estava cansada e machucada. E com medo. Tampava todas as partes intimas e começou a gritar por ajuda. A menina, pela primeira vez na vida, sentiu alívio ao ver o rosto do pai, mas não fazia a mínima ideia do porque ele estava ali. Seu corpo inteiro tremeu quando ela começou a chorar e deixou alguém jogar um casaco grande o suficiente para lhe cobrir. Sentiu os braços fortes do pai a abraçando delicadamente, mas ela não conseguia entender o que ele dizia, só estava feliz de estar com ele.
Astrid não percebeu que havia dormido, mas estranhou acordar em um quarto todo branco. Estava em um hospital e isso significava que não havia sido um pesadelo. Ela e Logan haviam terminado e ele a destruiu como prometera uma vez. Sem perceber a menina começou a chorar novamente e se esquivou ao ver uma mão lhe encostar no ombro. A enfermeira lhe ofereceu um copo de agua que ela aceitou de bom grado e tentou se acalmar. Logo uma médica entrou no quarto e começou a explicar a situação. O que ela não entendia era o olhar de pena no rosto de todos. Certo, ela havia sido largada em uma floresta toda machucada, mas não era para tanto.
Rookwood só conseguiu entender o ocorrido quando seu pai se sentou ao seu lado e lhe segurou a mão, dizendo que a mordida havia sido de um Lobisomem transformado e não de um cão como todos torciam. “Não” foi a única coisa que ela conseguiu dizer. Seus olhos fecharam por cinco segundos antes dela começar a arrancar todos os fios e cabos que a ligavam em sondas e medicamentos. “Não, isso é mentira, vocês são loucos” ela falava sem parar. A enfermeira de mais cedo tentou lhe segurar, mas a menina esquivou e saiu correndo do quarto. Por ainda estar fraca, a menina não conseguiu ir muito longe antes de Archibald conseguir segura-la. Por mais que ela se mexesse, ainda estava fraca da destruição e por isso foi fácil para o homem segura-la. “Me solta, me deixa sair daqui. Eu... por favor, me deixa. ” Ela disse a última parte aos prantos. Sabia que atualmente as leis dos lobisomens eram menos severas, mas ela não queria ser uma. Ela não havia pedido por isso e agora teria que sofrer pelo resto de sua vida. Pela primeira vez em anos, a menina conscientemente se deixou ser acalmada pelo pai enquanto chorava desesperada pela vida que perdeu e que ganhou.
Apesar de terem sido presos juntos, os dois -- o que deixava Kyung irado por si só -- ele estava preocupado com Artie, uma vez que ao bater a porta atrás de si, disse a ele que tudo ficaria bem e que os três se encontrariam mais tarde. Esse ódio era possível ver nos olhos de Kyung conforme ele olhava para o rosto ferido do outro e boa parte daquilo feito pelo ruivo. Ainda bem, pensava, a final, vamos poder dar um pequeno show. Kyung não podia falar o que se passava por sua cabeça enquanto era conduzido num camburão de polícia para a delegacia. Os Agentes não tinham chegado ainda, não tinham sido informados. Os policiais não haviam olhado para o braço de Kyung e suas marcas demasiadas., mas ele os faria notar, se isso dependesse a liberdade de um de seus amados.
Kyung era considerado perigoso tanto por aqueles que perseguiam os defeituosos quanto por aqueles que só queriam manter a paz no mundo. Por conta disso, estava acorrentado nos braços, nas pernas e uma máscara continha sua mandíbula. A fúria nos olhos do homem era tão forte que não precisava estar solto para meter medo em qualquer pessoa que passasse sua frente.
Foi em um descuido, quando desamarram suas pernas para que ele pudesse andar para dentro da delegacia que Kyung chutou o policial com força, quebrando-lhe o nariz e com mais um chute, o empurrou camburão a fora. Fez um gesto com a cabeça para o outro, livre dentro do camburão, para que fosse na frente. Maldito sistema, malditos privilégios, pensava. Assim que notou que teria de deixar o outro para trás, Kyung se aproveitou da corrente que outrora continha suas mãos ser maior que o convencional e a envolveu no pescoço alheio, transformando-o em seu escudo, conforme andava para fora. Fugiram. Com Kyung tendo uma bala no ombro e o Minmin com um hematoma em forma de corrente, mas fugiram. Aquilo terminaria em briga, certamente, mas por enquanto era somente alívio.