yourendgxme:
Achou melhor fingir-se de surdo assim que ouviu a não tão pequena e nem tão discreta insinuação da ruiva. O que ele realmente poderia fazer? Dizer toda a verdade e talvez, parecer um bastardo para ela? Com certeza ela se sentiria na razão de continuar pensando dele o que já pensava e ainda poderia pensar pior. E ele nem tinha garantias de que ela iria realmente acreditar nele, Noah sabia que possuía uma pequena fama por aí, mas ele era responsável por apenas metade dela. Por exemplo, ele nunca se envolvera com nenhuma mulher com menos de vinte e um anos, nunca, não importava o quão formosa ela fosse. Ele também nunca teve que se envolver com uma mulher que precisasse pagar - ele gostava de deixar bem separado essa relação dinheiro/mulheres.
E as modelos também entravam nessas pequenas regras para Noah. Como um fotógrafo, ele acabava tendo um contato a mais com todas as modelos de sua agência, isso era claro. Mas ele basicamente se envolvia com outras modelos, as que sua agência não mantinha na folha de pagamento. Ele estava sempre em desfiles e eventos relacionados a moda, era simplesmente impossível ele não conhecer uma modelo ou dez. Mas ele tinha que admitir, já se envolvera com modelos que contratou e isso acabou sendo a maior dor de cabeça porque elas achavam que, só por irem para a cama com o chefe, elas teriam as melhores campanhas para si, independente de qual fosse o perfil que o cliente queria.
Depois de insistir nesse mesmo erro algumas vezes - porque, vamos ser sinceros, sua cabeça debaixo tinha vida própria e as vezes se sobrepunha à cabeça de cima - Noah havia aprendido e nunca mais tinha feito essa burrice. Porém, ao que tudo indicava, essa pequena fama permanecia mesmo um bom tempo depois. Ao menos foi poupado de responder essa pergunta quando ela continuou o assunto sobre o doador e por mais que aquilo fosse estranho, ele estava genuinamente curioso. - Mas… Por que um doador? - Franziu o cenho enquanto a olhava. Noah jurava que aquele homem era o namorado dela, na verdade, ele jurava que ela tinha um. Ela era bonita, inteligente e tinha um grande potencial ali dentro da empresa. - Não prefere… Do jeito tradicional? Sabe? Você e seu namorado. - Fez um gesto meio rude com a mão direita a fim de demonstrar o que queria dizer, o que era ridículo.
Aquela era a melhor ideia que alguém tinha tido perto dele na última semana, e olha que ele estava sempre escutando algum funcionário querendo ser “revolucionário” ou criar algo super fantástico para ganhar uma promoção; então ele acaba escutando muita coisa por aí. - Cara! Acho que eu preciso te pagar um drinque depois do que me contou aqui. - E estava sendo sincero com aquelas palavras, se ele estava em choque só em ouvir aquela novidade, nem conseguia e na verdade ele nem queria saber como ela estava se sentindo. - Eu conheço um ótimo lugar para isso. - O apartamento em que ele morava estava passando por algumas reformas e, por isso, ele estava temporariamente em um hotel que possuía um ótimo bar.
O bom de morar ali estava sendo os finais de semana; o homem nem precisava ir para longe ou procurar algum lugar aberto para beber. Bastava pegar o elevador e andar um pouco para chegar ao bar. - Depois de você. - Indicou para ela ir na frente, talvez isso lhe desse algum senso de estar no controle da situação, por menor que fosse. - Pode ir chamando o taxi, por favor? Eu já volto. - Saiu a passos acelerados até sua sala para pegar seus pertences pessoais e voltou a tempo de ver um taxi parando para a ruiva. - Olha só! Bem na hora! - Abriu a porta de trás do carro e a olhou. - Vamos?
Se ele achava que precisava pagar um drink para ela, significava que a situação era realmente ruim. Talvez no fim fosse mesmo demitida, ele já devia estar considerando que ela era completamente louca e ninguém quer loucos trabalhando em sua empresa, ou... ainda tinha a opção dele manter o emprego dela por pena. Qualquer uma das opções eram ruins, pensar naquilo não era agradável e Emma decidiu que ia só encher a cara, deixaria para tentar recuperar o orgulho ou digerir melhor toda aquela situação no dia seguinte, o cansaço emocional a dominava, não queria se importar com mais nada. ”Certo...” Foi o que disse antes de passar por ele, ficou um pouco impressionada pelo cavalheirismo do chefe ao indicar para ela ir na frente, mas não disse nada, nem tinha porque dizer alguma coisa, convenhamos. Por um momento achou que ele estava correndo para longe dela e que aquele papo de lhe pagar um drink era uma mentira, uma forma de ganhar tempo para fugir. Ela não o culparia se fosse o caso, a situação tinha saído completamente de controle e não era nada agradável. Encolheu os ombros e respirou fundo, deixando o ar noturno entrar por suas narinas. Olhou para a rua e fez sinal para o táxi que se aproximou alguns minutos depois.
O olhou um pouco intrigada quando reapareceu, então ele não estava fugindo afinal, as sobrancelhas se ergueram um pouco mais quando ele abriu a porta do carro para ela. Preferiu não falar nada e apenas entrou. Para alguém que tinha tagarelado bastante nos últimos minutos, ela estava até quieta demais. “Vou responder sobre o namorado e o doador depois que eu tomar um drink”. Falou e virou-se para olha-lo, não tinha esquecido da pergunta que ele fizeram, muito menos queria que ele achasse que ela não ia responder. Era algo pessoal e ela não era obrigada a lhe contar nada, afinal não lhe devia explicações, no entanto, explicar era o mínimo que poderia fazer.










