Quiénes nos destruyeron fuimos nosotros, por eso es que los pedazos tirados no encajan. Tú te llevaste un par de piezas, yo otras que pensé no te extrañarían. Pero lo cierto es que ahora me pesan.
You don't have to be alone
You don't have to be on your own
Depois de uma semana chuvosa, na qual ela havia sido pega desprevenida pelo ou menos umas três vezes enquanto seguia para o trabalho no ministério da magia Rei havia acordado bastante inspirada naquela manhã. O dia havia amanhecido bastante promissor, e por mais que ela não tivesse exatamente planos para aquela tarde livre ela sentia que poderia aproveitar para organizar as coisas no apartamento. Que não era exatamente grande, mas de alguma maneira ela insistia em deixar para la por conta da correria rotineira. Bem, ela poderia dar um jeito em todas aquelas coisas com um simples aceno de varinha, mas não gostava dessa ideia. Talvez estivesse sendo um pouco radical; mas por mais que a magia de fato facilitasse a vida, ela de certa maneira também tirava coisa. E Rei sentia como se isso a impedisse de se dedicar as coisas e de fato viver o momento.
Sendo assim decidiu que reservaria o dia para organizar o apartamento. Assim que terminou o café da manhã Rei colocou uma música animada e partiu para a sala. Tinha noção que muitos colegas de classe, assim como os próprios avós provavelmente a olhariam como se fosse maluca. Porque se dar o trabalho quando se tinha magia a disposição ? A tarefa podia ser divertida, percebeu depois de começar a faxina. Assim como a satisfação em observar tudo organizadinho parecia ser mais intensa. Suspirando satisfeita consigo mesma seguiu para o quarto. No guarda roupa haviam algumas caixas que teria que retirar para poder limpar o interior do guarda roupa de maneira mais eficiente. As caixas estavam de fato pesadas constatou, lutando um pouco para as carregar para cima da cama. Quando estava levando a ultima delas escutou alguma coisa caindo no chão, provavelmente de uma das caixas. Suspirando aliviada por não estar mais carregando o peso Rei virou para verificar o que se tratava.
Era um dos acessórios que costumava usar quando praticava caligrafia. Uma pontada de nostalgia a atingiu ao pegar o objeto; sendo essa uma das coisas que aprendera a gostar por conta dos avós e de uns tempos para ca havia se afastado. Em parte pela falta de tempo. Mas não somente por isso, de alguma forma doia pensar nos mais velhos. Duas pessoas que, apesar dos ideais e pensamentos serem de fato bastante antiquados sempre haviam estado por ela. Do seu jeito estranho eles haviam cuidado dela, quando seu pai simplesmente lhe virou as costas. Por mais que continuasse não concordando em não opinar quanto as suas escolhas, Rei sentia-se triste em se afastar deles. O impulso de voltar a rotina no Japão por vezes batia nela; mas voltaria para o que ? Ja não era a mesma garota assustada de antes. E duvidava que eles fossem mudar tão cedo. Agora sentada na cama Rei continuou a pegar mais alguns outros objetos antigos de dentro das caixas. Muitos da epoca na qual morava com os avós. Uma presilha que ganhara da avó depois que concluiu sua primeira cerimônia como anfitriã. Tornou a guardar a mesma sentindo um aperto no peito, lembrando-se da expressão de orgulho no rosto da mais velha. Seguidos pela decepção que a mesma lhe direcionou quando pediu aos mais velhos que lhe dessem um tempo. Uma coisa que havia aprendido, por mais que discordasse dos mais velhos. Não queria ser que nem o pai que dava as costas para a família. Acreditava no dialogo e, acima de tudo tinha paciencia para que um dia quando as coisas se resolvessem eles voltassem a ter o vinculo que tinham antigamente.
So meet under blue skies
Meet me again, in the rain
In the rain
In the rain, the rain
Got to find yourself alone in this world
You've got to find yourself alone
Não havia sido nem um pouco surpreendente quando, assim que terminou mais um turno sem sentido na companhia na qual seu pai trabalhava que Ming não se sentisse muito no clima para seguir direto para casa. O lugar, embora não significasse muito para ele como a casa na qual haviam crescido continuava como uma constante lembrança dos problemas que estavam enfrentando recentemente. Não somente as competições entre ele e os irmãos, algo que havia se tornado uma constante em sua rotina depois de tantos anos instigado contra os outros dois; que havia apenas se acentuado com a disputa pelo cargo na companhia, mas outras questões. Que todos pareciam fingir não ver. Mas também, levando em conta o quão pouco sabiam fazia mesmo sentido pensar sobre ? Até onde sabia sua mãe poderia estar tendo mais um dos seus acessos e ter simplesmente viajado. Conhecia a mais velha o bastante para não esperar muitas considerações da mais velha. Ja havia visto o quão cruel ela conseguia ser com Jongdae, muito mais em seus pensamentos do que em suas palavras. Que ja eram e muito crueis.
Não queria dar muitas satisfações ao pai, e como acreditava ser grande o bastante para cuidar de suas próprias coisas, contanto que continuasse agradando o mais velho e seguindo com essa competição sem sentido. Decidiu sair pelas ruas da Londres trouxa, sem ter qualquer destino especifico. Estava apenas caminhando e vendo as pessoas interagindo, assim como a rotina das mesmas. Não soube ao certo quanto tempo havia se passado desde que começara a sua caminhada, apenas que estava bem longe de onde havia começado e que havia escurecido significativamente. Supos que deveriam estar perto das oito horas da noite quando decidiu entrar em um dos restaurantes para jantar. Em breve teria que voltar para casa de qualquer maneira, pensou aborrecido desviando o olhar para uma das janelas que tinha visão da rua em frente. Uma rua pequena e não muito movimentada.
Foi então que foi desviado dos seus devaneios ao entreouvir a conversa dos ocupantes da mesa em frente, não sabia dizer exatamente o que havia atraido sua atenção, mas logo estava entreouvindo a interação dos mesmos. Se tratava de um casal, que aparentemente haviam trazido seus filhos gemeos para o que parecia ser um presente de aniversário para os mesmos. Por mais que quisesse desviar o olhar, e sentisse uma pontada de tristeza ao observar a maneira como pareciam confortaveis e felizes ali Ming não conseguia deixar de observar. A maneira como a mais velha havia confortado o menor dos dois quando o assunto se voltou para a derrota que a equipe do mesmo havia sofrido mais cedo. Como ela o incentivava de uma maneira gentil, o ajudando a enxergar a derrota como uma lição para melhorar. Porque sua família não podia ser daquele jeito ? Quase conseguia observar o olhar que o irmão faria, caso fosse tratado daquela maneira e não depreciado de todas as formas possiveis. Por fim se obrigou a retornar a realidade. De nada adiantava ficar sonhando com coisas que não iam acontecer. Hesitante Ming se levantou para seguir para casa. Pensou em presentear os pequenos de alguma forma, por mais que invejasse e achasse que não davam de fato valor ao que tinham. Mas pensando bem, eles pareciam melhor com o pouco que tinham do que ele, que tinha uma família que tinha tudo menos o mais importante.
Embora suspeitasse disso, ou pelo menos nas raras ocasiões em que parara para refletir sobre isso quando mais novo seguir uma rotina sem qualquer uso da magia era de fato bastante frustrante. Por mais que ja tivesse parado para admirar essa criatividade, o que hoje em dia ele também definiria como paciencia para se virar com o que tinham, nunca antes Hei havia percebido o quanto esse elemento fazia parte de sua rotina antes. Bastou que se inserisse na rotina dos trouxas, sem qualquer possibilidade de deslize ( não podia apelar para magia para as tarefas domesticas como havia sonhado anteriormente) para que desse mais valor aos mesmos. Claro, o fato do seu colega de apartamento não parecer nem um pouco disposto a ajudar a manter o minimo de ordem no lugar apenas parecia piorar a situação. Constantemente os dois se viam discutindo por conta do que Andrew costumava definir como "bagunça organizada".
Outra coisa que, se tivesse parado para refletir sobre era esse senso de organização em si que não havia percebido até então. De alguma forma ele relacionava isso ao avô, a quem ele havia tido uma relação mais próxima quando mais novo. E, por mais que não houvesse de fato passado muito tempo com o mais velho depois que havia completado seus sete anos e mudado para a Inglaterra, as influencias do seu jeito mais autoritario de lidar com a situação eram perceptiveis em sua casa. Seu pai, por mais que muitas vezes nem o fizesse de maneira consciente estava sempre mantendo tudo na mais absoluta ordem. Sua casa sempre havia sido assim, agora que parava para pensar a respeito. De um jeito próprio seu pai havia se tornado um maniaco por limpeza e organização.
Com um suspiro pesaroso Hei desviou o olhar do programa que passava na TV, algo que nem de longe chamava sua atenção. Na realidade estava se sentindo um pouco ansioso com a proximidade do final de semana. Por conta dos feriados estariam dispensados da escola pelos próximos dias, o que geralmente significaria mais apresentações; se a data em questão não estivesse diretamente ligada ao tempo em que se reunia com a família em mais um dos jantares. Seus avós vinham da Coreia, e todos se reunião. Nunca sabiam como terminaria a janta; muitas vezes aconteciam discussões e cada um seguia para seu próprio quarto. Mas também haviam outras vezes nas quais eles encontravam algum assunto que agradava a todos, e apesar das diferenças todos pareciam se divertir. Esses eram um dos raros momentos nos quais se lembrava ter visto seu avô sorrir de maneira genuina, ele e seu pai agindo como o que se esperava de uma família.
De qualquer forma essas lembranças hoje em dia doiam. Ele não sentia vontade alguma de se apresentar, por mais que logicamente a quantidade maior de pessoas significasse que receberia mais dinheiro. Havia escutado Andrew resmungando alguma coisa a respeito de um jantar em família que teria naquele sabado. Sabia por cima que o relacionamento dele e do pai sempre havia sido conturbado, algo que os dois pareciam compartilhar de certa maneira. Famílias problematicas; embora duvidasse que o outro tivesse problemas que envolviam parentes se socando ou coisas piores. Se não tivesse tão chateado provavelmente teria rido ao se lembrar do incidente com Kaien na estação de trem. Ainda sentindo-se chateado Hei tornou a desligar a TV desviando o olhar para a janela. Ja estava começando a escurecer. Continuou se questionando por mais algum tempo o porque famílias serem tão complicadas de se lidar. Como se as coisas ja não fossem dificeis para seguir um sonho como o que tinha. Por fim acabou seguindo para o quarto, onde pegou mais uma vez para estudar a partitura sobre a qual teria que fazer uma releitura.