Como ja era de costume Rei havia acordado durante os primeiros segundos do seu alarme; que por conta do seu sono leve, assim como facilidade para sustos se tratava de um toque mais calmo. Apenas sons de natureza, como água corrente que aumentavam o volume de maneira gradual preenchendo o ambiente com uma calma que a ajudava a despertar aos poucos. A cortina com tecido igualmente leve ajudava a luz matinal a entrar, a ajudando mais ainda a despertar. Inspirando profundamente Rei continuou deitada por mais alguns instantes, apenas apreciando o ambiente. Havia tido uma ótima noite de sono, por isso não se sentia cansada. Apenas gostava de reservar alguns momentos para si de manhã; por vezes para absorver melhor os sonhos que tiverabe as vezes ainda se lembrava. Sem muita pressa desligou o alarme, levantando e calçando as pantufas de andar dentro de casa. Um costume que acabara aderindo da época que morava com os avós no Japão: usando calçados apropriados para andar em casa, ou em dias mais quentes apenas andava descalça mesmo.
Abriu a cortida e janelas do quarto afim de refrescar o ambiente, parando alguns instantes para observar o movimento da rua através da vista da varanda que ficava a frente do seu quarto. No entanto, não se demorou muito logo seguindo para a cozinha preparar seu café da manhã. Decidiu que prepararia apenas o básico, colocando uma porção de arroz para ferver na panela de arroz que tinha sobre a bancada. O restante dos acompanhamentos terminaria quando voltasse do banho. Apenas separou os ingredientes que usaria, deixou os sobre a bancada. Pegou seu rádio e o carregou até o banheiro. Embora gostasse da ideia de tomar um banho de banheira para começar o dia mais relaxada sabia que sua realidade não era bem essa. Não possuia lareira no apartamento, o que significava que tinha que ir ao ministério por meios menos tradicionais. Não era de todo ruim, uma vez que se encontrava com várias pessoas no percurso. Levou um pouco mais de tempo ja que naquela manhã aproveitou para lavar o cabelo, depois arrumando a maquiagem sempre cantarolando a música da radio.
Trazendo o radio consigo Rei voltou ao quarto, onde fechando a cortina se trocou ja pronta para seguir ao trabalho. Pegou sua bolsa e trouxa consigo a deixando sobre o sofá. Agora ao café da manhã, pensou se dirigindo a pequena cozinha. Separou a bandeija usual onde colocou alguns potes vazios. Pegou a porção de arroz e serviu em um deles. Cantarolando preparou uma tigela de misoshiro, então fritou uma omelete e dispos em um pequeno prato. Tinha uma pequena garrafa de chá que tomaria durante o trajeto, e assentindo levemente buscou os hashis que faltavam se sentando em frente a bancada. — 頂きます! — sussurrou consigo mesma por costume antes de começar a comer. Verificou o relógio algumas vezes enquanto comia, mais para ter algo que fazer do que por fato estar preocupada em se atrasar. Terminando seu café Rei lavou a louça sem muita pressa, apreciando o som que vinha do seu quarto. Terminadas as tarefas se apressou um pouco em direção ao quarto fechando a janela, deixando as cortinas abertas depois de refletir um pouco. Desligou o rádio enquanto passava, desviando para o sofá a fim de pegar sua bolsa. Parou um pouco na entrada a fim de trocar os calçados vestindo um sapato social e trancando a porta saiu pelp corredor.
Por conta do horário estava um pouco vazio, a maioria das pessoas começando a despertar naquele momento. Por conta disso tomou mais cuidado que o usual para não fazer barulho, mesmo que seus sapatos ecoassem pelos corredores. — Bom dia, Rei. — cumprimentou uma de suas visinhas de andar, que naquele momento carregava o filho mais novo enquanto convencia o mais velho a vestir o casaco de frio. — Bom dia, senhora Nightingale. — respondeu sorrindo enpaticamente a mais velha. — Bom dia, Matt. Porque não quer vestir sua roupa de frio? — perguntou gentilmente, ja que teria que esperar o elevador de qualquer maneira. — Não sou mais uma criança para ficar usando casacos. Não preciso dele. — respondeu insistente o menino de mais ou menos uns sete anos, o jogando mais uma vez no chão. — Mas quem disse que casaco é coisa de criança? — perguntou Rei surpesa, e de certo modo reflexiva. — Não preciso que digam para entender. Ja disse que sou grande o bastante para entender esse tipo de coisa. — tornou a teimar, sua mãe ocupada com o mais novo que começara a chorar também. — Matt, isso não é jeito de conversar com a Rei. Desculpe querida, não sei o que deu nele hoje. Calma, Theo. — sussurrou buscando a mamadeira do mais novo na bolsa que carregava.
— Mas adultos também usam casacos; esta vendo? — indicou a si mesma que usava um sobretudo sobre as roupas que escolhera naquela manhã. —Além disso, são quentinhos e fofos. — acrescentou Rei, empolgada o bastante com o assunto para esquecer se do elevador que apitava atrás de si. Matt pareceu querer discutir, como se achasse a descrição particularmente infantil, mas algo na expressão da Rei fez com que se contesse. — Tanto faz. — resmungou o mais novo vestindo o casaco contra a vontade. — Obrigada, Rei. E desculpe por faze la perder seu elevador. — disse a senhora Nightingale , amamentendo Theo evidentemente aliviada por ter superado a birra de Matt. Ou o mais perto disso, uma vez que o outro parecia mais estressado que nunca. — Ah sim! Agora tenho que ir... Mas prometo encontrar alguma coisa. Prometo que vai lhe fazer aprender a gostar dos casacos. Até mais tarde, senhora Ninghtingale! — despediu se disparando em direção as escadas. Não podia perder o horário do onibus.
Lembrou-se dessa vez de abrir a porta que dava acesso ao saguão do prédio, no entanto esqueceu-se do deguau que vinha logo em seguida. Tropeçou e por muito pouco não caiu de cara no chão, se não fosse por um Cheng particularmente mal humorado. Mesmo que não tivesse caído escutou o som de coisas colidindo contra o chão e, ao se afastar pode ver as caixas que o outro carregava em direção as escadas. — Francamente, quando se lembra de abrir a porta tropeça nos degraus. Você não tem jeito, não é mesmo? — questionou mal humorado, voltando para pegar seus pertences do chão. — Ah não. Droga. A tinta nova que encomendei semana passada acabou de estourar. — o escutou resmungar frustrado. Ele era um artista, ja havia passado em frente ao apartamento dele a ponto de ver varios quadros e molduras espalhados pela sala quase que inteira. O ambiente uma bagunça de cores. — Desculpe. Se houver alguma coisa que possa fazer para o ajudar.. — começou, pensando consigo mesma que poderia consertar o tubo quando o outro não estivesse olhando. Mas como explicaria isso em seguida? Poderia fingir que comprara outro... — Que tal aprender a andar direito? — respondeu rispidamente abrindo a porta das escadas com o pé, segurando a mesma com as costas parando para a fuzilar com o olhar. — Seria um ótimo começo. — e com isso bateu a porta atrás de si. Pode escutar os sons dos passos fortes alheios na escada.
Sentindo-se um pouco culpada Rei seguiu para o ponto de ônibus. Não perdeu o mesmo apenas por conta do farol, que lhe deu tempo de atravessar a rua correndo e subindo no mesmo. Suspirando aliviada se instalou em um dos assentos vagos, pegando um livro pequeno e tentando se distrair. Estava lendo um livro de poesias, sobre assuntos que a deixavam com um ar sonhador. Fechou o livro dois pontos antes do seu, quando uma chuva torrencial pareceu atingir o onibus em cheio de uma hora para outra. Mesmo se tratando de uma cidade chuvosa e conhecida por isso Rei não pensou em trazer consigo um guarda chuva. Até chegar a entrada do ministério estava encharcada da cabeça aos pés. Entrando na cabine telefônica digitou os números conhecidos entrando no ministério.
Seguiu diretamente para seu escritório, acenando com a varinha e secando as próprias vestes. Tinha noção que a maquiagem deveria estar um desastre; mas como chegara em cima da hora não tinha tempo a perder. Na verdade estava no horário, sendo apenas um habito seu chegar adiantada. Mas ja era o bastante para Rei. — Bom dia, Rei. — comentou uma colega de setor, que parecia fazer de tudo para a tirar do sério ou a fazer se sentir mal. Não entendia, mas achava que ela não gostava dela por alguma razão. — Parece que foi atacada por um bando dr hipogrifos raivosos. Horrível esse cabelo. — também não entendia porque se dava o trabalho de fingir que estava com pena dela, quando estava evidentemente quase rindo. — Bom dia, Anastacia. Fui pega de surpresa pela chuva. — explicou arrumando suas coisas em sua mesa, começando o trabalho. Escutou vagamente Anastacia a imitar, propositalmente trocando os sons de "r" por "l" , mas assim como muitas coisas que Anastácia fazia para a provocar Rei apenas ignorou. E foi naquele instante que o supervisor resolveu chegar.
—Podia jurar que estava sendo para para trabalhar, senhorita Blackburn. — Disse o supervisor rispidamente a ruiva ao entrar na sala, irritado com a brincadeira alheia. Ele nunca havia aprovado brincadeiras assim, e parecia não importar repetir isso a Anastácia. — Desculpe, senhor Taylor. Ja... estou começando. — pode escutar um que de magoa na voz alheia; as vezes suspeitava que ela gostava dele. Mas como ela pediu Rei ignorou mais uma vez focando na revisão do documento que tinha em mãos. — Rei, o que aconteceu com você? — perguntou Taylor preocupado ao ver a bagunça que se encontrava a morena. — Desculpe, foi a chuva. Prometo me ajeitar no primeiro intervalo, senhor. — garantiu Rei, não querendo usar como desculpa para se afastar do trabalho. O que Anastácia adoraria jogar na sua cara mais tarde. — Não precisa, está adiantada no serviço de qualquer forma. Pode tirar alguns minutos para se arrumar. Sei que é uma funcionária aplicada e exemplar, nunca deu problema. — seu tom havia se elevado ao dizer isso. — Pode ir, depois continue com seu trabalho.
Mesmo com autorização Rei buscou não se demorar muito; e se concentrou no trabalho o restante da tarde. Claro que Anastácia seguiu a provocando; mas revebeu muita pouca atenção. Ainda assim não desistiu de a atormentar; raramente desistia. Faltando vinte minutos para o horário Taylor a dispensou mais cedo. Em parte porque havia terminado seu trabalho, e também porque amanhã faria trabalho de campo. Seguiu para as lojas de Londres, onde buscou uma blusa de frio personalizada para Matt. O irmão deste ainda era pequeno, mas ainda assim comprou para os dois. Continuou comprando algumas coisas para si, levando o restante da tarde indo de lojas em lojas.
Quando chegou novamente em casa ja era mais do que tarde para entregar alguma coisa a Matt. Suspirando cansada largou suas sacolas ao lado da cama, seguindo direto para o banheiro para se arrumar. Terminando de se arrumar, enquanto esperava a água aquecer para a sopa instantânea sentada na sacada Rei pensou em Cheng. Sentia-se culpada pelas tintas que estragara mais cedo. Talvez o visitasse na manhã seguinte e pedisse desculpas mais uma vez. Será que havia encontrado as tintas? Talvez se oferecesse para comprar algumas para ele. Pensando nisso tornou a entrar para terminar de preparar sua sopa, comer e seguir para a cama.