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Naquele dia, o frio não estava perdoando nenhuma das almas que ousasse sair pelas ruas. O clima por aquela cidade era sempre assim — impiedoso e direto. E, Bertolt, como se não desse ouvidos ao que escuta dos outros, simplesmente saía meio toda aquela neve esbranquiçada que preenchia cada centímetro de sua visão, enrolando um cachecol listrado e escuro em torno do pescoço. Por ali, deixava que seus passos errantes o guiassem para um novo caminho, uma nova experiência qualquer que pudesse alegrar o seu dia pintado de cinza. A rotina monótoma, ao menos, possuía uma probabilidade muito menor de tornar-se perigosa, contrastando com essas atitudes cheias de desprevenção do alto rapaz. Desde menor, havia sido treinado, e mesmo assim..! Permanecia perecendo ao mundo.
Em algum momento, entretanto, não sabe-se como o moreno acabou chegando até aquela situação tão precária; Seu corpo encostava-se em algumas caixas velhas e empoeiradas, enquanto os dedos longos deslizavam lentamente pela tez machucada e ensanguentada. Ali, as pequenas gotículas de cor carmesim que não lhe eram somente próprias, mas alheias, misturavam-se, manchando a profunda injúria tão bem desenhada em seu pescoço. Certamente, tal era nada mais que uma consequência previsível, e em resposta, ele deveria padecer para pagar ao seu alertante subconsciente.
❝ ... Você.. Não ouse chegar perto..! ❞, tentava ameaçar baixo a voz trêmula e amedrontada de Hoover, enquanto no fundo, estava clamando por ajuda. A dor que sentia não comparava-se a nada naquele mundo, e mesmo assim, apenas os olhos esmeralda do moreno eram capaz de expressar o que desejava pronunciar. Era um covarde superficial, afinal.
( @progenitortepes )












