Leituras de maio
“Miserere”, de Adélia Prado
Comecei o mês descobrindo por acaso uma autora muito especial na biblioteca de Araraquara, a Biblioteca Municipal Mário de Andrade, um dos meus lugares favoritos de lá. Assim que eu abri o livro de poesia “Miserere”, da Adélia Prado, vivíssima e mineira, logo percebi que não o devolveria àquela prateleira no mesmo dia. Com a delicadeza que uma avó teria, e já peço perdão pela caixinha machista, aborda temas como morte, relações familiares, o sagrado e memórias cotidianas, colocando-se nos diferentes papéis dessas relações, brincando com épocas distintas de uma vida cheia de histórias, recheada, fluida, fazendo poesia como quem faz uma oração.
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“Desterros”, de Natalia Timerman
Primeiramente, sou suspeita a falar desse livro porque se trata de uma mulher que: é escritora, e psiquiatra, e trabalha com pessoas encarceradas. Meus life goals, apenas, talvez??
É um livro incrível, é de certa forma não ficção por tratar de pacientes reais e suas histórias, mas ao mesmo tempo é literário porque a Natalia enche ele de subjetividades, medos, insights, e porque escreve de uma maneira muito gostosa de ler, aqueles pronomes bonitinhos que não passam desapercebidos, e a palavra que cai como luva, pessoas que perderam tudo, desterradas.
Também não posso deixar de comentar do papel pólen e seus gominhos charmosos como podem ver na foto que eu tirei. Cada costurinha dessas preenche meus afetos.
Desterros fez minha semana!
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“Bad at Adulting, Good at Feminism”, de Prudence Geerts
A menina dos quadrinhos sou eu, isso resume tudo o que eu poderia falar. O cabelo, o óculos, a pancinha e, é claro, o jeito. Minha gêmea da internet. Sempre acompanhei ela no instagram (@planetprudence) e demorei pra comprar o livro por motivos de $$, mas valeu cada centavo. Prudence, uma típica millenial, coloca no papel todo o seu backstage de ser uma jovem mulher, que nem sempre corresponde a expectativas estéticas da sociedade e que está tentando se virar nesta coisa doida chamada vida adulta. Eu ouvi drama? É com a gente mesmo, sorry not sorry.
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Zines “Meu Armário é um Rinoceronte” e “O Terreno Invisível dos Sentires”, de Isadora Ferraz
Ler zines me traz uma sensação muito boa, de ir em feiras de publicações independentes sozinha e ficar deslumbrada com a quantidade de artistas incríveis que existem tão perto de nós; um ambiente com tanta novidade e não saber pra onde olhar primeiro. Comprei essas duas pela internet e mesmo em casa elas conseguiram me remeter ao lugar físico das feiras que tanto aprecio. Sobre a artista Isadora, gostei muito de seus traços e de suas sutilezas, cada zine com seu tema mas ambas convidando a reflexões.















