E que celebração, afinal, não é provisória?
Natalia Timerman, As Pequenas Chances

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E que celebração, afinal, não é provisória?
Natalia Timerman, As Pequenas Chances
“Talvez Pedro seja um lugar seguro, até dele mesmo, uma chave para entrar no terreno do que sempre nunca será; um aceno, direto de um instante, ao tempo que não transcorreu, acessível em lembrança nos finais de tarde da vida toda.”
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Natalia Timerman é genial com seu livro sobre uma situação extremamente contemporânea dos enroscos amorosos vigentes, o famoso ghosting, o sumir, bloquear, desaparecer. Mais que isso, é uma história sobre estar num lugar de abandono.
Escrito com uma bagagem de quem sabe explorar as neuroses todas, a psiquiatra-escritora, escritora-psiquiatra se debruça em pontos primordiais da mente, de forma que é impossível não se identificar com alguma noia da Mirela.
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Leituras de maio
“Miserere”, de Adélia Prado
Comecei o mês descobrindo por acaso uma autora muito especial na biblioteca de Araraquara, a Biblioteca Municipal Mário de Andrade, um dos meus lugares favoritos de lá. Assim que eu abri o livro de poesia “Miserere”, da Adélia Prado, vivíssima e mineira, logo percebi que não o devolveria àquela prateleira no mesmo dia. Com a delicadeza que uma avó teria, e já peço perdão pela caixinha machista, aborda temas como morte, relações familiares, o sagrado e memórias cotidianas, colocando-se nos diferentes papéis dessas relações, brincando com épocas distintas de uma vida cheia de histórias, recheada, fluida, fazendo poesia como quem faz uma oração.
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“Desterros”, de Natalia Timerman
Primeiramente, sou suspeita a falar desse livro porque se trata de uma mulher que: é escritora, e psiquiatra, e trabalha com pessoas encarceradas. Meus life goals, apenas, talvez??
É um livro incrível, é de certa forma não ficção por tratar de pacientes reais e suas histórias, mas ao mesmo tempo é literário porque a Natalia enche ele de subjetividades, medos, insights, e porque escreve de uma maneira muito gostosa de ler, aqueles pronomes bonitinhos que não passam desapercebidos, e a palavra que cai como luva, pessoas que perderam tudo, desterradas.
Também não posso deixar de comentar do papel pólen e seus gominhos charmosos como podem ver na foto que eu tirei. Cada costurinha dessas preenche meus afetos.
Desterros fez minha semana!
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“Bad at Adulting, Good at Feminism”, de Prudence Geerts
A menina dos quadrinhos sou eu, isso resume tudo o que eu poderia falar. O cabelo, o óculos, a pancinha e, é claro, o jeito. Minha gêmea da internet. Sempre acompanhei ela no instagram (@planetprudence) e demorei pra comprar o livro por motivos de $$, mas valeu cada centavo. Prudence, uma típica millenial, coloca no papel todo o seu backstage de ser uma jovem mulher, que nem sempre corresponde a expectativas estéticas da sociedade e que está tentando se virar nesta coisa doida chamada vida adulta. Eu ouvi drama? É com a gente mesmo, sorry not sorry.
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Zines “Meu Armário é um Rinoceronte” e “O Terreno Invisível dos Sentires”, de Isadora Ferraz
Ler zines me traz uma sensação muito boa, de ir em feiras de publicações independentes sozinha e ficar deslumbrada com a quantidade de artistas incríveis que existem tão perto de nós; um ambiente com tanta novidade e não saber pra onde olhar primeiro. Comprei essas duas pela internet e mesmo em casa elas conseguiram me remeter ao lugar físico das feiras que tanto aprecio. Sobre a artista Isadora, gostei muito de seus traços e de suas sutilezas, cada zine com seu tema mas ambas convidando a reflexões.
Eu, como boa amante de livros e atualmente com tempo de sobra, decidi criar essa página pra escrever um pouco sobre o que eu ando lendo e talvez sobre algo mais que me venha na cabeça.
Na foto, sou eu cheirando livro novo que chegou essa semana e que já está sendo aclamadíssimo por mim, o “Desterros”, da Natalia Timerman.
mas o descontrole é o que sobra de uma ligação quando o outro age como se ela nunca tivesse existido.
Natalia Timerman, Copo Vazio
O céu: quando meu pai já estava doente, costumávamos almoçar num restaurante perto de casa dele aos domingos. Aquela ritualização do almoço que se repetia nos dava a impressão de que a morte, de alguma maneira, nunca chegaria; como se estivéssemos conseguindo enganá-la, e a rotina e o apego à rotina talvez sejam sempre isto, afinal de contas: a tentativa não de lidar com o fim, mas de pretender que ele não exista.
Natalia Timerman, As Pequenas Chances
Morrer não deveria ser um verbo. Morrer é o oposto do verbo. Ao morrer, findam-se as conjugações. O tempo verbal. O tempo.
Natalia Timerman, As Pequenas Chances
Caminhará distraída, em uma trégua com a própria vida. Aos quarenta e quatro anos ainda não saberá o que é a paz, e talvez nunca chegue a saber.
Copo Vazio
Natalia Timerman