Blue Jasmine Woody Allen
Cate Blanchett incorpora com tanta veracidade a personagem Jasmine que captamos com dor o argumento proposto por Woody Allen.
Qual mulher não merece ser mimada em uma banheira de espuma e ganhar do seu amado uma pulseira de brilhantes?
Já nascemos invadidas por sórdido real que não nos permite passear impunemente pelas alegres imagens projetadas pelo sexo forte.
À nós mulheres, ditas e malditas, pela boca do homem, cabe a sustentação do sonho impossível.
Bruxas ou princesas, doces ou amargas, com tensão menstrual ou em franca menopausa, precisamos fazer reinar o mundo da fantasia sem, que tenhamos em mãos, o Mickey, ou o pateta, para se identificar.
Em frente ao espelho somente a mancha de sangue apontando nossa libra de carne amplifica o desejo em ser simplesmente amada.
Janette tornou-se Jasmine pois, no universo masculino dos semblantes, toda mulher precisa vestir a máscara que encobre o rosto do amado.
Se a máscara escorregar de nosso rosto ou a peteca cair de nossas mãos, a dança das cadeiras é reativada e nova eleita alçada ao posto de princesa.
E é aqui que começa nossa estória pois em linguagem o futuro é predito antes da luz se acender na ribalta.
Jasmine já nasceu destronada, pois dada à adoção não foi originalmente nomeada.
Janette é a lembrança amarga pretensamente esquecida e, a medida que criamos intimidade com a personagem, percebemos que Jasmine nasceu causada pela dor do abandono.
A trilha sonora, cantada, em prosa e verso pela boca e gestos corporais da enamorada personagem de Wood Allen, revela o seu insaciável desejo de ser alçada ao posto de rainha.
Em seu mundo feminino, perdida e siderada ao som de Blue Moon, ela precisa do sonho que lhe devolva a crença, o sentido de viver.
A lua azul brilha poderosa em seu arsenal imaginário lhe colocando na via do amor.
Ilusionista, ela quer sonhar construindo o signo amoroso pela troca de imagens contrárias.
Janette precisa ser adorada e jasmine surge como mascara sedutora e dourada que cuida, que devolve ao outro a possibilidade do amor desvairado.
Infelizmente, Jasmine se perde em seu contorno e, a luz, da aposta impossível, lhe rouba o ouvido que, surdo, não percebe a chegada de novas estrelas.
Com olhar direcionado à pouca distancia e a escuta ensimesmada em seu próprio ventre, a nossa personagem desequilibra os pratos da balança e adentra em terreno sombrio.
Desalinha o susto da espera e desgovernada feito vela sem barco desagua em terras vizinhas ao amor!
Ao perder o amado destrói o amor, mata a carne, alimenta o ódio e volta a nossa triste sina de eterna gata borralheira, sem sapatinho, solta na rua, olhar perdido no oco vazio de nossa profana existência.















