Sobre as perdas
Você pode pensar que eu estou exagerando, afinal foi só um texto. Bem, sim. Talvez esteja. Mas é só uma ilustração. Imagine assim: você trabalha um bom tempo em algo muito importante pra você e, quando o projeto está caminhando muito bem, uma força maior tira tudo aquilo de você. A imprevisibilidade tem sua doçura. Mas quando se é surpreendido com uma rasteira em vez de um abraço, é mais fácil acreditar na sua acidez.
Já ouvi que não sei perder. Isso por conta dos surtos de indignação que tenho quando algo me é tirado. Um bom exemplo: o prêmio miniempresa. Participei de uma miniempresa estudantil no segundo semestre do ano passado. Trabalhamos horas, queimamos vinil, lixamos, furamos, vendemos, contabilizamos. No final de tudo acabamos com um prêmio referente a uma gincana na qual uma parte ínfima dos participantes se lançou à sorte em dinâmicas numa tarde de sábado (ou sexta, tanto faz). Acabei emburrada por semanas, xingando Deus e o mundo. Isso já tem dois meses. Não me conformei, não. Mas assumi os erros e prometi fazer melhor. É essa a mágica da coisa. Não é sobre saber perder, é indignar-se com a derrota.
O jornalista José Luiz Tejon Megido escreveu outro dia: "Nas derrotas forjamos o caráter; [...] Não existe um vitorioso que não tenha sido um coletor de pequenas vitórias e um aprendiz ferrenho nas derrotas". Me sinto exatamente assim. Tenho minhas pequenas glórias. Uma conquista aqui e ali. Já repararam que nossas experiências negativas são mais fáceis de acessar na hora de uma decisão, ação ou coisa do tipo? A derrota "funciona como uma alavanca poderosa, uma bomba atômica que aciona todos os seus nervos, neurônios e a vontade". Imagino que você possa discordar de mim no quesito "a derrota impulsiona". Sou prova viva de que isso não acontece na hora ou da noite pro dia. Requer disciplina. Me entenda, todo cometimento traz riscos e você possivelmente pode ser tragado por um deles. O negócio é não se deixar levar. Não pense que o mundo vai te tirar da fossa, ele te "abastecerá com milhões de verdades anestesiantes, para justificar seu caminhar adocicado". Uma vez em desgraça (perdoe o termo exagerado), se levante. Acomodar-se, jamais!
O ser humano é um bicho inconformado. Então, não se deixe rebaixar por um tropeção. Não se conforme com o hoje, o amanhã pode ser tão maravilhoso. E o melhor é que só depende de você.
@psicobella







