Chefe de Família
Atrás de um balcão Um membro da classe média baixa Atende o seu cliente Bota o dinheiro no caixa E faz de tudo para vender Negocia produtos, negocia um trato E o telefone ele vai atender Para finalizar um contrato
Contando as voltas Do ponteiro do relógio Contando os minutos Os instantes decisivos Nesse trabalho abusivo Antes de levar um susto O seu futuro é decorativo Do dinheiro virou prostituto
A mulher não sente nada Só desgosto e muita dor No quinto dia vem o salário Que não dá nem pro pastor E o filho é o que mais sofre Com a pressão de uma crise A mais grave, a da meia idade E não há álcool que amenize
Veterano do exército Trabalho infantil Hipocrisia imensa Da classe média do Brasil Que se acha tão progressista Uma geração de trabalhadores Que na verdade foram explorados Na senzala dos grandes senhores
O capitalismo não vê cara nem cor A não ser a do real Mas uma herança maldita fomenta Uma segregação racial Trabalhou duro pra chegar aqui E mesmo assim roubou o lugar de tantos Que nunca sequer tiveram uma chance Sua meritocracia só causa prantos
Pense bem no que te sustenta Pode ser a tragédia e a loucura E o calor que te esquenta Pode ser a chama da fartura A tentação de ter mais Do que a boca consegue engolir A sensação é demais Até quando você vai conseguir?
14 de Outubro de 2016 Psicodeluka









